sábado, 10 de janeiro de 2026

JÚLIO POMAR e a GALERIA 111 (1), desde 1967

 1. JP e a 111: 1967 e 1973

Exposição Desenhos para "Pantagruel", de Rabelais, em 30 maio de 1967 - dizia que foi a 1ª vez que um editor devolveu os originais publicados; o hábito, tb nos periódicos, era ficarem por lá, perderem-se. Foram devolvidos num álbum organizado por Alice Jorge e adquiridos por Manuel Vinhas. Edição Prelo, do amigo Rui de Moura.
O livro fora uma iniciativa do artista, que convidou como tradutor Jorge Reis (exilado em Paris, inconfundível locutor das Actualidades Francesas e autor do premiado romance "Matai-vos uns aos outros", 1961, Prelo) e acompanhou o design gráfico de Alice Jorge. Dispersaram-se os desenhos muito mais tarde, e encontram-se alguns no acervo do Atelier-Museu e no espólio dos herdeiros.
Fotos com Manuel Vinhas, Mário Dionísio e José Sommer Ribeiro (©ccângelo Gonçalves)

"Pomar 69/73" A seguir, exp de dezembro 1973, catálogo com texto ensaístico do autor (no III volume da "Parte Escrita", ed. Atelier-Museu). Em 1969 iniciara-se uma colaboração regular com Manuel de Brito.
A segunda exposição na 111, aconteceu dez anos depois da instalação do pintor em Paris, e reuniu obras dos anteriores cinco anos, com séries dos Banhos Turcos d'après Ingres e retratos, 46 pinturas e 12 desenhos; catálogo com um longo texto do artista. Seguiam-se já às séries dedicadas ao Rugby e a Maio de 68, adquiridas quase totalmente por Jorge de Brito, que foram vistas pela 1ª vez em 1986 numa mostra antológica da Gulbenkian (Brasil e Lisboa).
Manuel de Brito comprava então no estrangeiro muitas obras para Jorge de Brito, nomeadamente em leilões e com o foco em Vieira da Silva, às vezes mesmo em concorrência directa com o arq. João Teixeira, fazendo subir preços e cotações. (ver "20 Anos" de MB, 1984, in "50 Anos 1964-2014"
As obras das novas séries de Pomar eram compradas quase na totalidade, antes de serem expostas, por Jorge de Brito, Manuel Vinhas e Augusto Vieira de Abreu. Em 1973 Jorge de Brito adquiriu um grande número de pinturas e as outras são disputadas por colecções particulares.
Manuel Brito ia vendendo directamente os quadros recentes aos coleccionadores-admiradores e adiando a 1º individual, desejada por Pomar, depois de fazer em 1964 (Tauromachies) e 1965 (Les Courses) duas exposições na Galerie Lacloche, na Place Vandôme, que surgira por intermediação de Manuel Vinhas e entretanto passara a dedicar-se a múltiplos ± Pop e mobiliário de artista (ver Pomar, Alexandre, 2023).
Foi a 1ª individual de pintura em Lisboa depois da de 1966 na SNBA, a então Galeria de Arte Moderna, montada com os quadros de Paris, em geral já de colecções privadas. Era o início do boom do mercado.






terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Castro Soromenho, Elmano Cunha e Costa (e Manuel Ribeiro de Pavia): A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, 1946-48

O acervo fotográfico de Castro Soromenho

https://sobrecs.wordpress.com/acervo-castro-soromenho/acervo-fotografico/

O acervo fotográfico de Castro Soromenho encontra-se acessível no site dedicado ao escritor (site activo até 2020, mas acessível em 06.01.26). É uma grande colecção de provas originais de várias autorias e procedências não identificadas (também de postais). Em grande número foram produzidas por Elmano da Cunha e Costa, e incluidas no livro A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, 1946-48,  em 84 “estampas”, extra-textos legendados, por vezes com duas ou três fotos. Entre estas provas  contam-se muitas com marcas de corte e reenquadramento destinadas a essa edição, que dispõe de um “Indice das estampas - fora de texto”, sempre sem atribuição de autoria. 

