domingo, 22 de janeiro de 2023

2023, Mário Teixeira da Silva (na morte de...), Módulo, 1975-2023, e "A Colecção desviada" do Chiado para Serralves

Na morte do Mário Teixeira da Silva
E o desvio da sua colecção, que tinha sido prometida em doação ao Museu do Chiado, é também aqui tratado: desfalcada de obras de maior valor parece ter sido posta em depósito em Serralves.

O fisco e o Estado podiam ter actuado, mas ficaram imóveis


 Brígida Mendes


22 01 23 

Sobre a Módulo escrevi uma vez (em 2016), dirigindo-me directamente a um director-comissário-burocrata sempre em pé:  

“já alguma vez pôs os pés na Módulo? 

É a galeria que tem apresentado o maior número de fotógrafos e muitos dos melhores (mais tarde passados a outras galerias, como Paulo Nozolino e António Júlio Duarte). Actualmente conta entre os seus artistas com Ana Telhado, Brígida Mendes, David Infante, Mafalda Marques Correia, Tito Mouraz e Virgilio Ferreira; todos eles expõem fotografias - a descoberta de talentos é uma das marcas do Mário Teixeira da Silva, galerista há muitas décadas e também coleccionador. Nenhum deles está presente na BF 16 Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, e não será por acaso. Podemos ver que também nenhum deles foi incluído numa espécie de catálogo chamado "Fotografia. Modo de Usar", que foi editado por Delfim Sardo para o Novo Banco (ed. Documenta) em 2015.

Estas iniciativas orientam-se pelo facciosismo, pela lógica da exclusão, pelo princípio da construção de clientelas, pela demarcação de um sistema galerístico-institucional "curatorial", gerido por um pequeno grupo inter-relacionado (crítico/curadores e galerias). Não põem em geral os pés nas exposições (excepto nas inaugurações das galerias de que dependem ou que fazem depender da sua influência) e escolhem por razões ínvias e de favor, de poder ± corrupto ou suspeito; escolhem em geral não os melhores mas aqueles que não fazem sombra aos seus protegidos dilectos. Estão agora na universidade a fazer e distribuir doutoramentos foleiros, ocupam ou ocuparam lugares em direcções de museus ou centros de arte (lugares que exercem como curadores e não como directores-gestores) e circulam entre posições de poder - voltam sempre à tona, mesmo depois de afastados por algum acidente mais grave. Não é fácil exterminá-los." 

O Mário não era "consensual" nem fácil, e desagradáva-me a rotação de nomes, entre outras coisas... Mas convém agora lembrar que, até saírem da Módulo, os seus artistas ficavam fora das selecções, das compras institucionais e dos prémios. 

Agora vão todos passar por cima disso nas prosas de circunstância.

<Fiquei mt impressionado com a morte do Mário, que além do + tinha ± a minha idade, mas é muito o que recordo>



O Mário apresentando a sua colecção na Pequena Galeria em 2014




22 01 23 

E ainda (coisas antigas): A Galeria Módulo  - aliás, o Módulo, Centro Difusor de Artes, fundado e dirigido por Mário Teixeira da Silva - abriu no Porto em 1975 (com uma exp. de Paula Rego) - e em 1979 estendeu-se a Lisboa. Logo no 1º ano fez uma mostra de 3 fotógrafos norte-americanos e em 1976 expôs obras fotográficas de Helena Almeida. Ainda nessa década apresentou Hamish Fulton, Gilbert & George, Jochen Gerz, Fernando Calhau e Julião Sarmento.

Nos anos seguintes (continuando a usar indicações de Filipa Valladares no cat. Casa de Luz, ed. FotoColectanea 2004), expôs Paulo Nozolino, Jorge Molder, Elliot Erwitt, Bernard Faucon, Bruce Charlesworth e Larry Fink, entre outros.

Seguem-se Axel Hütte, 1991; e depois Mário Cravo Neto, Frank Thiel. Nan Goldin em 1994 numa colectiva, James Welling em 1995 e outra colectiva com Cindy Sherman, Tony Oursler e Richard Prince. A seguir, anos 2000, Vick Muniz e Miguel Rio Branco. Já nos anos 2000, Rosângela Rennó, Beat Streuli e Candida Höfer, e tb António Júlio Duarte, José Luís Neto, Duarte Amaral Neto....


Gervásio na Modulo em 2013

23 01 23 

Nunca percebi a orientação ou, melhor, não ia percebendo o gosto do Mário, apesar de conversarmos mt qd acontecia ir à galeria, regularmente 1º (no 4º ou 5º andar da AAAguiar, e em especial já no "Casal Ventoso" - tb ia ao Porto, Av da Boavista), esporadicamente depois, qd ele mudava velozmente de escolhas e se virava para maneirismos oficinais q menos me interessavam. Demasiada colagem à rotação das modas e a actualidades estrangeiras ocasionais ou em voga (por ex. Sylvie Fleury, Wim Delvoye, Alan Mc Collum, oportunidades, mas mostrou tb Kiki Smith e David Tremlett, entre outros), demasiada contradição entre escolhas, demasiados abandonos de artistas que mostrara (em especial lamento a ausência do José Miguel Gervásio, que mostrou em 2010 e 2014 e em colectivas, cujo trabalho posterior me parece impor-se, desleixado pelo circuito mundano-oficial), numa espécie de toca e foge instável e incompreensível. 

