segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Fernando Lemos, fotografia e pintura (1952)

"Trata-se, na realidade, de uma obra feita por um pintor que se serve da máquina fotográfica para inventar imagens e imprimir-lhes um novo valor. A sua fotografia é, por conseguinte, sempre pintura."

A frase é de Margarida Acciaiuoli, professora, historiadora de arte, em António Ferro, A vertigem da Palavra. Retórica, política e propaganda no Estado Novo, Editorial Bizâncio, Lisboa 2013. Lê-se na pág. 176, num subcapítulo intitulado "A fotografia e o cinema".

Além de ser um disparate considerar que a fotografia de F.L. é pintura (e além do mais, sempre...), a afirmação é também um contra-senso incoerente no âmbito do capítulo onde antes se lamenta, quanto aos salões de Arte Fotográfica, "que a fotografia nas suas primeiras mostras (não) fosse perspectivada como tendo uma linguagem própria" (pág. 164). E continua: "O que se apresentava nesses salões resultava de experiências que continuavam a regular-se pelos valores da pintura, dentro de uma estética pictorialista, socorrendo-se de temas e enquadramentos correntes" (correntes?!).

Vale a pena lembrar também, que Fernando Lemos não é propriamente ou principalmente um pintor, é um desenhador, poeta, gráfico ou designer, pintor e fotógrafo, ilustrador , publicitário, etc. O que torna o erro mais crasso. Note-se ainda que é inútil prolongar até 1952 a informação sobre os anos de Ferro, que já deixara em 1949 o SNI.

Sobre a fotografia de Fernando Lemos desenvolveu-se a apreciação errada que a associa directamente ao surrealismo, quando a sua referência principal e mais directa é a Fotografia Subjectiva que no início dos anos 50 era promovida por Otto Steiner. O José Augusto França escreveu isso no início de 1953, mas o seu artigo foi sempre referido sem o título e com uns parágrafos a menos ("Nota sobre 'Fotografia Subjectiva' " - ver ap: fernando-lemos-1952-galeria-de-marco) . Neste caso tratava-se não de erro ou ignorância mas de manipulação e desonestidade intelectual.




domingo, 15 de dezembro de 2013

Partidas e chegadas, Lisboa colonial c. 1964




AUTOR DESCONHECIDO, 1964 (provável)
1/6. Chegada e partidas de tropas para Angola, Lisboa, Gares Marítimas

Provas de época, gelatina e prata, 13 x13 cm

Quem será o fotógrafo desconhecido? 
Um fotógrafo oficial das Gares Marítimas? - tal como existiria um no Aeroporto de Lisboa (existia pelo menos 1 jornalista residente, o Marques Gastão, que acumulou por muito tempo com a responsabilidade das relações com a Imprensa da administração da Gulbenkian...), e era costume haver nos aeroportos internacionais, quando o trânsito ainda era escasso.
Ou um fotógrafo dos serviços militares ou policiais? Um fotógrafo interessado nas guerras coloniais? 
O uso do formato quadrado - em reportagem nos anos 60 - parece-me afastar a hipótese de se tratar de um fotojornalista.

Nem todas as fotografias são feitas nas Gares Marítimas (uma acompanha manifestantes nos Restauradores, certamente contra votações da ONU), e nem todas seguem temas da guerra colonial (uma dela regista a saída de um bacalheiro no Tejo).

As fotografias são do acervo de um sócio da Pequena Galeria e aqui reproduzem-se com péssima qualidade.

Muitos fotógrafos desconhecidos (ou anónimos) são óptimos fotógrafos.
E neste caso os documentos históricos são de especial importância.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Jornal do Barreiro e a CUF

Jornal do Barreiro, modernismo em 1954


         ....uma campanha pela "fotografia pura" na página mensal "Fotografia" dirigida por Eduardo Harrington Sena no semanário Jornal do Barreiro, e nas primeiras edições da secção "A FOTOGRAFIA DO MÊS". A página publicou-se a partir de 26 de Agosto de 1954 e foi interrompida a 18 de Julho de 1957 (...mas E.H.S. ainda viria a ser director do semanário de 24 de Janeiro de 1963 a 6 de Agosto de 1964).

Essa era a fotografia moderna, seguindo as lições formalistas vindas ainda da Nova Visão dos anos 20, que se defendia então no universo das agremiações amadoras e dos seus concursos. (No final dos anos 30, nas páginas da Objectiva, tinha havido uma outra fotografia moderna, straight, live e objectiva, mais ligada à representação dos tipos sociais talvez por via alemã, com os doutores Lacerda Nobre e Álvaro Colaço). 
O sector então mais dinâmico do salonismo, muito activo nas associações, não era pictorialista, era modernista e defendia um prudente formalismo modernista. Os textos que acompanham a "Fotografia do Mês" são particularmente elucidativos sobre os critérios de apreciação vigentes.

As primeiras "fotografias do mês"

1
Barreiro1
"Réstea", 1952?, de Victor Chagas dos Santos (Eng., Cuf), publicada a 26 de Agosto de 1954, pág. 3.

(...o assunto simples muito bem fotografado: a luz é perfeita...)
as "admissões": 1952, Coimbra, Grupo Câmara; Barreiro, G D da Cuf; Lisboa, IST
1953, Moura e Régua
1954, Porto, IIP; Setúbal.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Fernando Lemos, 1952, Galeria de Março

catálogo da Galeria de Março, Exp. 27 Dez. 1952 a 9 Jan. 1953
(ver fernando-lemos...indice)

http://alexandrepomar.typepad.com/photos/uncategorized/2008/04/22/lemos1_2.jpg Photo

OBJECTIVA, revista (1937-1945)

(1ª edição 07/15/2008 - em revisão)

Victor Palla / Costa Martins, 1958, LISBOA

04/01/2010


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

"HISTÓRIA", espécie de índice cronológico


1931
Fundação do Grémio Português de Fotografia (c/ Álvaro Colaço)



1936
exp. "Uma viagem através de Portugal", org. O Século, 1936 (A.S. pág.  246)

1937
Objectiva nº 1, 15 de Junho de 1937 (o "pequeno formato" - o 24 x 36 mm; foto de A. Lacerda Nobre)
A inauguração da Instanta, "moderna casa de artigos fotográficos", "especialistas do pequeno formato", Agosto

1941-49 - revista Panorama

1945 - fotografia e neo-realismo (supl. Arte, Aragon; António Ramos de Almeida)

1948-50 - Maria Lamas, "As Mulheres do Meu País"

1954-57 - O Jornal do Barreiro e a "Fotografia Pura" dos Salões da CUF e do 6x6
                       Harrington Sena, a "Fotografia do Mês", o Quadro da Actividade dos Amadores Nacionais (05-05-55)

António Lacerda Nobre

Apontamentos

A. Sena não indica as datas de nascimento e morte, e tb. ainda não as encontrei.
...diz que "as fotografias de A. Lacerda Nobre são uma excepção na monotonia das imagens que se publicam ou expõem nos sucessivos Salões...", pág. 253, e refere-o na exp. "Uma viagem através de Portugal", org. O Século, 1936, pág.  246. (E apenas nestes dois casos.)

