sábado, 24 de março de 1990

1990, Cutileiro, retrospectiva no CAM (Hellmut Wohl)(24 03)

 JOÃO CUTILEIRO

Gulbenkian/CAM

24 03 90


Uma imensa obra que, para além do seu êxito público, constitui um problema levantado ao usual entendimento crítico e histórico da evolução artística: J.C. significa a permanência de uma escultura de que sucessivamente se anuncia o seu fim, enquanto trabalho sobre a representação humana, sobre os subgéneros do torso, do retrato, da figura equestre, etc, sobre a monumentalidade, sobre a fronteira do «decorativo». E não se deverá falar de sobrevivência, mas antes do enorme prazer que resulta da continuidade de várias tradições (através das leituras de Rodin, Brancusi, Moore, Giacometti, etc) e da materialidade própria das obras, enquanto sensorialidade das pedras e sensualidade das formas. É da criação de um mundo que se trata, um mundo povoado e compulsivamente reconstruído à imagem da Criação. 

A montagem não pretendeu evitar efeitos de excesso e repetição, optando por privilegiar alguns dos tópicos da obra; outros temas não foram representados, como os «Amantes», os cenários habitados (exp. 111, em 1972), a «Genitalia invendabile» (Leo, 1986). De destacar ainda a importância do catálogo e em especial do estudo de Hellmut Wohl, de há muito um observador atento da arte portuguesa.

No CAM, José Pedro Croft, José Esteves, Pedro Fazenda, Maria Felizol, Manuel Rosa, António Campos Rosado e Silvia Westfalen comparecem numa exp. de «homenagem», assinalando a importância da acção de J.C. para a continuidade da escultura em pedra.(Até 22 Abr.)




Sem comentários:

Enviar um comentário