O desinteresse pela informação digital, ou incapacidade de a usar, por economia, e a perda de acesso à imprensa, que o boicotava; a insistência nos preços mt baixos com a rectaguarda segura dos seus clientes regulares; a recusa de obras/artistas maiores que já não seriam "descobertas" suas (artistas já "rodados" dizia); a hostilidade ou exclusão por parte do circuito institucional... são alguns tópicos de conversa, já tardia.

Seria curioso comparar o Mário / Módulo  com o Luís Serpa / Cómicos (antes de usar o nome próprio), ambos desaparecidos, este último  por mt tempo bem encostado à SEC dp do Depois do Modernismo, tão oficial como a Alternativa Zero, em habilidosas mutações. Marcaram ambos os anos 80 e 90, antes de surgirem novos negócios chegados aos coleccionantes próximos do "poder" da banca e do estado, o q se tornou a mm coisa; ou compradores compulsivos de coisas baratas dos "novos". E importaria ver como foi ostracizado pelos circuitos oficiais, o q tb decorreria do seu idiossincrático "regime". 

Agora todos lamentam a morte, no habitual jogo das hipocrisias.  O velório decorre amanhã dia 24 das 11h às 16h no Centro Funerario de  Santa Joana Princesa (Servilusa) seguindo para o cemiterio dos Olivais.

1. Como é que o Mário desacompanhou (por exemplo ou em especial) o José Miguel Gervásio ? (os melhores ficam de fora pq desorganizam o sistema). Foto no atelier, depois da exp. no Museu de Évora.

2. O que sucederá à sua colecção, mostrada no Museu do Chiado com comissariado de Adelaide Duarte e com catálogo ainda em preparação (depois de se apresentar a parte da fotografia em Barcelona, na Fotocolectanea, em 2014, Casa de Luz, com catálogo). #marioteixeiradasilva #mariodomodulo







BEATRIZ MILHAZES E PAULA REGO




25 01 23 

Ainda Mario Teixeira da Silva, que fundou e dirigiu desde 1975, então no Porto, a galeria Módulo ou o Módulo Centro Difusor de Arte, como quis chamar-lhe, e que morreu subitamente no domingo, vítima de complicações de uma diabetes sempre mal tratada. 

O Mário apresentara em 2022 a sua colecção no Museu do Chiado (ou MNAC), sob o título talvez premonitório "Não sei se posso desejar-lhe um feliz ano", sob o comissariado de Adelaide Duarte. Reunira-a ao longo dos anos da sua actividade de galerista, somando obras que tinha exposto ou que adquirira noutras galerias e em leilões, contando também com obras significativas de artistas estrangeiros, obras de arte "tribal" e outras - aguarda-se ainda a publicação do respectivo catálogo. 

Soube agora que decidira doar essa mesma colecção, que conta com mais de 500 obras, em geral de grande qualidade, ao mesmo Museu do Chiado, após a sua morte, e que deixou esse propósito firmado em documentos que se encontravam prestes a ser definitivamente formalizados, aguardando-se o cumprimento da sua vontade. 

Algumas obras, fotografadas no Chiado, servem de apresentação da colecção Beatriz Milhazes, Paula Rego, fotografias (que tinham já sido objecto de uma exposição em Barcelona: Casa de luz, em 2005, com catálogo da Fundação FotoColectania), Pousão, Aurélia de Sousa, Silva Porto, Antonio Carneiro e outros.


A história da arte em Portugal deveria abrir um espaço também académico para, ao lado dos habituais silêncios e hagiografias (e erros factuais), inquirir carreiras, realidades, êxitos e sombras. O que foram ou são as galerias reconhecidas com notoriedade e influência devia ser um terreno de investigação e memória; as situações profissionais paralelas dos artistas e galeristas, bem como as relações de privilégio institucional, são uma zona oculta. Ao lado dos caso da Módulo de Mário Teixeira da Silva, como "descobridor de talentos", haveria que recordar a 111 de Manuel de Brito, nomeadamente como retaguarda  local de artistas internacionais; a Cristina Guerra como candidata a líder do mercado ligada a Julião Sarmento, João Rendeiro e os Amigos do Chiado; a Cómicos / Luís Serpa vinda do Depois do Modernismo e da cumplicidade dos artistas da SEC/DGA; a Nazoni e a Atlântica, galerias dos anos 90 perdidas em vertigens bancárias e no final na circulação de falsos; e noutro pólo do mercado do luxo, a Cordeiros no Porto com o seu andar de marfins e pratas, com as tardes sociais de sábado, até ao descalabro do negócio. Gonçalo Pena começou uma boa história no catálogo de uma antologia dos anos 60, mas ficou sem continuidade.