Lacerda Nobre (Dr. A. Lacerda Nobre, como é quase sempre referido) é um dos mais activos fotógrafos nos 12 primeiuros números de Objectiva em 1937-38 (ano I, nºs 1 a 12, 15 de Junho 1937 a Maio de 38)
A produção posterior publicada é muito desinteressante: capa do nº 13 (1 Junho 1938), um retrato de criança; e fotos nas págs. 39 e 114, no nº 14, "Repouso na doca" e no nº 17, "Tarde no Mondego".
No nº 25, de Julho de 1941 (nº 4 da 2ª série) publica a foto de uma escultura de Manuel Mendes: um contraplongé sobre dois patos, de sentido humorístico algo intrigante.

Lacerda Nobre não comparece no I e II Salão Internacional do Grémio P.F.  (1937 e 38), mas foi em 1938 o vencedor destacado do  "I Concurso e Exposição de Estudo Fotográfico", organizado pela revista Objectiva de uma forma rigidamente "pedagógica", divulgado nos nº 14 e 15, de Julho e Agosto de 1938. Decorreu na SNBA de 16 a 24 de Julho. (Terá sido mais um fracasso para os propósitos renovadores da Objectiva). (não expõe tb a partir de 1941, tal como Alvaro Colaço)

publicado em
Images Portugaises, ed. SPN 1939 (não creditado)
Panorama, 1941 e 1942

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Publicado em IMAGES PORTUGAISES, ed. Secretariado da Propaganda Nacional, s.d. (1939), prefácio de António Ferro. in 4º, 72 p. não num.; 23 x 23 cm. Legendas em francês, "Index" em inglês. Fotógrafos não identificados, com larga presença de Horácio Novais e Mário Novais.

(ver leilão P4 de 1 de Junho e 9 de Novembro de 2006. Fotos postas à venda separadamente. Alguns dos autores são identicados nos dois catálogos.)

l'abondance des récoltes ? / le blé / quietude. ponte de Santarem


Images: "la beauté naive des poteries" - ? 
Panorama nº 4, Setembro 1941, pág. 5

Images: "l'abondance des récoltes" - ?


Images: "le blé"

 Images: "quietude. ponte de Santarem"

EM OBJECTIVA



"Escolha da sardinha" - fotografia do Ex. Sr. Dr A. Lacerda Nobre feita com "Superb Voigtlander", objectiva "Skapar" diafragmada a 5,6 - 1:100 de segundo, película "Verichrome" (filtro---" , 1935 (nº 1, capa - ou pág. 3?)

"Gradando", de A. Lacerda Nobre, nº 1, 15 de Junho de 1937, pág 13




Fotografias do Dr. Lacerda Nobre, nº5, pág. 76 e  77
Nudez, dr. A Lacerda Nobre, nº 12, Maio 1938, pág.190

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Panorama nº 4, Setembro 1941, "Feiras e Mercados", pág. 5-7. Artigo assinado por "PANORAMA" onde se propõe a realização em Lisboa da "Grande Feira do Outono", acompanhado por 14 fotos não creditadas em geral de peq. formato. No sumário indica-se a presença de fotografias de, entre outros, Dr Lacerda Nobre. Inclui a foto acima de "Images Portugaises" "la beauté naive des poteries" 

Panorama nº 7, 1942, Os telhados de Lisboa, por António Lopes Ribeiro, pág 25-27, fotos de Horácio Novais, Lacerda Nobre e Manfredo não identificadas.

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1936: exp. "Uma viagem através de Portugal", org. O Século
1938: I Concurso e Exposição de Estudo Fotográfico", org. Objectiva. SNBA de 16 a 24 de Julho (ver nº 14, de Julho de 38). 

seis fotografias nos 12 nºs iniciais de Objectiva (ano I, nºs 1 a 12, 15 de Junho 1937 a Maio de 38)(publica capas dos nºs 1 e 3, mais pp. 1, 13, 29, 76. 77 e 190) ?

capa do nº 13 (1 Junho 1938), um retrato de criança; 
fotos nas págs. 39 e 114, no nº 14:  "Repouso na doca" 
e no nº 17 "Tarde no Mondego".

No nº 25, de Julho de 1941 (nº 4 da 2ª série) escultura de Manuel Mendes: um contraplongé sobre dois patos, de sentido humorístico algo intrigante.



Fotografia e Neo-realismo (1945)



Entre as movimentações que marcam o início do movimento neo-realista nas artes plásticas portuguesas, logo em 1945, não parece haver lugar para a fotografia, pelo menos em condições de visibilidade que passem pela sua exibição ou publicação. O que não quer dizer que não tenha havido imediatos ecos de um novo contexto criativo, ou só reflexivo, também nessa área, como se comprova pela publicação de um curto texto de Aragon, "O Pintor e a Fotografia", na página semanal  "Arte" do diário A Tarde, Porto, nº 8, de 29 de Julho de 1945 - publicação onde o neo-realismo nas artes plásticas tem o seu baptismo e lançamento.
Tratava-se (como foi identificado por Emília Tavares **nº2) de um breve extracto da comunicação apresentada pelo poeta no primeiro dos debates parisienses conhecidos como “A Querela do Realismo”, em 1936, ao tempo da Frente Popular, e terá sido certamente Victor Palla - que desde muito  cedo se  interessava por fotografia - a comunicar esse texto, a que fez referência numa entrevista de 1992 (*** n. 3).