Vol. 3. 38.  Uma grande orquestra – Jingas

Numa das edições que conheço, com encadernação editorial (392 pags. + 88 estampas reunidas no final), não existe nem indicação do editor; apenas a referência à “execução” na Empresa Nacional de Publicidade. (Em 1928 a Empresa do Diário de Notícias foi convertida na Empresa Nacional de Publicidade - ENP, controlada pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias e pela Caixa Geral de Depósitos.)

Noutra edição, com encadernação diferente e com as estampas distribuídas ao longo do volume, é indicada no rosto a Terra Editora, Lisboa, 1946 a 1948, e no verso a autoria da “realização gráfica” de Manuel Ribeiro de Pavia, de quem são as capitulares e inúmeras gravuras impressas a duas cores, preto e vermelho. O fotógrafo também não é referido. Pavia, 1907-1957, era então um frequente ilustrador de autores neo-realistas e expositor nas EGAP.

É referida por Cláudia Castelo e Catarina Mateus (em O Império da Visão, 2014, ver abaixo) uma 2ª edição , da Editorial Sul, Lisboa, 1956, com “nova selecção fotográfica do mesmo autor, mais uma vez sem os devidos créditos”.



Castro Soromenho foi funcionário colonial e escritor, com um itinerário intelectual e político que o afastou do regime, o fez anticolonialista e escritor angolano, e que o levou ao exílio. É um percurso fascinante

BIOGRAFIA DE CASTRO SOROMENHO (extractos)

https://sobrecs.wordpress.com/biografia/

“A respeito dessa segunda fase, que se aproxima do neo-realismo, disse Castro Soromenho, em entrevista a Fernando Mourão[9]: “… depois de reviver [em Portugal] a minha vida de Angola, fazendo tábua rasa de idéias feitas e dando-me conta de erros de interpretação originados pelo clima social vivido desde a infância numa sociedade em formação, heterogênea pela sua própria natureza (…) Colocado, no tempo e no espaço, numa posição que possibilitou novas perspectivas, o homem e a sua vida, a terra e o meio social revelaram-se na sua forte autenticidade. (…) Desde que nos meus romances surgiram novas realidades sociais e se me apresentaram as suas contradições, logo se me impôs, naturalmente, uma nova técnica – e um novo estilo literário. O neo-realismo teria de ser o novo caminho”.

No ano de 1946, começa a sair em fascículos A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, terminada a a edição no final de 1948. 

Em 1948, Castro Soromenho é encarregado, juntamente com os escritores Adolfo Casais Monteiro e António Pedro, da propaganda eleitoral no rádio do General Norton de Matos, candidato oposicionista à presidência da República. O programa de rádio não pôde ir ao ar e Norton de Matos desiste da candidatura por falta de condições políticas. Nesse mesmo ano, o escritor faz sua primeira viagem à França.

Voltando atrás:

Infância e juventude em Portugal e África. Com menos de dois anos, Castro Soromenho (n. 1910, Chinde, Zambézia - 1968 São Paulo) vai para Angola (Huambo). Por volta de 1916, quando tinha cinco ou seis anos, seus pais decidem enviá-lo a Portugal, junto com seu irmão Nuno, dois anos mais novo, para cursar o ensino primário e secundário como aluno interno num colégio localizado em Lisboa. Vive em Portugal até aos 15 anos e conclui o quinto ano do liceu. 

 

Em 1925, regressa a Angola vivendo no distrito da Huíla durante dois anos e cursa a Escola Primária Superior “Artur de Paiva”...

De junho de 1928 a janeiro de 1929, trabalha como funcionário numa agência de recrutamento de mão-de-obra da Companhia dos Diamantes, em Vila Luso, Distrito de Moxico. Permanece menos de um ano nesse cargo. Ingressa no Quadro Administrativo de Angola e exerce os cargos de Aspirante e de Chefe de Posto, funções que manteve até aos 27 anos de idade.

Nesse período, Castro Soromenho passou a maior parte do tempo nos sertões do leste de Angola (Luchazes, Moxico e Lunda) e fez, provavelmente, diversas viagens a Portugal. Devido à falta de registros oficiais dessa fase de sua vida, é difícil identificar com segurança as regiões nas quais serviu. Mas no relatório Distrito da Lunda (que se refere ao período de 1931 a maio de 1933), Castro Soromenho consta na “relação do pessoal administrativo colocado no distrito da Lunda, Circunscrição de Saurimo”, como “Aspirante”.