No caso do Mário, que foi professor do ensino secundário até à reforma, a par de galerista, inquieta-me que a colecção apareça de facto sobreposta à actividade corrente da Módulo, desviando o que teria de ser o investimento na divulgação dos artistas: que catálogos e livros produziu ou apoiou o Mário? A proverbial austeridade ou avareza tinha um lado por muito tempo oculto: a colecção, e esperava-se mais de um galerista.

E se a descoberta de novos artistas e artistas novos foi uma constante até final, isso significava uma permanente rotação de nomes, abandonando os seus artistas por razões inconsequentes (mas era um galerista exigente e culto) ou fazendo-os abandonar por questões de preços, ou só de trocos - os preços baixos eram uma marca da casa, para o bem e para o mal, assegurando assim as compras regulares de um grupo de fieis. O papel de divulgador, nomeadamente na área da fotografia, prejudicava a continuidade, a consolidação dos seus artistas e, por isso, a verdade do mercado. 

Por outro lado, ou não, apesar dos muitos elogios que se lhe fazem, a Módulo não era um local acompanhado pelas compras institucionais, ou era mesmo hostilizado, e são numerosos os casos em que as aquisições dos museus e fundações começavam depois dos artistas deixarem a Módulo. Esse era um dos temas das nossas conversas, e o Mário era o galerista com que eu mais conversava.





A COLECÇÂO DESVIADA

24 05 2023 
Conteúdo partilhado com: Público

A família de Mário Teixeira da Silva decidiu não cumprir a sua intenção de doar a respectiva colecção ao Museu do Chiado, contrariando o que o próprio repetidamente anunciara e o que estava praticamente formalizado em documentos que ficaram à sua morte por assinar - como, aliás, referi aqui por ocasião do funeral.
A família, ou melhor a sua herdeira, a irmã, confirmara de início, junto do Museu, a vontade de cumprir o desígnio do galerista da Módulo e mais tarde mudou de comportamento, segundo se soube hoje no lançamento do catálogo da colecção que em 2022 o Chiado/MNAC apresentou. Estão em jogo valores avultados, para além da importância estética das obras coleccionadas, mas os bens imobiliários deixados pelo Mário deveriam ser suficientes para tranquilizar a herdeira.
O assunto é triste, ou grave, e deverá ter continuação e debate público. #ColeccaoModulo

25 05 23
Não sei se a recusa de cumprir a vontade do Mário Teixeira da Silva por parte da sua herdeira é irreversível ou negociável. A srª, presente no Museu do Chiado durante o lançamento do catálogo da colecção aí exposta há um ano, não se pronunciou quando tal foi revelado ou quando argumentei publicamente que a questão da herança deve ser abordada com atenção e firmeza pelo Estado.
Existe uma herança de que fazem parte obras de arte valiosas que têm de ser comunicadas para efeito de Imposto de Selo (para além dos bens imobiliários). Pinturas de Beatriz Milhazes e de Paula Rego podem corresponder a valores da ordem do milhão de euros e de talvez 500/800 mil euros, e não podem ser negociadas por baixo da porta. O que significa a existência de impostos relevantes e a hipótese de os mesmos serem pagos através de uma Dação - segundo o advogado que acompanhou a intenção e os documentos relativos à doação das obras ao Chiado, por morte do coleccionador-galerista (e que não quis pronunciar-se agora sobre a situação presente), a hipótese de Dação com o pagamento de impostos tem de ser colocada pelo herdeiro e não pode ser imposta pelo Estado.
Sucede que o Museu do Chiado/MNAC não tem autonomia para intervir nesta situação, devendo o caso ser acompanhado ao nível do Ministério da Cultura. Mas o MC estará atento e interessado em intervir, ou deixa correr, perdendo assim a recepção (parcial?) de uma importante colecção? Estará o MC atento à declaração de Imposto de Selo (já não há imposto sucessório) e aos pagamentos devidos pelas obras de arte e pelos bens imobiliários, que são também significativos?
Se o incumprimento de uma anunciada intenção do Mário, que foira expressa em público e preparada juridicamente até à assinatura dos documentos exigidos, não pode ser legalmente contrariada pelo Estado, o acompanhamento rigoroso da situação fiscal da herança pode propiciar a recuperação negociada e pelo menos parcial por via de uma Dação. O MC deve intervir em colaboração com o Ministério das Finanças - e a sorte de outras colecções como as do BPP, BPN, Rendeiro e Oliveira Cruz pode, apesar das diferenças, servir de exemplo.#colecçãomódulo

06 10 23
"Uma das jóias da coleção Mário Teixeira da Silva, aparece à venda na Philips de Londres. Começará a dispersar-se uma coleção que o colecionador queria una?" - escreve o Alberto José Caetano no Instagram.