Pintor

"O novo realismo que virá, queiramo-lo ou não, verá na fotografia, não um inimigo, mas um auxiliar da pintura", diz Aragon, e é a esse texto que deverá ser associado o uso da fotografia pelos pintores neo-realistas: mesmo para os pintores que fotografaram, como Lima de Freitas (filho de um profissional com estúdio em Évora), como Cipriano Dourado e talvez Rogério Ribeiro, os documentos fotográficos são apenas auxiliares da pintura. 

O que digo é que a pintura de amanhã utilizará tanto o olho fotográfico como o olho humano. Anuncio um novo realismo na pintura, o que não tem nada a ver com o regresso a um realismo antigo” - Querelle du Réalisme, ed. Cercle d’Art, 1987, pp. 94-95 (trad. do original). Mas Louis Aragon não reduzia a fotografia à condição de documento para artistas. Defende o instantâneo, as novas possibilidades dos 35 mm e refere calorosamente o seu "amigo Cartier" (Bresson) e as fotografias que fez no México e em Espanha.

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Entretanto, um crítico identificado com o neo-realismo, António Ramos de Almeida, incluíra uma breve reflexão sobre a fotografia numa conferência proferida e publicada em 1941 que se reeditou em 1945. É um texto incipiente onde a fotografia é pensada sobre o modelo da pintura, e concretamente sobre o paradigma expressionista da verdade da deformação - contra a cópia da natureza pelo academismo tardo-naturalista, o realismo não pode ser fotográfico:

“É que a realidade da arte, embora objectiva, não pode ser fotográfica. A realidade em si mesma é amorfa. Até a fotografia para ser artística tem de focar de certa maneira artificial a realidade, isto é, o específico da arte reside num artifício e o artifício é uma maneira de deturpar a realidade com uma semelhança da realidade. E é assim porque a realidade é inapreensível na sua plena totalidade, impossível de cópia ou de pastiche. (…) O artista serve-se portanto de um artifício para representar e reproduzir a realidade (...) o pintor usa os artifícios pictóricos que, deformando a realidade, dão a visão pictórica da realidade. (...) No cinema, os artifícios são tantos e tais, que o artista consegue reproduzir a totalidade da realidade. Eis a razão do seu triunfo, da sua acessibilidade, da sua contagiante humanidade.” António Ramos de Almeida, A Arte e a Vida, "Cadernos Azuis - Literatura e Arte," ed. Livraria Latina, Porto, 1945, 2ª ed., pp 19-21.

Curiosamente, esta breve referência à fotografia (que começara, aliás, por se publicar em 1938, na revista Sol Nascente, num artigo de Ramos de Almeida sobre o romance brasileiro contemporâneo) viria a ser transcrita num destaque em caixa na página mensal “Fotografia” do Jornal do Barreiro já em 1955, a 5 de Maio, poucos dias antes da abertura da 9ª Exposição Geral de Artes Plásticas, onde houve nove expositores de fotografias. Tratar-se-ia então de contrariar o interesse pelo realismo documental que começava a acompanhar a aura da exposição “The Family of Man”, objecto de notícias e de grande expectativa desde 1954, também em Portugal. 

A transcrição devia interpretar-se na perspectiva do modernismo formalista e da fotografia "pura" - "Até a fotografia para ser artística tem de focar de certa maneira artificial a realidade, isto é, o específico da arte reside num artifício e o artifício é uma maneira de deturpar a realidade com uma semelhança da realidade". Publicava-se, por sinal, junto do quadro classificativo em que Eduardo Harrington Sena sumariava a actividade expositiva dos amadores portugueses durante o primeira ano daquela página, de que era o responsável. 
Dois textos de 1936 e 38 eram republicados em 1945 (e um deles de novo transcrito em 1955), o que ilustra quer a escassez de reflexões dedicadas à fotografia quer a quase suspensão do tempo que os anos da II Guerra constituem quanto à criação e à interpretação, mesmo se o país não a conheceu no seu território.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Artur Pastor, 1922-1999


Pouco a pouco, de vez em quando, há uma parte da história que sai da sombra. Agora, as imagens da Nazaré de um dos fotógrafos mais activos nos anos 40/60, como se vê pela biografia editada abaixo. À Nazaré dedicou Artur Pastor um livro, em 1958, com esse título, e produziu um outro intitulado Algarve, em 1962
Artur Pastor é por vezes referido depreciativamente como salonista (mas salonismo, uma forma actual de salonismo, é igualmente o que preenche as colecções julgadas muito cosmopolitas de alguns bancos provincianos ou locais - uma forma actual que virá a ser desvalorizada e esquecida como aconteceu com a produção oficial e mais admirada de outros tempos - em grande parte são também uma espécie de "activos tóxicos" de mercado especulativo). Salonismo é uma qualificação errada quando aplicada a Artur Pastor, mesmo que tenha concorrido a diversos salões, que eram o espaço predominante de exposição de fotografias durante grande parte do seu tempo de actividade.

O seu espólio, com dezenas de milhar de fotografias (50 mil espécies, não sei se provas e/ou negativos - e não é indiferente), foi adquirido em 2001 pelo Arquivo Fotográfico da CML, continuando a aguardar divulgação.
Este é o cartaz de uma exposição recém-inaugurada na Nazaré, uma terra com grandes tradições fotográficas, por ocasião da inauguração da respectiva Biblioteca Municipal:
Cartaz_ARTUR_PASTOR_A4 

fotos.sapo.pt


Dados biográficos de Artur Pastor




"Artur Pastor nasce a 1 de Maio de 1922 em Alter do Chão, no Alentejo. Em 1942, fruto da necessidade de documentar a tese de final do curso de regente agrícola, descobre o fascínio da fotografia que o há-de acompanhar até ao seu último sopro de vida a 17 de Setembro de 1999.
Após ter terminado o curso, entrega-se de alma e coração à conquista da sua nova paixão, a fotografia. Em Évora, onde vive na altura, envolve-se em inúmeros projectos fotográficos. A primeira exposição, “Motivos do Sul”, teve lugar em Faro, no ano de 1946, onde apresentou trezentos trabalhos, o que demonstra a pujança com que se lançou no mundo da fotografia. Seguem-se outras exposições em Évora e Setúbal. Paralelamente começa a apresentar trabalhos seus em publicações ilustradas, postais, selos e cartazes. Durante este período inicial da sua vida artística colabora em diversos jornais do Sul do País com artigos de opinião e de cariz literário.
No início dos anos cinquenta vai trabalhar para os serviços do Ministério da Agricultura em Montalegre. Naquela época tenta formar, em Braga <!?>, uma associação fotográfica. Em 1953 vem viver para Lisboa. Nesta cidade passa a fazer parte do Foto Clube 6x6.