Nos sertões de Angola, Castro Soromenho dedica-se ao estudo da vida dos nativos, dentro dos padrões de sua cultura, e a questões coloniais. O interesse pela etnografia dos povos africanos persistiria ao longo de toda a sua vida.

Aos vinte e dois anos de idade, ainda quando vivia nos sertões, escreve seus primeiros contos, entre os quais Aves do além que é publicado no jornal Ultima Hora em abril de 1934. Esses contos seriam posteriormente reunidos no primeiro livro do escritor, Nhárí, de 1938.

Em 1936, renuncia à carreira administrativa, contra a vontade de seu pai, por incompatibilidade profissional e ideológica... Fixa-se por pouco tempo em Luanda onde trabalha como jornalista no Diário de Luanda e colaborador do Jornal de Angola. Nesse ano de 1936, é publicada sua primeira coletânea de contos, Lendas Negras, nos Cadernos Coloniais, n. 20. No começo de 1937 (ou no final de 1936), Castro Soromenho vai para Portugal e jamais retornaria a Angola.


Ilustrações de Pavia




Alguma Bibliografia

1. ROGER BASTIDE E ANGOLA - A LUNDA -- NA OBRA DE CASTRO SOROMENHO, FERNANDO AUGUSTO ALBUQUERQUE MOURÃO - DO CENTRO DE E S T U D O S AFRICANOS, U.S P

https://sobrecs.wordpress.com/wp-content/uploads/2010/03/bastide-a-lunda-na-obra-de-castro-soromenho.pdf

2. "Castro Soromenho: escritor africano", MANUEL RODRIGUES VAZ

https://triplov.com/revistaTriplov/castro-soromenho-escritor-africano/

3. "CHINUA ACHEBE E CASTRO SOROMENHO: COMPROMISSO POLÍTICO E CONSCIÊNCIA HISTÓRICA EM PERSPECTIVAS LITERÁRIAS" Stela Saes (USP)

https://www.abralic.org.br/anais/arquivos/2015_1456150869.pdf

4. José Augusto França – "Castro Soromenho: nota brevíssima à sua memória"

https://revistas.usp.br/africa/article/view/95967/95225

5. Pavia africanista, Almanaque Silva, 2011

https://almanaquesilva.wordpress.com/2011/01/18/a-africa-negra-de-pavia/

6. "Etnografia Angolana" (1935-1939): histórias da coleção fotográfica de Elmano Cunha e Costa" de Cláudia Castelo Catarina Mateus

https://www.academia.edu/30853492/_Etnografia_Angolana_1935_1939_hist%C3%B3rias_da_cole%C3%A7%C3%A3o_fotogr%C3%A1fica_de_Elmano_Cunha_e_Costa

José Veloso de Castro, entre Cunha Moraes e Elmano Cunha e Costa (edições)

José Veloso de Castro 1904-1912 / ...1929 / 2025
Cunha Moraes 1882-1888 
2ª Missão Suíça a Angola 1932-34
Elmano Cunha e Costa 1935-1939

 

"O exame do passado requer uma abordagem crítica, porque não se trata de endossar ingenuamente as categorias de pensamento em vigor à época, mas requer igualmente uma capacidade de recuo, já que também não se trata de julgar os antecessores a partir de posturas intelectuais contemporâneas” - Retour d'Angola 2010, Musée d'Ethnographie de Neuchâtel.

    (Endossar = avalizar e julgar são aqui as palavras chave, e duas atitudes a recusar)



As fotografias de José Veloso de Castro (realizadas em Angola entre 1904 e 1912; publicadas por ele até 1929, expostas agora no Museu Militar em provas actuais), vêm interromper um intervalo fotográfico, quanto a obras impressas, que vem de 1882-88, ou seja, da publicação dos Álbuns "descritivos" de Cunha Moraes - e também de 1887, o "Album da expedição ao Muatianvua" de Henrique Augusto Dias de Carvalho com fotos Manuel Sertório de Almeida Aguiar -, até ao início da década de 30, tempo das exposições coloniais e da definição da etnografia como ciência. 

Nos anos 1930, as documentações fotográficas principais (ou únicas?) são as das 2ª Missão Suíça a Angola, 1932-33, com livro publicado no ano seguinte em Neuchâtel, e de Elmano Cunha e Costa, activo em Angola em 1935-39 e presente em diversas publicações próprias e alheias. 