Comento: Para além do mais, isto acontece à margem da lei sobre heranças: as obras valiosas foram comunicadas para Imposto de selo? E tinham de ser declaradas e pagar impostos por se tratar de herança entre irmãos. Comuniquei em tempo o caso ao MC, indirectamente, mas certamente nada se fez.
E havia também ou há ainda oportunidade de recuperar algumas obras como Dação sobre impostos...
Os intervenientes próximos no processo da doação da colecção MTS ao Museu do Chiado preferiram, à data da morte do Mário, não fazer o respectivo anúncio público, embora toda a papelada estivesse tratada e assente, faltando apenas assinar. Optaram pela descrição, confiando numa declaração da irmã que confirmava a doação, o que foi um erro táctico.
Só muito mais tarde e também discretamente (num colóquio no Museu) vieram divulgar a recusa da senhora. Era tarde demais


28 de novembro de 2024


Estava destinada ao Museu do Chiado a colecção do Mário Teixeira da Silva e afinal foi para Serralves. Era doação e ficou depósito, o que deixa incerto o futuro. Algumas obras mais valiosas foram entretanto vendidas. 

É uma história feia, (des)graças de uma irmã que não se interessa por arte e não era próxima do Mário. Havia também casas (Lisboa, Tróia, tx a galeria e património familiar. 

Se o Estado se tivesse mexido poderia ter havido uma dação em pagamento de impostos (e a taxa entre irmãos é muito alta: as obras de arte mais caras tb deviam ser declaradas: inércia ou incapacidades)





sábado, 14 de janeiro de 2023

Fátima Mendonça, 2023, Galeria 111

Fátima Mendonça, "Diário - Dias Incertos", na Galeria 111 desde dia 14 janeiro

Pode ver-se como um vocabulário, construído a partir de temas e figuras que foram surgindo ao longo da obra da Fátima, mas também apontando novas ideias, comentando factos que estavam entretanto a acontecer. Um vocabulário que seria acessível a todas as mãos, como que espontâneo, se não fosse ele pessoalíssimo, mas que assim mesmo é exemplo de uma possibilidade oferecida a todos, pelo menos a quem for capaz de abertamente falar de si, de desenhar-se, de expor-se e de observar à sua volta. Um vocabulário íntimo.
Essa abertura ao que é intimo, directamente íntimo (sem censura?) é aqui essencial e é rara: a produção de arte recobre-se em geral com citações, discursos à margem, estilos comuns, informações aprendidas e evidenciadas, “teorias”. Aqui a arte e a vida reúnem-se sem véus e dispensam doutrinas, mas não é impossível procurá-las.
De um diário se trata, como diz logo o título, surgido em tempo de pandemia e reclusão, "dias incertos" pois, divulgado à medida que os dias passavam, usando o Facebook como pista livre de comunicação e exposição, sem que desenho a desenho houvesse à partida um projecto de apresentação pública, que é habitualmente, no caso da Fátima, construído à volta de um programa, ou tema central, de uma ideia ou configuração visual a explorar. Os desenhos (pinturas sobre papel em pastel seco e pastel de óleo) foram uma necessidade, foram uma oferta livre (libertária) de comunicação interpessoal, e encontraram uma procura que os faz apresentar agora reunidos, com sucesso.
É um diário aleatório, nos assuntos referidos, ora retomados ora inéditos, e também na sua expressão gráfica, umas vezes em desenho linear e figura recortada, outras vezes com a folha preenchida, carregada, insistentemente percorrida, com fúria, com zanga?, quando o assunto é mais dramático, como tensão pessoal ou cena de guerra.
Um puzzle, ideia que a montagem irregularmente bem distribuída contempla. Os desenhos não constroem uma figura unificável nem se arrumam numa história a descobrir. São um retrato, feito de retratos e auto-retratos múltiplos que se reconhecerão ou não, em lágrimas, no corpo exposto, menina e mulher, como casa, irmãs, espelho, pesadelo ou ficção, etc (em pistas a descobrir). Aliás todos estes desenhos, de animais, árvores, flores, cenas várias, são auto-retratos ou assim podem ser vistos.



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Por vezes a arte não é um exercício só formal, uma prática escolar, uma habilidade ou amabilidade ociosa, uma diversão ou uma facilidade, uma intenção ou a ocupação de uma parede, como quase tudo que vamos vendo à nossa volta, e às vezes acontece que uma obra exposta reage (comenta, acusa, intervém), age no presente, por exemplo sobre o que é a guerra actual a que assistimos com a confortável distância do lá fora, lá longe, como aliás sempre nos aconteceu, irremediavelmente periféricos.
Será uma imagem decorativa ou será incómoda? Será só uma peça de colecção, ou de museu? Como podemos conviver com ela, se nos interpela, incomoda e desafia? E é agora o contexto, as outras imagens expostas, as obras que as acompanham, de facto como um diário nascido no tempo da pandemia, antes de ser um projecto de exposição, que lhe asseguram a urgente necessidade de comunicar.
Ainda é possível representar a História? Pintura de história? Pintura de Guerra? Acontece que esta é uma representação sentida, pessoal, e é íntima também, verdadeira, e não apenas a oportuna apropriação de uma imagem mediática, então mais vista que criada. Há afinal quem desenhe, ou pinte, aqui a pastel de óleo e pastel seco, com uma qualidade material que se sente, mais do que só se observa, e com uma intensidade emocional que se faz partilhar; e a íntima verdade que aqui assim se reconhece importa-nos.

