quinta-feira, 19 de março de 2026

índice artistas históricos, e modernos, e outros (in progress)

 

1990 Monet, as séries 1889 e 1900Royal Academy, (15-09)

1994 Poussin, Grand Palais, Paris, «Inesgotável Poussin» (29-010)

1995 Marino Marini, Museu do Chiado, "Esta arte de primitivos" (08-07)

1995 Cézanne, Grand Palais, Paris, "Razão e emoção" (28-10)

1996 Rouault, F Gulbenkian, "A condição humana" (03-02)

1996 Vermeer, Haia, "As cores do silêncio"

1996 Picasso Os retratos, MoMA Nova Iorque (31-08)

1997 Picasso e o Mosqueteiro, Museu do Chiado, "Picasso contemporâneo" (01-11)+

1997 Picasso, Suite Vollard, Centro Cultural de Cascais
2001 Picasso, “Suite 347”,  Centro Cultural de Cascais (08-09)

2003 Gauguin, no centenário da morte "Gauguin, o bárbaro" (03-05)

2004 Matisse, Lettres Portugaises litografias (24-01)

2005 Corot, Museo Thyssen, Madrid, "Corot por inteiro" (30-07)


e modernos

1995, Menez, necrologia, "Nome: Menez" (15-04)

1995, Kabakov no CAM, Encontros Acarte, "Arte total" (09-09)


1996, Bacon em Paris (Beaubourg)  (06-07)



As exposições 


1998 Espanha, OS 98' IBÉRICOS E O MAR, Expo'98, "Pistas para um fim de século" (15-08)

1998 Espanha, DE PICASSO A DALÍ, AS RAÍZES DA VANGUARDA ESPANHOLA, Museu do Chiado, Expo'98, "Espanha, reforma e revolução" (04-07)


1999 "A Arte do Retrato. Quotidiano e Circunstância", Fund Gulbenkian, "Os rostos do poder" (30-10)

2005 «Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945»,  Tomàs Llorens, Museo Thyssen, "Regresso ao real"  (19-10)

2006, Colecção Rau no MNAA,  "De Fra Angelico a Bonnard" (07-01)


e outros artistas

1995, NEMO em Lisboa, Street Art (02-09)



domingo, 15 de março de 2026

2026, Luis Campos, Endscape, Gal. