domingo, 17 de agosto de 2025

2007, 2025, Augusto Alves da Silva, Lau, Col. Berardo

LAU (2007), de Augusto Alves da Silva, Berardo Collection. 91 fotografias C print; 300 x 400 cm. Homenagem de Lau Costa, modelo nesta série-instalação:

17 08 2025

"Homenagem a Augusto Alves da Silva
O olhar de Augusto era único: preciso, íntimo, atento ao detalhe e ao instante. A sua capacidade de captar não apenas a imagem, mas também a essência e a atmosfera invisível ao redor, transformou este nosso trabalho numa experiência marcante.
“LAU” nasceu desse encontro — de uma entrega mútua, da confiança no olhar do outro e da coragem de revelar camadas que não se dizem, apenas se mostram.


1999-2009, 2025, Augusto Alves da Silva, Galeria Pedro Oliveira

Quatro exposições individuais do AUGUSTO ALVES DA SILVA na galeria Pedro Oliveira, de 1999 a 2009.

Pedro Oliveira: “Quem o conhecesse podia achá-lo difícil, fechado. Não era. Era sim discreto, e bastaria encontrar a chave da gaveta da bondade e depois da amizade. Éramos amigos.
Trabalhou comigo cerca de 10 anos, fazendo quatro exposições individuais e participando na coletiva dos 30 anos da galeria:
1999 “Distância Dupla”( emparceirando individualmente com o artista fotógrafo Luis Palma ) com curadoria do Miguel Von Hafe Pérez ;
2003 “Vende-se”;
2006 “Die Schönste Fahne der Welt” ;
2009 “5 Dias em Veneza” ;

2020 “Seize the day People” (exp. coletiva comemorativa dos 30 anos da galeria ) com minha curadoria.“








"Partiu um grande senhor da fotografia portuguesa.
Augusto Alves da Silva, o artista fotógrafo que nos surpreendia, preferencialmente nos seus grandes formatos, com retratos ou paisagens de expectante deceptividade. As suas imagens convidavam-nos a discernir o particular, do importante óbvio. Manobrando com exímia mestria a provocação/sobressalto levava-nos ao real significado do todo.
Um artista discretamente conceptual em que a beleza aparecia em toda a sua plasticidade, fosse no silêncio das belas paisagens, nos segredos dos retratos, na elegância dos vídeos.
...
Lembro-me bem dos cuidados técnicos que ele também tinha na produção e apresentação dos trabalhos. Eram produzidos num dos melhores laboratórios da Europa na Alemanha e ele deslocava-se propositadamente a Düsseldorf para os supervisionar.
Foram assim anos de grande cumplicidade profissional que geraram muita amizade.
Cabe a todos os que em algum momento foram tocados por esta impressiva personalidade, colecionadores e agentes do meio artístico, o devido respeito pela sua memória e integridade da sua obra.
...



2025, Augusto Alves da Silva : Apontamentos

 apontamentos

«esta é uma arte difícil — aquela que teima em não ser artística»,
Jorge Calado, «Refutações do estilo», Ist 1995.
"Não vou estar presente na Inauguração
Sofro de Claustrofobia". - mail de 19 01 20. (FINE PRINT EXPO 2O08)
"o Augusto defendia aquilo em que acreditava mesmo que isso o alheasse do meio por ser considerado uma pessoa difícil", Lúcia Marques, no FB.

"As minhas imagens são claras e o que nelas aparece é reconhecível. São, de certa forma, aquilo que um fotógrafo amador tenta fazer quando traz fotografias das viagens para mostrar aos amigos: imagens que, à partida, estarão nítidas e enquadradas – não meia maçaneta da porta ou o parapeito da janela.
Quero que as minhas imagens, porque aparentemente cristalinas, possam cativar quaisquer pessoas, para depois confundi-las. Se se sentirem confusas é porque estão a raciocinar. Talvez comecem a não tomar como garantido aquilo que está à frente delas".
AAS