Os aviões, com pás giratórias de helicópteros, investem sobre a paisagem, sobrevoam-na e incendeiam-se, são ameaça e ameaçados, cenário de batalha, há explosões, fogo e fumo por toda a parte, um céu opaco, os foguetes descem a tracejado e uma casa arde. É a casa que vemos noutros desenhos, protecção ou prisão. Há outros desenhos que trazem imagens de terror e morte,  rostos escondidos entre as mãos e caveiras. Mas logo aparecem flores, animais domésticos, paisagens amenas. A vida é diversa.

 

 

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“Diário - dias incertos”, até 25 Fev.


2017

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

2022 Paris 2 a 7 nov.

 

Musée d’Art Moderne ville Paris ( https://www.mam.paris.fr/fr )
1 Oskar Kokoschka (até 12 FEVRIER)
[… Francisco Tropa] este não conta…

Petit Palais ( https://www.petitpalais.paris.fr/expositions )
2. Walter Sickert (29 jan)
3. André Devambez – Vertiges de l’imagination, até 31 Dez.

Orangerie  (https://www.musee-orangerie.fr/fr)
4. Sam Szafran. Obsessions d'un peintre (Até 16 jan.)
[ Mickalene Thomas: Avec Monet]
[Les arts à Paris]

Beaubourg – Pompidou ( https://www.centrepompidou.fr/fr/)
5. Alice Neel (16 jan.)
6. Gérard Garouste (2 jan)

Orsay ( https://www.musee-orsay.fr/fr/visite )
7. Edvard Munch
8. Rosa Bonheur (1822-1899)
[Kehinde Wiley… Gal. Templon]

Musée Jacquemart-André (https://www.musee-jacquemart-andre.com/)
9. Füssli, entre rêve et fantastique

LOUVRE (https://www.louvre.fr/)
10. Les Choses. Une histoire de la nature morte

Palais de la porte Dorée, Musée de l’Immigration
11. Paris et nulle part ailleurs: 24 artistes étrangers à Paris. 1945-1972
https://www.histoire-immigration.fr/

12. Bourse de Commerce – Collection Pinault
Anri Sala
[….œuvres in situ qui dialoguent avec l’architecture et le parcours de visite: …pelo templo do $]
https://www.pinaultcollection.com/fr/boursedecommerce

13. le Centquatre ( https://www.104.fr/)
Foire Foraine d’Art Contemporain

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Alice Neel, 2000 Whitney / 2021 MET/ 2022 Pompidou

 Onde estava Alice Neel?

(1900-81) https://www.aliceneel.com/

Alice Neel, Un regard engagé, Pompidou, dir. Angela Lampe, 2022 (& Barbican)*

Alice Neel, ed. Ann Temkin. Philadelphia Museum 2001 (Whitney 2000 etc) 

Artist, Humanist, Individualist.

Alice Neel at her son Hartley’s house in Vermont after 1973.
"Alice Neel was one of the great American painters of the twentieth century and a pioneer among women artists. A painter of people, landscape and still life, Neel was never fashionable or in step with avant-garde movements. Sympathetic to the expressionists of Europe and Scandinavia and to the darker arts of Spanish painting, Alice Neel's style and approach was distinctively her own.

Throughout her career, she painted with unwavering social conscience, capturing everyone from left-wing activists in 1930s Greenwich Village to art world luminaries like Andy Warhol. Never bound by artistic fashion or social convention, Neel's work celebrated human dignity and championed social justice causes decades before they gained mainstream acceptance.

Her fearless portraits revealed the psychology of her subjects with remarkable honesty and empathy. Today she is recognized as a master of 20th-century American painting, whose work anticipated many contemporary conversations about identity, equality, and representation."