ANTES DE VELOSO DE CASTRO


1. A

Album photográphico e descriptivo de J. A. da Cunha. Moraes. Africa Occidental: 1885. 

Edição em dois volumes do Getty Research Institute


Volume Moçamedes, Huila e Humpata:

 https://archive.org/details/gri_33125010388300

"Damos por terminado o nosso trabalho, onde, ainda que muito resumidamente, fizemos por tornar conhecidas do leitor as bellezas naturaes existentes nos dominios portuguezes da Africa Occidental, os usos e costumes indigenas, os progressos realisados, os beneficios da colonisação e os serviços dos missionarios entre selvagens que tanto carecem de luz e de instrucção.

O nosso estylo foi sempre despretencioso e sem colorido, porque tivemos de nos limitar constantemente á indispensavel medida que nos marcamos e não tinhamos em vista senão dar uma noticia da nossa exploração artistica por aquellas possessões. Se com ella nada lucrou a litteratura e a sciencia, nada perdeu, porém, a arte."


e Volume Novo Redondo, Benguella e Rio Quicombo: https://archive.org/details/gri_33125010388425/mode/2up






1. B

Edição em 4 volumes. 

Ver https://africainthephotobook.com: https://africainthephotobook.com/tag/angola/


"Africa  Occidental . Album Photographico Descriptivo" 

publicados por David Corazzi, Lisboa, entre 1885 e 1888




https://africainthephotobook.com/2019/09/12/africa-occidental-album-photographico-e-descriptivo-segunda-parte/


Informação de  Ben Krewinkel (o autor do site Africa in Photobook): 


J.A. da Cunha Moraes in 1882 first published an album with albumen prints titled Africa Occidental - Album Photographico Litterário.

Later he published 4 installments (edições em fascículos) called Africa Occidental - Album Photographico Descriptivo with publisher David Corazzi ,Lisbon. These luxurious albums contained in total 158 collotypes.


Vol 1.

1885 Primeira Parte (Do Rio Quillo oa Ambriz) com 38 photographias. O retrato do rei do Congo e um mappa do curso inferior do Zaire. (Com uma itroducçao de Luciano Cordeiro)

Vol 2.

1886 Segunda Parte (Loanda, Cazengo, Rios Dande e Quanza) com 40 photographias, Payzagens e typos (Com uma itroducçao de Idéas Geraes Sobre Angola)

Vol. 3. 

Terceira Parte (Novo Redondo, Benguella e Rio Quicombo) 40 photographias, payzagens e typos (Com uma introducçao de Idéas Geraes Sobre Benguela) 

Vol 4. 

Quarta Parte (Mossamedes, Huilla e Humpata) com 40 photographias, payzagens e typos (Com uma itroducçao de Idéas Geraes Sobre Mossamedes)



1. C


"Africa Occidental: Album Photographico-Litterario", publicada em fascículos, entre 1882 e 1883, em co-autoria de Francisco de Salles Ferreira.

bibliografia:
"Fotografias de Angola do Século XIX: o ‘Álbum Fotográfico–Literário’ de Cunha Moraes",
            Liliana Oliveira da Rocha e Patrícia Ferraz de Matos


https://www.researchgate.net/publication/337142421_FOTOGRAFIAS_DE_ANGOLA_DO_SECULO_XIX_O_'ALBUM_FOTOGRAFICO-LITERARIO'_DE_CUNHA_MORAES


#


2. A



Expedição Portuguesa ao Muatiânvua, 1984-1887

álbum com provas fotográficas coladas da autoria de Manuel Sertório de Almeida Aguiar e legendas descritivas manuscritas, de Henrique Augusto Dias de Carvalho



https://purl.pt/23726/4/ea-95-p_PDF/ea-95-p_PDF_24-C-R0150/ea-95-p_0000_capa-capa_t24-C-R0150.pdf

BNP: 

CARVALHO, Henrique Augusto Dias de, (1843-1909)

Album da expedição ao Muatianvua / [texto Henrique Augusto Dias de Carvalho] ; [fotos Manuel Sertório de Almeida Aguiar]. -[1887] : 287 fot., provas em gelatina, 24x32 cm (fot. 9,3x6 cm a 10,4x17,5 cm). 