Pertenceu aos quadros do Estado durante cerca de trinta anos como Engenheiro Técnico Agrário. Ao longo destes anos, foi responsável pela obtenção e organização das mais de 10 000 fotos que compõem a Fototeca da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas. Paralelamente, colaborou com outros organismos ligados à agricultura como as Juntas Nacionais do Azeite, do Vinho, das Frutas e a Federação Nacional dos Produtores de Trigo, entre outros. Com uma visão única do mundo agrícola deixou para as gerações posteriores um legado fotográfico de grande valor documental e artístico.
Pelo serviço prestado enquanto fotógrafo do Ministério da Agricultura, foi-lhe atribuído o grau de Oficial da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial (Classe do Mérito Agrícola). Registou milhares de fotografias por solicitação dos mais diversos organismos oficiais e grandes empresas, sobretudo no campo da agricultura e turismo.  Colaborou, com centenas de fotografias, em exposições oficiais e feiras, no país e no estrangeiro.

Participou em Salões Nacionais e Internacionais de Fotografia. Nos Salões Nacionais, obteve, com regularidade, os primeiros prémios. Individualmente, realizou 13 exposições fotográficas, com destaque para a que teve lugar no Palácio Foz, em 1970, com 360 trabalhos e no Palácio Galveias, em 1986, com 136 fotografias.

Publicou dois álbuns de grande formato: Nazaré Algarve, sendo da sua autoria os textos, as fotos e a paginação. Ilustrou totalmente, com motivos originais da Nazaré, o álbum de fotografia oferecido à rainha Isabel II, aquando da sua visita a Portugal. Escreveu e ilustrou a separata "A Fotografia e a Agricultura" e forneceu fotografias para o folheto "Alcobaça".
Ilustrou os livros Évora, com textos de Túlio Espanca, As Mulheres do Meu País de Maria Lamas e "A Região a Oeste da Serra dos Candeeiros ".
Em Portugal, colaborou nas publicações Panorama, Mundo Ilustrado, Agricultura, Fotografia, Revista Shell, entre outras, incluindo boletins informativos, almanaques do Alentejo e do Algarve, livros como "Guia de Braga", Portugal, Lisboa, Romantic Portugal, etc., e ainda desdobráveis de turismo, capas de livros e de discos, selos, inúmeros folhetos, agendas, boletins regionais, calendários e cartazes.
Forneceu fotografias para o National Geographic Magazine e Photography Year Book. Foi o autor português que, a convite do editor, escreveu o artigo sobre Portugal, com inclusão apenas de fotos suas, na The Focal Encyclopedia  of  Photography. Várias revistas e jornais estrangeiros dedicaram artigos relativos ao seu trabalho, tais como a Art Photography, americana, o jornal Times de Londres, ou incluíram diversas fotos, como as revistas "Photography", inglesa, a "Revue Française", as alemãs "Merian" e "Architektur & Wohnen", a "Revue Fatis", o "Photo Guide Magazine", entre outras.

O seu espólio foi adquirido, quase na sua totalidade, em 2001 pelo Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. Os arquivos fotográficos de Artur Pastor contêm largos milhares de fotografias, centenas das quais com irrecuperável valor histórico, imagens de um país perdido ou alterado, a preto e branco, diapositivos a cores, e em negativos a cores. Para além da cobertura de todas as regiões continentais e insulares do país, constam colecções de várias províncias de Espanha e Itália e das cidades de Paris e Londres.
Deixou preparada a exposição "Uma Visão Histórica e Etnográfica do País", com fotografias de Portugal a preto e branco e a cores, e outras, nomeadamente sobre Lisboa, Porto, Braga, Évora e Sintra.
Fazem parte do seu legado maquetas de livros sobre Portugal e sobre algumas regiões e cidades do nosso país, com fotografia e texto da sua autoria.
Considerado “O Domador da Rolleiflex”, utilizou, ao longo da sua vida, diversas máquinas fotográficas desde a lendária Rolleiflex de película 6x6 até à moderna Nikon de formato de 35mm. Artur Pastor foi um marco importante no panorama artístico português tendo sido carinhosa e justamente apelidado, entre os seus pares, como “O Poeta da Fotografia”."

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Informação de Artur Pastor (filho)
"O seu espólio encontra-se no Arquivo Fotogáfico da CML. São dezenas de milhares de fotografias que aguardam a sua divulgação. A exposição retrospectiva da obra  fotográfica de Artur Pastor estava pronta a ser exibida nas instalações do Arquivo na Rua da Palma. Com ampliações e textos feitos, "apenas" faltou a verba da CML para o catálogo e foi cancelada 15 dias antes."

No site do Arquivo Fotográfico de Lisboa:
Colecção Artur Pastor
Inclui todo o espólio deste fotógrafo no período de 1950 a 1998, de onde se destacam as séries sobre a Nazaré (1950), Algarve (1960), Lisboa, Évora, a recolha do Património construído de todo o país (1980) e a Expo-98. Esta colecção, adquirida em 2001, encontra-se em fase de inventariação.

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Artur Pastor e Maria Lamas


No muito vasto panorama da fotografia portuguesa da 1ª metade do século 20 (e das décadas de 30 e 40 em particular) que é o livro de Maria Lamas As Mulheres do meu País, Artur Pastor é um dos autores com participação relevante. Esta é a minha fotografia preferida.

Pastor-1
pormenor da página 399: Mulher do bairro da Barreta, Olhão...



Pastor2
Pág. 456. "Tipo de mulher doméstica do povo..., Setúbal, num bairro de pescadores".