Realismo norte-americano contemporâneo desde 1960, from Pennsylvania Academy of Fine Arts (tx Frank Goodyear Jr) Gulbenkian 1982 catálogo. A.N. "Linda Nochlin & Daisy"pp. 49, 60*

Art in the seventies, Edward Lucie-Smith, Phaidon, 1980. A N and Guston senior figures. Erotic feminism. Political art. p. 92-94 swing back towards content, not simply exercise of style, historical tradition of Modernism, the elitist context. to shock, identify with political avant-garde. veteran artists

The american century, Art & Culture 1950-2000, Lisa Phillips, Whitney Museum, 1999. p. 46 Mid 50's Figurative expressionism. Alex Katz, L Rivers, Fairfield Porter 1960, A N "raw depictions of human vulnerability and intensity". Innovative figuration. Bay Area Figurative school California. Diebenkorn. Golub, Chicago. // p. 260 a way out of the opressive academy of formalism: Guston 1969> ; A N since the thirties "frank and confrontational portraits of strong-willed characters depicted against blank grounds". "crude and expressionist methods in their emotionally charged works"." they embraced subject matter and psycological content" 258-60. // film "Pull my daisy" 1959 dir. R. Freank e Alfred Lesli, A N and Larry Rivers, New american film 68.

Realism in the 20th century painting, Brendan Prendeville, Thames & Hudson, 2000, pag. 206-07, 208 (cf. Sherman, Hockney, Katz ("painterly perceptualist", 50', Fairfield Porter  e Larry Rivers)... (Paula Rego). Chap. 4: New Realities: Hopper, Morley. "Embedded Mater"

The word new made. Figurative painting in the twentieth century, Timothy Hyman, Thames & Hudson, 2016. "The libertarian line: A N and the modern portrait (1933-80)" pp.104-109.
Postwar Art between the Pacific and the Atlantic 1945-1965Enwezor, Haus der Kunst Munchen, Preste. "Realism as international style", p. 444, 459 ilust. 1953, with Beauford Delaney 1941, John Biggers 1955, J P 1953. Guttuso. "The United States had its own contingent of fellow travelers. As Alice Neel, considered by many a pioneer of Socialist Realism in American painting, declared in 1951, "I am against abstract and non-objective art because such art shows a hatred of human beings. East Harlem is like a battlefield of humanism, and I am on the side of the people here, and thet inspire my paintings". The dandyish pose struck by the young Georgie Arce in his portrait by Neel is but a thin veneer over the violent life of teenagers of color in Spanish Harlem" p. 444.
PostwarRPostwarea

1 Barbican: 

Discover d works of Alice Neel, the court painter of the underground, at the Barbican Art Gallery until May 21st, 2023. Through her vivid portraits, Neel retaliated against exclusionary histories and highlighted the fundamentally political nature of how we look at others. #AliceNeel #BarbicanArtGallery

Artists You Need to Know: Alice Neel
Alice Neel is widely regarded as one of the foremost American artists of the twentieth century.
As the avant-garde of the 1940s and 1950s renounced figuration, Neel developed her signature approach to the human body.
Working from life and memory, she created daringly honest portraits of her family, friends, art world colleagues, writers, poets, artists, actors, activists, and more.
Her paintings, which are forthright, intimate, and, at times, humorous, engage overtly and quietly with political and social issues.
Neel's ability to depict those around her with unfazed accuracy, honesty, and compassion displays itself throughout her canvases.
Calling herself a "collector of souls," Neel is acclaimed for not only capturing the truth of the individual, but also reflecting the era in which she lived.
Images and Text Courtesy of David Zwirner #AliceNeel

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Regards sur l'art americain des années soixante, dir. Claude Gintz, Ed. Territoires 1979 ---
La peinture americaine, Le XX siècle, Barbara Rose, Skira, 1986 ---
Le triomphe de l'art americain. Les années soixante, tome 2, Irving Sandler, Ed. Carré 1990 ---
American art in the 20th century 1913-1993, Royal Academy 1993, Joachimides & Rosenthal ---
Identity and alterity. Figures of the body 1895/1995, 46ª Biennale di Venezia, 1995 Jean Clair ---é incompreensível a ausência de AN, mas estão Maria Lassnig e Marlene Dumas
Modern starts, 1880-1920, MoMA 1999 ---
Making choices, 1929-1955, MoMA ---
Walker Evans & company, Peter Galassi, MoMA ---
Modern despite modernism,  Robert Storr, MoMA 2000 ---
American art since 1945, David Joselitt, Thames & Hudson, 2000 ---
Art since 1900, Foster Krauss Bois Buchloch, Thames & Hudson, 2004 --- 1959. Bacon, Freud, Guston: "grotesque cartoonish desfigurations" p. 477 "third generation of neo-expressionists". painterly expressionists:  Appel, Diebenkorn Golub Paolozzi. Cold war politics of figuration, CCF.

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2021 J. Hoberman The Point

Alice Neel: People Come First,” on view at New York’s Metropolitan Museum of Art through July, may be the most enthusiastically received and is certainly most aptly named exhibition in the Met’s recent history. The show is comprehensive in presenting all aspects of Neel’s work, and the timing is propitious. Neel was declared a major American painter after her 1974 Whitney Museum retrospective, but her current canonization coincides with an increasing attention paid to known but hitherto marginalized, politically-aware women artists. Neel’s Met retrospective is concurrent with the first New York museum survey given to the underappreciated, unclassifiable Niki de Saint Phalle, and another major museum show that argues the centrality of the French-American sculptor and New York School outlier Louise Bourgeois to postwar intellectual trends by anointing her “Freud’s daughter.”

