parte 1
coisas várias, artes (plásticas, fotográficas e comestíveis), escritos, promoções e embirrações
sábado, 17 de fevereiro de 1990
sábado, 3 de fevereiro de 1990
1990, U-ABC, Uruguay, Argentina, Brasil, Chile: exp do Stedelijk, Gulbenkian (03-02)
Do sul da América, 13 pintores ou escultores e 10 fotógrafos.
Do Brasil Adriana Varejão,, Emmanuel Nassar, Tunga, Daniel Senise, Leda Catunda, Hilton Berredo
Anna Marianni e Sebastão Salgado
Luis Benedit, Argentina
sábado, 13 de janeiro de 1990
1990, 1994, Museu do Chiado ex-MNAC: "O próximo MNAC", 1990 e "Salvo pelo fogo", 1994
Franceses renovam MNAC - 1 Dez.90
O próximo MNAC
13 Janeiro 1990. Cartaz, Actual, pág. 35
Depois do incêndio: O museu fora encerrado em 1987, passando a considerar-se a possibilidade de o instalar noutro local. Pelo despacho nº 37/89, de 10 Abril, Teresa Gouveia nomeia RHS para dirigir o tratamento da colecção, referindo a adaptação do local a galeria de exposições, até à ulterior redefinição dos espaços e da segurança do antigo MNAC.
QUE seria do Museu Nacional de Arte Contemporânea se não fosse o incêndio do Chiado? O mais provável era que todos se fossem esquecendo que um dia o eng. António Lamas (ex-IPPC... ) mandara fechar as portas à indigência em que sobrevivia.
Houve o incêndio, voltou a falar-se da reanimação da zona, o Governo francês dispos-se a lançar uma acção local de apoio, um arquitecto de nomeada deixou-se fascinar pelo velho Museu, em Maio de 89 foi nomeada uma comissão de reinstalação. E as obras já começaram. O projecto de arquitectura, sob o patrocínio de um «Comité de Parrainage» presidido por Mitterand, integrado por três dos seus ministros, instituições e personalidades francesas, só estará concluído por Março ou Abril, mas já há andaimes na Rua Serpa Pinto e fazem-se sondagens arqueológicas no antigo jardim.
Jean Michel Wilmotte é um dos arquitectos responsáveis pelas novas áreas do Louvre (nomeadamente aquela onde é evocada a própria história do edifício), especialista na reinstalação de antigos museus. Para o MNAC tem o projecto de integrar o edifício anexo (comprado em 1965 e onde apodreciam as reservas) utilizando-o como entrada principal, área de recepção e distribuição da circulação, zona de exposição de escultura e depois, já no piso superior, como galeria de exposições temporárias. No topo abrir-se-á ainda um enorme terraço com vista para o Tejo. É um edifício misterioso, este anexo, de grossíssimas paredes, enorme pé direito e tecto abobadado a sugerir antiga cisterna; sobre ele ainda subsistem os fornos improvisados para que os frades de S. Francisco abastecessem de pão a cidade que sobrevivera ao terramoto (irão ficar integrados na nova galeria temporária). A passagem às antigas instalações abrir-se- á ao nível do actual jardim, que será escavado para alargar espaços.
Por outro lado, deverá proceder-se a um reordenamento de zonas interiores por troca com a ESBAL. Para uma fase ulterior, quando, um dia, um qualquer ministro ou secretário conseguir negociar ou impor-se à PSP, ficará a solução dos graves problemas de vizinhança com o paiol, a garagem e a cantina da corporação.
sábado, 6 de janeiro de 1990
1900, Paula Rego: na Tate, na Marlborough e na colecção Saatchie (New British Art) (06-01) e na National Gallery (05-05)
1988 foi para Paula Rego o ano da Gulbenkian e da Serpentine, ou seja, das grandes exposições antológicas em Lisboa e em Londres que tornaram mais pública a notoriedade internacional da sua pintura. Depois, ao longo do último ano, sucederam-se as confirmações da entrada da pintora portuguesa de Londres nos círculos mais destacados da circulação artística britânica.
Paula Rego já estava antes incluída entre os poucos contemporaneos ingleses expostos na Tate Gallery; recentemente, uma outra pintura de grandes dimensões foi adquirida pelo Museu: A Dança, concluída no último dia de 88.
«A Dança», colecção Tate Gallery
Igualmente significativa fora já a transferência de Paula Rego para uma das mais importantes galerias do mundo, a Marlborough, com salas em Londres, Nova York e Tóquio. Uma primeira exposição de pintura esteve prevista para esta galeria mas acabou por ser adiada por respeitáveis razões; é que, entretanto, a produção de Paula Rego dera entrada directamente em várias colecções e, em especial, na mais importante das quesão dedicadas em todo o mundo à arte actual, a Saatchi Collection. Em Dezembro, no entanto, a pintora apresentou na Marlborough Graphics uma exposição de gravuras originais; intitulada «Nursery Rhymes», era uma extensa série de trabalhos em aguatinta (em alguns casos
coloridos manualmente) que referem directamente o universo das histórias infantis e da tradição ilustrativa inglesa, onde animais, brinquedos e crianças participam de igual modo num teatro de fantasia, realismo e crueldade. Duas séries completas dessas gravuras foram adquiridas pelo Victoria and Albert Museum e pela Saatchi.
Esta mesma série de gravuras vai ser igualmente apresentada em Lisboa pela Galeria 111, que já em Junho do ano passado dera a conhecer numerosos outros trabalhos recentes (desenhos a tinta sépia). O desenho e a gravura tornaram-se processos muito utilizados nos últimos anos por Paula Rego em paralelo com o trabalho de pintura, cuja produção passou a ser, entretanto, muito mais lenta devido à própria evolução do seu «estilo» para uma figuração de grande precisão, muito complexa na utilização das perspectivas, das sombras e da paisagem como fundo.
Entretanto, a entrada na Colecção Saatchi deu lugar à inclusão de Paula Rego num livro-calalogo intitulado New British Art in the Saatchi Collection (ed. Thames and Hudson, 15 L), onde quatro das suas pinturas recentes (vistas em 88 na Gulbenkian) surgem ao lado de obras dos pintores Michael Andrews, Frank Auerbach, Patrick Caulfield, Lucian Freud, Howard Hodgkin, Kitaj, Le-on Kossoff, Lisa Milroy, Malcolm Morley, John Murphy, Avis Newman, Sear Scully, Carel Weight e Victor Willing (o marido de Paula Rego, falecido em 88), e ainda dos escultores Tony Cragg, Grenville Davey, Richard Deacon, Julian Opie, Richard Wentworth, Richard Wilson e Bill Woodrow. Curiosamente, o que se intitula «New Art» representa um leque muito alargado de gerações, que vem desde alguns nomes da Pop britânica dos anos 60 (o que é «novo» é a própria promoção da arte britânica e a isso parece estar associada a aspiração ao título de Lord por parte dos Saatchi).
Por último, Paula Rego foi um dos sete artistas entre o quais se decidiu em Londres a atribuição do Prémio Turner de 89, uma das mais importantes distinções mundiais para um artista contemporâneo. Além dos já citados Freud, Scully e R. Wilson, a lista das nomeações incluiu Gillian Ayres, o italiano Giseppe Penone e o escultor Richard Long, acabando este por ser o vencedor.
sábado, 7 de maio de 1988
1988, Eduardo Luiz (n.1932)
Expresso/Revista
07-05-1988, p. 28R (“Na Berra”)