"Há dois anos, num regresso ao London College of Printing (hoje London College of Comunication), falei durante três horas com a Professora Anne Williams, que agora se encarrega de saber sobre o que aconteceu aos antigos alunos. Mostrei-lhe vários livros meus e falámos da vida, nomeadamente do ponto de vista económico. Foi curioso e estranho, porque há trinta anos esta mesma pessoa estaria apenas a falar sobre assuntos como “The Consequences of the Male Gaze and Sexual Objectification” sem qualquer preocupação sobre o futuro económico dos alunos – por exemplo nunca se falou sobre os mecanismos do mercado da arte, as galerias, as feiras e outros aspectos igualmente tão importantes.
De repente, ao ver os livros que lhe apresentei, diz-me: “Oh Augusto! You are one of those few people that could have had a fabulous commercial career and at the same time a brilliant artistic career as well”. Fiquei “speechless”, como se diz em português." AAS, "Entrevista (in)completa" 2019, in "Tecnico"

&
Vi-o pela 1ª vez, por acaso, na 1ª Bienal de Arte de Sintra em 1987 e referi-o numa nota no cartaz do Expresso sobre a peça exposta, «Prova de Contacto». Ele estava então em Londres e dizia-me depois como foi importante ter sido apreciado..

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

1944 (cronologia) FERROS, "PINTURA", CAFÉ e TABERNA, os retratos (A.P.)

Por ocasião da exp no Atelier-Museu ("Neorrealismos ou a politização da arte em Júlio Pomar") pode tentar fazer-se uma cronologia comentada, a acompanhar a sequência das obras e das datas.

1. FERROS, 1944 (col. CAM - FCG)

Em 1944 Pomar inscreve-se na Escola de Belas Artes do Porto, depois de ter frequentado a Escola de Lisboa desde 1942, com 16 anos, e antes a António Arroio. Já em 1942 participara numa mostra com colegas vindos da António Arroio (Fernando Azevedo, Vespeira, Pedro Oom) num quarto/atelier na Rua das Flores: essa primeira mostra fora notada no meio artístico do Chiado e na Imprensa (a revista 'Panorama' reproduz-lhe "Pintura" ou "Saltimbanco", uma obra perdida, e é relevante a atenção concedida a um muito jovem artista - Almada Negreiro compra o quadrinho e promove a sua apresentação na 7ª  Exposição de Arte Moderna do SNI. Uma muito pequena pintura sobre madeira agora exposta  "Sem Título [Rapaz]" pode ser dessa data. 

No Porto Pomar integra-se rapidamente no grupo de estudantes (e alguns professores) que expõem com o nome de Independentes desde 1943, do qual se destacam Fernando Lanhas, com quem estabelece uma duradoura cumplicidade, e também Júlio Resende, Nadir Afonso, Amândio Silva, Victor Palla, igualmente ido de Lisboa. Expõe na 3ª Independente, no Coliseu.






Em FERROS nota-se o interesse por Léger ou a sua influência, confirmados por anotações desenhadas num pequeno álbum que se conservou. Terá chegado ao CAM por via de Manuel Filipe, sobre quem publicou uma entrevista no ano seguinte ("Arte") onde surgiu a primeira menção do neo-realismo. Foi exposto em 1945, na Exposição Independente vinda ao IST.

A GUERRA (nº 18) ficou com Fernando Lanhas, e Mário Dionísio referiu-se em 1945 na Seara Nova a outra pintura anterior de tema próximo que lhe pertenceu (título desconhecido, óleo sobre cartão, 46x39cm, CR. nº 9, aqui atribuído a 1942 e à exp. da Rua das Flores, o que parece incerto): "apontamento onde se vê um homem brutalizado pelo peso dum capacete e duma cartucheira, um vago arame farpado, uma forca, uma figura estranha que atravessa o campo (a morte? a humanidade chicoteada e desiludida, mas nem por isso capaz de parar?)" - reed. em M.D., "Entre palavras e cores", 2009.

Em FERROS encontram-se os planos recortados de cor lisa que caracterizam a produção desse ano, numa configuração que seria depressa abandonada. 


De 1942 era o SALTIMBANCOS (Pintura) que veio do atelier da rua das Flores, passou pelo Salão do SNI e desapareceu. Conhece-se a reprodução no Panorama e um desenho preparatório, um estudo.