2. B

Edição impressa posterior em 4 volumes ilustrados com gravuras


CARVALHO, Henrique Augusto Dias de, 
Descripção da viagem à Mussumba do Muatiânvua / pelo chefe da expedição Henrique Augusto Dias de Carvalho ; il. H. Casanova. - Lisboa : Typographia do Jornal : Imprensa Nacional, 1890-1894. - 4 v. : il. ; 22 cm. 

 

digitalização na BNP:

https://purl.pt/23716            


Bibliografia:

https://www.scielo.br/j/rh/a/3M6Gz79sPWDFPJzQYqvFX7v/?lang=pt


https://www.scielo.br/j/anaismp/a/9zzHDCkhMh6xDwF8MTQf5DN/?lang=pt

1. "Expedição portuguesa ao Muatiânvua" como fonte para a história social dos grupos de carregadores africanos do comércio de longa distância na África centro-ocidentalElaine Ribeiro, Professora da Universidade Federal de Alfenas - Minas Gerais

2. "“Clara como céu, escura como água do Luembe”: trajetórias, usos e significados das contas de vidro entre as populações da África Centro-Ocidental (Lunda, 1884-1888)" Márcia Cristina Pacito Fonseca Almeida Doutoranda em História Social (FFLCH/USP), docente na faculdade Piaget e bolsista FAPESP

1: "Entre os anos de 1884 e 1888, o militar português Henrique Augusto Dias de Carvalho chefiou uma expedição que partiu de Luanda e atingiu a mussumba (capital) da Lunda, na África centro-ocidental, governada pelo Muatiânvua. Levou consigo vários objetivos, em parte determinados pelos interesses dos poderes governamentais de Lisboa, em parte estimulado por suas aspirações de saber científico.

Produzida a partir desta viagem, a obra Expedição portuguesa ao Muatiânvua 1884-1888 é composta de oito volumes, sendo que quatro deles referem-se à narrativa da viagem, outro corresponde à história e etnografia da Lunda, um sexto sobre a língua lunda e outro ainda sobre meteorologia, clima e colonização portuguesa em Angola. Pertence a ela ainda o volume de autoria do farmacêutico e subchefe da viagem Sisenando Marques que, conforme o título, trata dos 'climas e das producções das terras de Malange à Lunda'.

Além desses oito volumes, existe o álbum de fotografias tiradas pelo terceiro chefe da expedição, o capitão Sertório de Aguiar, e com legendas e comentários de Henrique de Carvalho, a partir do qual foram produzidas as inúmeras gravuras publicadas nos oito volumes. "





domingo, 7 de dezembro de 2025

2007, Martin Parr, The Photobook

 O livro dos livros

A primeira história geral do fotolivro enquanto género específico. Com uma passagem forte por Portugal

Expresso/Actual de 15-01-2005

  Book
The Photobook: A History Volume 1, Martin Parr and Gerry Badge

Nunca a fotografia ocupou tanto espaço nas paredes de galerias e
museus, exposta em paridade com a pintura ou a instalação num alargado
campo da arte onde domina a construção formal e a recepção estética –
mas já pouco depois de surgir como novo medium, nos anos 50 e 60 do
séc. XIX, era quilométrica a sua presença nas exposições universais e
salões, sem se dissociar ainda o que nela era progresso da ciência ou
da arte.

Ao mesmo tempo que a fotografia acede a essa circulação indistinta entre a «arte em geral», dois outros fenómenos asseguram-lhe formas de visibilidade que decorrem da sua originalidade (i)material e natureza intermediática. Por um lado, o trânsito através da Internet, sem que essa existência virtual se prolongue em qualquer exposição tradicional ou edição (impressão fotográfica ou em tinta). É o espaço dos blogues (Fotoblog, Flickr, Fotola), onde um massivo uso amador da fotografia como relação com o mundo e com outros, enquanto diário pessoal, «hobby» e arte, adquire uma inédita escala de comunicabilidade democrática. Por outro, a maior atenção prestada ao livro fotográfico, em especial ao fotolivro (a palavra é recente) enquanto género próprio no âmbito da fotografia publicada, visto como medium específico em si mesmo e autónoma forma de arte.