Nearly four decades after her death, Neel reappears as an avatar of art-world diversity. If in 1974, she was hailed as a feminist (another term she uneasily accepted), she now is a woman who shucked off her white middle-class privilege. A hardcore bohemian as well as a dedicated (if eccentric) Communist, Neel spent much of her career in near poverty, living in New York’s Spanish Harlem and painting her children, her lovers and her neighbors. But, paradoxically, after years of obscurity, Neel grabbed the spotlight. By expanding her subjects to include celebrated art-world figures, she became one herself—a shrewdly dotty media personality.

That revolt is amply apparent at the Met, although Neel was hardly a primitive. She looked at paintings as well as people, absorbing ideas from the modernist masters Van Gogh, Munch and, in her window-views, Edward Hopper. Her style, however, is all her own. Given the apparent rapidity with which she worked (at home in her Manhattan tenement apartments), she was a genius sketch artist. There’s an adroit cartoonish quality to many of her canvases. Heads tend to be outsized and pushed forward, in what the art critic Lawrence Alloway described as “cephalic looming.” Features can be slightly lopsided. Hands are elongated but private parts, when they appear, are typically front and center. Other parts can be perfunctory.

The critic Harold Rosenberg, who knew Neel in the 1930s when both were subsisting on stipends from the Federal Art Project, compared her “objective cruelty” to that of the photographer Richard Avedon: “Both artists record what has befallen their subjects or what they have done to themselves. With the imperturbable ruthlessness of nature, but without a trace of personal malice, faces, bodies, postures are induced to speak for themselves.” Neel may have functioned as a camera but she was hardly a photorealist like Chuck Close, and seems to have only rarely if ever worked from photographs.

Neel took her subjects where she found them in her daily life—an amiably grinning door-to-door Fuller Brush salesman, a tormented-looking museum security guard, the Haitian woman who helped clean her home and look after her grandchildren. At the height of her career in the Sixties and Seventies, Neel portrayed art critics, curators, celebrity artists and louche celebrities—not just Warhol but the Warhol superstar Jackie Curtis, as well as the porn-star performance artist Annie Sprinkle—but she had a particular fondness for political activists and, more sensationally, heavily pregnant nudes—sprawled out and heroic.

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Alice Neel was born into a proper old American family in a small Pennsylvania town, attended an all-women’s art school in Philadelphia, then moved with her Cuban husband, also an artist, to Havana. Moving to New York City around the time the stock market crashed, her life fell apart—a child died of diphtheria; her husband deserted her, taking with him their second daughter; she was a hospitalized twice, once for a nervous breakdown and again after an attempted suicide.

Hospital scenes figure in her 1930s paintings—along with urban landscapes and remarkably intimate domestic vignettes. One delightfully free-form watercolor from 1935, “Untitled [Alice Neel and John Rothschild in the Bathroom],” shows two lovers passing water after sex, she straddling the toilet as she puts up her hair, he urinating into the sink. A sort of Ashcan expressionist, Neel painted Depression-era New York City as a gaudy necropolis. Impassive and monumental, some portraits show the influence of Diego Rivera’s stoical indios; others are enlivened by bits of surrealism. A miniature skeleton pours blood from the heart of the poet Kenneth Fearing, painted in 1935. The notorious “Joe Gould” (1933) is a festival of male organs. Gould, the Greenwich Village’s most publicized boho character—and the author of a famous, never-written “oral history of the world” who went by the moniker Professor Seagull—appears as a demonically grinning demiurge, naked, sporting three penises and attended by two more, one circumcised, one not, courtesy of the headless male torsos on each side of his makeshift throne.

Perhaps Neel’s greatest indecency was her membership in and commitment to the Communist Party, which she joined in 1935 when she, along with many of the future Abstract Expressionists and countless other painters, was employed by the Federal Art Project, and her work was becoming more overtly political. The Met’s exhibition title “People Come First” is taken from a December 1950 article on Neel written by the Daily Worker columnist Mike Gold, America’s most vociferous proponent of proletarian art. In the late Thirties, Neel moved out of Greenwich Village, along with her lover, the Puerto Rican musician, José Negron, and took an apartment in Spanish Harlem. “T.B. Harlem,” her painting of Negron’s hospitalized brother, his emaciated, pain-racked torso partially concealed by a loincloth of hospital bedding, is a social realist pieta. Eventually, the Federal Art Project ended and Negron left, but Neel, who now had a young son, never stopped painting. She went on public assistance and took up with the left-wing filmmaker Sam Brody, with whom she had her fourth child, a second boy.