1942, em Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo, n.º 13, Fevereiro 1943

Na PINTURA (nº 16), que agora é peça maior da col. Rui Victorino, aparece ao centro uma auto-representação de punho erguido entre chaminés de fábricas e um corpo de mulher de pernas para o ar, que se disse premonitório de posteriores cenas eróticas.

Em CAFÉ aparece um retrato de Victor Palla, à esquerda, e outro de José Maria Gomes Pereira, também arquitecto, também transferido de Lisboa e um dos presentes na exp. de 1942

e em baixo um auto-retrato em 1º plano. 





Em TABERNA é bem visível outro auto-retrato à direita baixa, com cachimbo, copo e garrafa, e dois longos braços que marcam os bordos lateral e inferior: 











sábado, 12 de julho de 2025

sexta-feira, 11 de julho de 2025

2025 EDUARDO LUIZ (CAMB), Campo Grande)

:
Conteúdo partilhado com: Público
Um grande pintor de regresso à antiga 111: Centro de Arte Manuel de Brito, Campo Grande. Eduardo Luiz (aqui pequenos formatos)
1973, s/t 39x29cm;
1975, Caixa de ovos 40x20cm;
1977 Petit diable entièrement fait à la main, 25x19,5cm.


(...que o anedotário de Magritte muitas vezes me chateia, e o E.L. tem um magnífico humor que é desafiador)


Col. M de B


LA BRULURE DE MILLE SOLEILS, 1965, PIERRE KAST E CHRIS MARKER (montagem), DESENHOS DE EDUARDO LUIZ. 25 min. com as vozes de Pierre Vaneck e 
Barbara Laage. Produção Clara d'Ovar

OUTRAS COLECÇÕES

A grande lousa, 1966
Óleo sobre tela, madeira 109.5x142.5 cm


\Colecção Ilidio Pinho





Conteúdo partilhado com: PúblUm grande pintor de regresso à antiga 111. Eduardo Luiz (aqui pequenos formatos)1973, s/t 39x29cm; 1975, Caixa de ovos 40x20cm; 1977 Petit diable entièrement fait à la main, 25x19,5cm.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

2025, Cassi Namoda

 Cassi Namoda, Maputo 1988

> Los Angeles e New York



"WHEN WE SEE US", ed. Koyo Kouoh
To Live Long Is To See Much (Ritual Bathers III)" 2020
Oil on canvas
Courtesy of Jorge M. Pérez Collection, MiaMI



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“Já tivemos muitas exposições que exploraram temas similares com outras linguagens e mediums. Há várias razões para a escolha da pintura. Queríamos mostrar a pintura da diáspora africana. A pintura celebra o corpo humano, nós exploramos o mundo com o nosso corpo. Por outro lado, a pintura é uma linguagem que, quase todos os anos, as pessoas declaram morta, mas por alguma razão continua a ressoar. É uma das formas mais antigas de representação usada pelos seres humanos. Basta pensar na pintura rupestre, nas pinturas realizadas sobre rochas. A pintura é uma das formas mais antigas que os seres humanos usaram para deixar uma marca no mundo. É a mais acessível, tal como a própria figuração que proporciona uma representação mais icónica e elementar da expressão ou do corpo.”

“A exposição não pretende ser representativa ou exaustiva”, recorda a curadora. “Não estão representados todos os países da diáspora africana ou do continente africano, mas quisemos sublinhar aqueles artistas que foram catalisadores nos seus contextos locais, ou colocar, no mesmo espaço, artistas que provavelmente não se conheceram. O que nos interessou foi procurar relações, paralelismos. O Malagantana é um dos melhores artistas vindos de Moçambique e descobrimos que em 1962 participou, ao lado do Kingsley Sambo, na primeira exposição do ICAC – International Congress of African Culture, na Rhodes National Gallery [actualmente, National Galery do Zimbabwe], e foi convidado, uma década depois, a colaborar no Mbari Art Club na Nigéria.” (ERRO 1961 OU 62; LONDRES ICA EM 64  confirmar)


"No coração da Europa, mostra-se um século de pintura figurativa negra"

No Kunstmuseum Basel, a exposição When We See Us propõe uma viagem pela alegria e pela sensualidade das diásporas africanas.