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1954 Artur Pastor, Foto premiada no 4º salão do Grupo Desportivo da Cuf do Barreiro,  ao lado de António Paixão, Mário Camilo, Augusto Cabrita e outros.
5 de Setembro de 1955, Vidas difíceis na secção mantida por Eduardo Harrington Sena; é talvez o caso em que o apologista da "fotografia pura" mais elogia o "ambiente extraordinariamente humano" de uma imagem, sobrepondo-o à respectiva "beleza pictórica".


Artur Pastor não figura nos primeiros lugares do quadro classificativo dos amadores fotográficos publicado  a 5 de Maio de 1955.

MARIA LAMAS, 1948-50: "As Mulheres do Meu País"




Maria Lamas, Jovens trabalhadoras das minas de S. Pedro da Cova (de "As Mulheres do Meu País", pág. 372, 1948-50) © Herdeiros de Maria Lamas, Lisboa / Editorial Caminho

Uma das mais insólitas estranhezas (talvez originalidades) da fotografia portuguesa é o facto da obra fotográfica de Maria Lamas - mesmo que reduzida a um único grande livro editado em 15 fascículos ao longo de menos de dois anos, e nunca exposta no seu tempo - ter permanecido ignorada tantas décadas. É certo que não se tratava de um álbum de ilustrações mas de um longa reportagem, ou inquérito jornalístico muito ilustrado; que as condições editoriais da reprodução fotográfica não eram as melhores da época; que além das muito numerosas imagens da autoria de Maria Lamas ela própria escolheu e fez publicar outras tantas (?) imagens de fotógrafos que eram famosos ou desconhecidos por meados do século XX (esse é outro dos motivos de interesse do livro); que o activismo e o protagonismo político da autora (o exílio e os condicionalismos partidários) se sobrepuseram à apreciação da sua obra de escritora e de ocasional fotógrafa.
Ignorada na história de António Sena (1998), que permanece a única obra de referência, a produção fotográfica de Maria Lamas não costuma ser representada ou mesmo referida nas mostras monográficas que lhe foram dedicadas (Biblioteca Nacional 1993, em especial). Só com a muito cuidada reedição em fac-símile realizada pela ed. Caminho em 2002 (com reprodução das imagens a partir das provas originais, sempre que possível - graças à coordenação gráfica de José António Flores) é que o trabalho fotográfico de Maria Lamas começou a ganhar a atenção que merece. No ano seguinte, Maria Antónia Fiadeiro, numa biografia publicada pela Quetzal, aponta Maria Lamas como uma repórter fotográfica pioneira.


Maria Lamas, Jovem mãe da Castanheira, Serra da Estrela ("As Mulheres do Meu País", pág. 161, 1948-50. tb em "Au Féminin", nº 8 - prova vintage, 8 x 5 cm) © Herdeiros de Maria Lamas, Lisboa / Editorial Caminho

Quando Maria Lamas concebe e produz o livro As Mulheres do Meu País, criando uma estrutura editorial artesanal e familiar para o efeito, tinha já 53-54 anos. A relação com a fotografia seria apenas a de uma jornalista do quadro de O Século (entrou em 1929) com uma longa experiência de direcção de suplementos e revistas, e em especial do semanário feminino Modas e Bordados, entre 1930 e 1947. Nem fotógrafa profissional, nem "amadora" (no sentido habitual de aficionado ou praticante da arte fotográfica), Maria Lamas apenas por necessidade recorreu por algum tempo a um "caixote Kodak" para fazer as imagens que deveriam acompanhar o seu inquérito sobre a vida e o trabalho das mulheres portuguesas. 

Queria-as, às fotografias, "verdadeiras, expressivas, com valor documental e inéditas", conforme diz numa entrevista a O Primeiro de Janeiro (28 de Abril de 1948)"Resolvi arranjar uma máquina e ser eu, também, fotógrafa", disse em Ler - Informação Bibliográfica, Publicações Europa-América (Maio-Junho 1948). 

Um genro que trabalhava para a Kodak ensinou-lhe os rudimentos da fotografia e tratou do material trazido das deslocações pelo país. O espólio conservado pela família compreende os negativos e as provas positivas de que se escolheram as imagens reproduzidas no livro, em contactos e provas de pequeno formato que nunca houve a intenção de expor. Por vezes, revela Jorge Calado, as provas foram reenquadradas para eliminar figuras masculinas ou sujeitas a colagens para os grupos serem apenas femininos.
São circunstâncias que fornecem alguns ensinamentos sobre a realidade ambígua da fotografia e sobre os seus circuitos de reconhecimento e consagração. Por um lado, uma grande aventura fotográfica, que é também um grande obra (única no contexto português do seu tempo), pode surgir no exterior das práticas institucionalmente estabelecidas, à margem da profissão e das suas aptidões funcionais (o fotojornalismo, o retrato, a ilustração documental, reconhecidas ou não como produção artística) e também à margem da intencionalidade artística oposta aos usos funcionais, ou autónoma, que tinha à data os seus códigos associativos e rituais expositivos, identificados como amadores (mas não exclusivos destes, e os dois circuitos não são nunca estanques). Prática isolada e exercício breve no tempo (3 anos), sem aprendizagem, de intenção documental e alheia, pelo que se pode saber, à ambição da arte e dos seus circuitos, certamente sem modelos históricos ou conceptuais, a obra fotográfica de Maria Lamas é fundada num projecto próprio de inquérito e de comunicação, e também numa vontade de activismo cívico.


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Artur Pastor e Maria Lamas


No muito vasto panorama da fotografia portuguesa da 1ª metade do século 20 (e das décadas de 30 e 40 em particular) que é o livro de Maria Lamas As Mulheres do meu País, Artur Pastor é um dos autores com participação relevante. Esta é a minha fotografia preferida.

Pastor-1
pormenor da página 399: Mulher do bairro da Barreta, Olhão...



Pastor2
Pág. 456. "Tipo de mulher doméstica do povo..., Setúbal, num bairro de pescadores".


Artur Pastor, fotógrafo

Pouco a pouco, de vez em quando, há uma parte da história que sai da sombra. Agora, imagens da Nazaré de um dos fotógrafos mais activos nos anos 40/60, como se vê pela biografia editada abaixo.
Artur Pastor é por vezes referido depreciativamente como salonista, mas salonismo, uma forma actual de salonismo, é igualmente o que preenche as colecções julgadas muito cosmopolitas de alguns bancos provincianos ou locais (uma forma actual que virá a ser desvalorizada e esquecida como aconteceu com a produção oficial e mais admirada de outros tempos - em grande parte são também uma espécie de "activos tóxicos" de mercado especulativo). Mas salonismo é uma qualificação errada quando aplicada a Artur Pastor, mesmo que tenha concorrido a diversos salões, que eram o espaço predominante de exposição de fotografias durante grande parte do seu tempo de actividade.