American abstraction triumphed. Meanwhile, Neel—living in a slum neighborhood represented by Vito Marcantonio, the most left-wing of New York City congressmen—exhibited at the politically-minded ACA Gallery, contributed illustrations to the CP journal Masses & Mainstream, attended blacklisted educator Annette T. Rubinstein’s “Writers and Critics” study group, took courses in Marxism and gave slide lectures at the Jefferson School, and painted a number of Party heroes. Among them were her editors Phillip Bonosky and Mike Gold, schoolteachers, the neighborhood activist Mercedes Arroyo (looking up and off to the side like an angel awaiting her own annunciation) and the writer-actress Alice Childress, beautifully turned out in evening dress. Other paintings included a demonstration to free Willie McGee, an early-fifties Communist Party cause célèbre, and, most likely working from a Life magazine photograph, the funeral of the veteran labor organizer Mother Bloor. Beneath a reproduction of “The Spanish Family” (1943), a gentler riff on Picasso that could be considered an exercise in “get real”-ism wherein, flanked by two young children and holding a baby, a sad-faced Madonna transfixes the viewer with a look of accusatory resignation, Gold proclaimed Neel “a new star of social realism,” not least because she had taken to representing the people of East Harlem.

In the late 1950s, Neel painted her way back into an art world that looked askance at such work. Around the time that she produced two portraits of the critic-poet-curator Frank O’Hara, one flattering and one not, Neel was cast in a motherly role in the Robert Frank-Alfred Leslie-Jack Kerouac Beatnik home movie Pull My Daisy. (“They picked me because I looked like a conventional American type,” she said.) Now sixty, Neel had a new visibility. Younger artists were charmed. Sitting for Alice became a thing. Begun around the same time, her project has a certain affinity to Andy Warhol’s series of three-minute “screen tests.”

In general, Neel’s sixties canvases employ a lighter palette. They are airier, more unfinished. The handling of the paint exudes casual confidence. Not that Neel’s political commitments wavered. She remained concerned with class, racial and gender inequality for the rest of her life, kept a picture of Lenin on the wall and maintained her monumentally unfashionable affection for the Soviet Union, which some turned into an excuse to not take her seriously. (In 1981, she partly financed a show of her works at the Artists’ Union exhibition hall in Moscow.) She painted not only artists but also activists like James Farmer, the head of the Congress of Racial Equality, in 1964, and the militant feminist Irene Peslikis (“Marxist Girl”) in 1972. She went to hear Malcolm X speak, gave money to the Black Panthers and demonstrated against the Metropolitan Museum’s infamous “Harlem on My Mind” show, attacked (not altogether fairly) for an absence of African American, or indeed any, painting.

Neel’s breakthrough Whitney retrospective, in 1974, was generally well received but panned by the right-wing New York Times critic Hilton Kramer. “You must hate your mother,” Neel told Kramer, encountering him at an opening after he insulted her draftsmanship. Doubtless aware of Neel’s politics, Kramer took her art-world portraits personally, complaining that people were “shown to be cruel or pompous or vacant or spaced out or just a little nutty.” (Twenty-five years later, Kramer was still complaining in a piece with the headline “The Mob Loves Alice Neel, But I Think She’s Mean.”) True, Neel used a bit of impasto to enhance the bad skin of the sculptor Robert Smithson in a 1962 portrait, and her 1967 portrait of Met curator Henry Geldzahler, perhaps taken on in a transparent attempt at logrolling, amply communicates the sitter’s discomfort, pinned to a chair like a butterfly under glass.

On the other hand, Neel responded to the anti-glamour of the Warhol superstar Jackie Curtis with “Jackie Curtis as a Boy” (1972), which, given pride of place in the exhibit, has, in Curtis’s imperious posture and suspicious sidelong glance, uncanny echoes of El Greco’s portrait of Cardinal Fernando Niño de Guevara, the Grand Inquisitor during the Spanish Inquisition (also in the Met). We don’t question Jackie, Jackie interrogates us.

Like Neel’s saggy self-portrait, “Alice Neel: People Come First” overflows with human interest. My second time through the exhibit, I found myself standing before the nude portrait of the art critic John Perreault, behind two women of a certain age (more or less my own). We considered Perreault lounging on an unmade bed, a scruffy male odalisque whose regally curved penis rests cushioned on his scrotum. “That painting changed my life,” one woman told the other. “I realized that I had never really looked at my husband.”

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https://www.metmuseum.org/ex2021/alice-neel/exhibition-galleries

2021 The Metropolitan Museum of Art in association with the Guggenheim Museum Bilbao and The Fine Arts Museums of San Francisco


Alice Neel: People Come First is the first museum retrospective in New York of American artist Alice Neel (1900–1984) in twenty years. This ambitious survey positions Neel as one of the century’s most radical painters, a champion of social justice whose longstanding commitment to humanist principles inspired her life as well as her art,

ALICE NEEL The Early Years 2021 david-zwirner/exhibitions/alice-neel-the-early-years/


see Jacob Lawrence, Hyman 180-84.
Red Grooms b 1937