O seu espólio, com dezenas de milhares de fotografias (50 mil espécies, não sei se provas e/ou negativos - e não é indiferente), foi adquirido em 2001 pelo Arquivo Fotográfico da CML, continuando a aguardar divulgação.
Este é o cartaz de uma exposição recém-inaugurada na Nazaré, uma terra com grandes tradições fotográficas, por ocasião da inauguração da respectiva Biblioteca Municipal:
Cartaz_ARTUR_PASTOR_A4 

fotos.sapo.pt


Dados biográficos de Artur Pastor


"Artur Pastor nasce a 1 de Maio de 1922 em Alter do Chão, no Alentejo. Em 1942, fruto da necessidade de documentar a tese de final do curso de regente agrícola, descobre o fascínio da fotografia que o há-de acompanhar até ao seu último sopro de vida a 17 de Setembro de 1999.
Após ter terminado o curso, entrega-se de alma e coração à conquista da sua nova paixão, a fotografia. Em Évora, onde vive na altura, envolve-se em inúmeros projectos fotográficos. A primeira exposição, “Motivos do Sul”, teve lugar em Faro, no ano de 1946, onde apresentou trezentos trabalhos, o que demonstra a pujança com que se lançou no mundo da fotografia. Seguem-se outras exposições em Évora e Setúbal. Paralelamente começa a apresentar trabalhos seus em publicações ilustradas, postais, selos e cartazes. Durante este período inicial da sua vida artística colabora em diversos jornais do Sul do País com artigos de opinião e de cariz literário.
No início dos anos cinquenta vai trabalhar para os serviços do Ministério da Agricultura em Montalegre. Naquela época tenta formar, em Braga, uma associação fotográfica. Em 1953 vem viver para Lisboa. Nesta cidade passa a fazer parte do Foto Clube 6x6.

Pertenceu aos quadros do Estado durante cerca de trinta anos como Engenheiro Técnico Agrário. Ao longo destes anos, foi responsável pela obtenção e organização das mais de 10 000 fotos que compõem a Fototeca da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas. Paralelamente, colaborou com outros organismos ligados à agricultura como as Juntas Nacionais do Azeite, do Vinho, das Frutas e a Federação Nacional dos Produtores de Trigo, entre outros. Com uma visão única do mundo agrícola deixou para as gerações posteriores um legado fotográfico de grande valor documental e artístico.
Pelo serviço prestado enquanto fotógrafo do Ministério da Agricultura, foi-lhe atribuído o grau de Oficial da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial (Classe do Mérito Agrícola). Registou milhares de fotografias por solicitação dos mais diversos organismos oficiais e grandes empresas, sobretudo no campo da agricultura e turismo.  Colaborou, com centenas de fotografias, em exposições oficiais e feiras, no país e no estrangeiro.

Participou em Salões Nacionais e Internacionais de Fotografia. Nos Salões Nacionais, obteve, com regularidade, os primeiros prémios. Individualmente, realizou 13 exposições fotográficas, com destaque para a que teve lugar no Palácio Foz, em 1970, com 360 trabalhos e no Palácio Galveias, em 1986, com 136 fotografias.
Publicou dois álbuns de grande formato: Nazaré Algarve, sendo da sua autoria os textos, as fotos e a paginação. Ilustrou totalmente, com motivos originais da Nazaré, o álbum de fotografia oferecido à rainha Isabel II, aquando da sua visita a Portugal. Escreveu e ilustrou a separata "A Fotografia e a Agricultura" e forneceu fotografias para o folheto "Alcobaça".
Ilustrou os livros Évora, com textos de Túlio Espanca, As Mulheres do Meu País de Maria Lamas e "A Região a Oeste da Serra dos Candeeiros ".
Em Portugal, colaborou nas publicações Panorama, Mundo Ilustrado, "Agricultura", "Fotografia", "Revista Shell", entre outras, incluindo boletins informativos, almanaques do Alentejo e do Algarve, livros como "Guia de Braga", "Portugal", "Lisboa", "Romantic Portugal", etc., e ainda desdobráveis de turismo, capas de livros e de discos, selos, inúmeros folhetos, agendas, boletins regionais, calendários e cartazes.
Forneceu fotografias para o "National Geographic Magazine" e "Photography Year Book". Foi o autor português que, a convite do editor, escreveu o artigo sobre Portugal, com inclusão apenas de fotos suas, na "The Focal Encyclopedia  of  Photography". Várias revistas e jornais estrangeiros dedicaram artigos relativos ao seu trabalho, tais como a "Art Photography", americana, o jornal "Times" de Londres, ou incluíram diversas fotos, como as revistas "Photography", inglesa, a "Revue Française", as alemãs "Merian" e "Architektur & Wohnen", a "Revue Fatis", o "Photo Guide Magazine", entre outras.

O seu espólio foi adquirido, quase na sua totalidade, em 2001 pelo Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. Os arquivos fotográficos de Artur Pastor contêm largos milhares de fotografias, centenas das quais com irrecuperável valor histórico, imagens de um país perdido ou alterado, a preto e branco, diapositivos a cores, e em negativos a cores. Para além da cobertura de todas as regiões continentais e insulares do país, constam colecções de várias províncias de Espanha e Itália e das cidades de Paris e Londres.
Deixou preparada a exposição "Uma Visão Histórica e Etnográfica do País", com fotografias de Portugal a preto e branco e a cores, e outras, nomeadamente sobre Lisboa, Porto, Braga, Évora e Sintra.
Fazem parte do seu legado maquetas de livros sobre Portugal e sobre algumas regiões e cidades do nosso país, com fotografia e texto da sua autoria.
Considerado “O Domador da Rolleiflex”, utilizou, ao longo da sua vida, diversas máquinas fotográficas desde a lendária Rolleiflex de película 6x6 até à moderna Nikon de formato de 35mm. Artur Pastor foi um marco importante no panorama artístico português tendo sido carinhosa e justamente apelidado, entre os seus pares, como “ O Poeta da Fotografia”."

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Informação de Artur Pastor (filho)
"O seu espólio encontra-se no Arquivo Fotogáfico da CML. São dezenas de milhares de fotografias que aguardam a sua divulgação. A exposição retrospectiva da obra  fotográfica de Artur Pastor estava pronta a ser exibida nas instalações do Arquivo na Rua da Palma. Com ampliações e textos feitos "apenas" faltou a verba da CML para o catálogo e foi cancelada 15 dias antes."

No site do Arquivo Fotográfico de Lisboa:
Colecção Artur Pastor
Inclui todo o espólio deste fotógrafo no período de 1950 a 1998, de onde se destacam as séries sobre a Nazaré (1950), Algarve (1960), Lisboa, Évora, a recolha do Património construído de todo o país (1980) e a Expo-98. Esta colecção, adquirida em 2001, encontra-se em fase de inventariação.

PANORAMA, revista (1941 - 1949, 1ª série)


Apontamentos de 8 Dez 2013 / Ver 7 Jan. 2018 (revisão)
... Existe também a luxuosa revista Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo, onde a fotografia, na condição de ilustração fotográfica, tem um lugar respeitado e prestigioso, a acompanhar a representação alargada dos artistas modernos oficializados por António Ferro e a presença patrimonial da história da arte e da museologia. "A fase polémica do modernismo já lá vai" escrevia C.Q. (Carlos Queiroz) no nº de Fevereiro de 1944 (nº 19, vol. 4º, edição Secretariado da Propaganda Nacional) na notícia muito ilustrada da 8ª Exposição de Arte Moderna no SPN, onde os surrealistas estão representados por Cândido Costa Pinto, António Dacosta e António Pedro. Logo a seguir, mostravam-se "3 aspectos da casa do pintor António Pedro".
Panorama é essencial para perceber como é complexa e abrangentemente moderna a ordem estabelecida, ou a sua cúpula cultural, ou apenas uma espécie de fachada artística onde se arbitra a moda e o bom gosto num país que escapava às devastações da guerra (e que lucra com ela) - não há vestígios do conflito mundial nem, aliás, de quaisquer outras tensões, nos números de 1944, 45, 46...  Quando se faz referência a "uma hora revolucionária", no nº do Natal de 1944 (nº 22, já editado pelo Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular - S.N.I.C.P.), é para qualificar "esta fase da vida turística em Portugal".
Bernardo Marques (director artístico não creditado), Ofélia Marques, Carlos Botelho, Thomas de Mello (Tom), Estrela Faria, Almada Negreiros são presenças regulares, mas também comparecem Manuel Ribeiro de Pavia (futuro ilustrador de neo-realistas), Eduardo Anahory, Diogo de Macedo (modernista histórico, então director do Museu Nacional de Arte Contemporânea, que então reabre muito remodelado - nº 24 de 1944), Cândido, Dacosta (este no nº especial 25-26 de 1945 sobre touros), Júlio Resende (nº 27, 1946), etc. 
Na fotografia - retratos, monumentos, paisagens, obras de arte, etc - os mais constantes são Mário e Horácio Novais (igualmente os melhores), ao lado de Fernando Vicente, o mesmo Tom, Manfredo (?), João Martins, sempre referidos na página do sumário e junto às imagens (de facto, o reconhecimento da profissão e da fotografia não é um facto recente). Também se publicam Alvão e a Foto Beleza quando necessário, ou um amador como Adriano Lopes Vieira, de Cortes, Leiria, irmão do poeta que também foi um interessante fotógrafo.
No nº 21, Junho de 1944, refere-se a exposição individual de Constantino Varela Cid no Estúdio do SPN, e anunciam-se futuras reproduções que não serão publicadas.
Se o 8º e o 9º Salões de Arte Moderna do SPN/SNI são objecto de várias páginas, o mesmo acontece "A propósito do 9º Salão de Arte Fotográfica" no nº 29, de 1946. O título do breve texto de Américo Nogueira (?) continua na afirmação "A fotografia é uma arte" ... "na medida em que o fotógrafo é artista", defende depois o autor (a acção mecânica não é argumento, porque pode usar-se o melhor equipamento e fazer más fotografias, ou vice-versa). As imagens são de Maria Luisa Viana Jorge, Eduardo Portugal (este um profissional ausente do Salão), Henri Albert (2 de um belga residente em Lisboa), A. Santos André e Álvaro Valente - todas elas fotos directas de paisagem, sóbrias, sem artifícios. Entre esta fotografia artística, em geral de amadores, e a arte dos profissionais da fotografia, que pouco frequentam os salões, existe uma fronteira invisível, e indizível.
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"O 'F-3340'", Maria Luiza Huet Viana Jorge (catálogo do 9º Salão, 1946)

A edição mais surpreendente do Panorama desses anos (a 1ª série vai de 1941 a 1949, até à demissão de Ferro) é talvez a que assinala a morte de Duarte Pacheco, homenageado por Ferro e por Cotinelli Telmo, retratado por Mário Novais, sendo a sua acção documentada por obras de muitos arquitectos e artistas modernos (Pardal Monteiro, Keil do Amaral, Maria Keil, etc.) - é o nº 19, Fev. 1944.

Entretanto, as páginas de publicidade não são menos significativas que as outras, com o seu grafismo  elegante e moderno. Aí se referem (Natal de 1944) outras publicações relevantes do regime como O Mundo Português - Revista Colonial de Arte e Literatura, com páginas de "fotografias de arte, etnografia e iconografia", edição da Agência Geral das Colónias e do S.N.I.C.P., com 130 nºs publicados, então dirigida por Augusto Cunha; ou Atlântico - Revista Luso-brasileira de Cultura e Literatura, 5 nºs publicados, edição S.N.I.C.P. e do Departamento de Imprensa e Propaganda do Brasil. Todas elas têm morada em S. Pedro de Alcântara.

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actualização
Adelino Lyon de Castro publicado na Panorama: 1. Uma fotografia de Lyon de Castro tinha sido publicada no nº 39 da revista "Panorama", em 1949 (1ª série). Um "Número dedicado à província", onde Artur Pastor e Tom (Thomaz de Mello) estão muito presentes.. Com uma legenda onde se expressava uma especial deferência.
2. A fotografia de Adelino Lyon de Castro que obteve o 1º Prémio no Salão de Arte Fotográfica Panorama foi reproduzida em "Panorama - Revista portuguesa de Arte e Turismo", II Série, nº 4, 1952; ed. Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo; director Luís Ribeiro Soares. Extra-texto (não paginado).

sábado, 7 de dezembro de 2013

O neo-realismo na fotografia portuguesa, 1945 – 1963

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Pedro Lobo, conversa n'A Pequena Galeria

Depois de Jorge Calado, depois de duas conversas sobre livros de fotografia (sobre photobooks), a primeira com Filipe Casaca, e também Martim Ramos, Pedro dos Reis e António Proença de Carvalho, a segunda de novo com Jorge Calado, depois de Mauro Pinto, foi Pedro Lobo (Rio de Janeiro, 1954) o protagonista de mais uma conversa na Pequena Galeria.



Nas caixas estão fotografias das séries São Paulo, Espaços aprisionados (prisões do Brasil e Colômbia), Favelas: Arquitectura de sobrevivência (existe ed. Blurb), e noutra ainda imagens inéditas de novos e diferentes itinerários em Portugal. De que se verão algumas provas num próximo Salão/colectiva da PG.

As Favelas foram expostas (em Portugal) numa individual da Galeria 3+1 (Nov./Dez., Lisboa) e antes em mostras nos Museus de Estremoz e Beja, e ainda em Portalegre (em 2009). (Há pequenos catálogos dos dois museus e auto-edição Blurb)

(Sobre Favelas, Pedro Lobo, cat. Estremoz)
“Já faz bastante tempo que tenho utilizado a fotografia de arquitectura como um meio de tecer comentários a respeito das pessoas que vivem e ocupam estes espaços. A princípio, fotografei as favelas da cidade do Rio de Janeiro com o objectivo de mostrar a luta pela dignidade, apesar de todas as dificuldades, destas pessoas que não tem outra escolha a não ser viver nestas comunidades excluídas. A maior parte das pessoas de classe média nunca entrou em uma favela e não tem a menor ideia a respeito do universo paralelo existente nestes lugares.

A exclusão é a força criadora de um universo paralelo nas favelas: poder paralelo, economia paralela, sociedade paralela, vidas paralelas. A cidade expõe suas feridas abertas, permanentes, paralelas e, no terceiro mundo, decorrentes do idealizado no passado pelos que excluíram parcelas significativas da população.
Eu fotografo estas construções da mesma maneira que fotografaria monumentos ou residências privilegiadas. Construo estas imagens com geometria, composição e estrutura cuidadosamente planejadas buscando um resultado formal contemporâneo que inclui referências históricas da arte e, em especial da fotografia.
“Quem não entra não sabe”
As favelas do Rio de Janeiro expandem os limites da compreensão: estatísticas e de cidade, confinadas em área reduzidas, com pouca ou quase nenhuma infra-estrutura urbana. Quem não mora lá não sabe direito o que é uma favela carioca. Quero fazer com que todos entrem em uma favela e, como eu, aprendam um pouco mais sobre estas pessoas e suas condições de vida.
Estas imagens reflectem a responsabilidade com a qual lido em meu trabalho. Estas imagens não são a respeito de pobreza ou miséria, mas sim sobre seres humanos que se encontram, em situações extremamente adversas e, que apesar de tudo, decidiram não abandonar a luta por uma existência digna.”


Com imagens de Favelas

(A dignidade e a geometria das favelas. Por Pedro Lobo) 




(continua)

Mais uma vez o turbocomissário Mah

Deixei no blog Photosíntese, do Luís Pereira, um comentário sobre mais uma proeza do nosso inevitável Sérgio Mah, que depois de atraiçoar o Sena da Silva veio desbaratar a importância de um dos grandes livros fotográficos portugueses, na exposição "Território Comum - Imagens do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa, 1955-1957", inaugurada a 2 de novembro, na Galeria Municipal de Almada.




Seria oportuno questionar o critério usado na produção desta exposição, para além do mérito de ter proporcionado a digitalização dos negativos oriundos do Inquérito e pertencentes à Ordem dos Arquitectos, assegurando a respectiva conservação.
Em vez de uma exposição sobre o Inquérito e sobre o livro ARQUITECTURA POPULAR PORTUGUESA, edição de 1961 do Sindicato Nacional dos Arquitectos em dois volumes (note-se que o turbocomissário Sérgio Mah fala do "livro em três volumes", o que é uma prova flagrante do seu trabalho (?) descuidado), tivemos direito a uma produção de 100 inéditos, desacompanhados da retaguarda documental que o tema exigiria.
A respectiva impressão em formato quadrado do negativo integral tira partido do processo digital para atenuar contrastes e optar por valores médios, numa uniformidade cinzenta que expçora por igual zonas de luz e de sombra - é uma opção tecnicamente correcta mas destituída de interesse fotográfico. 
 
Importaria antes dar a ver o Inquérito, o livro e a sua história, as suas fotografias (as opções de publicação, os contactos e uma selecção de reimpressões actuais fiéis ao material e aos processos da época). Antes de se mostrarem as fotografias rejeitadas ou não utilizadas, deveriam ver-se as fotografias escolhidas. Produzir inéditos póstumos é uma das taras dos comissários nacionais, que lhes permite facturarem mais rapidamente e sentirem-se "criadores". Aliás, tudo aquilo em que o Mah toca sai mau, como aconteceu recentemente com a pseudo-retrospectiva do Sena da Silva. O press-release diz que o resultado é arrebatador, mas é só publicidade paga. Caro L.P., obrigado por deixar registados estes documentos relevantes para se apreciar o estado da fotografia e da Universidade em P, e desculpe a intromissão agreste.

Mais:

Seria oportuno identificar os arquitectos que foram também fotógrafos expositores, como Keil do Amaral (em duas edições das Exposições Gerais e postumamente em 1999) e muito mais tarde (2004) Nuno Teotónio Pereira (e haverá outros...). Do acervo da OA não constam as imagens produzidas por António Menéres, arq. do Porto, que tem realizado diversas exposições.

Até 11 de janeiro de 2014, continuando depois em itinerância (a seguir ao Porto e Coimbra), com apoio à produção da Fundação EDP.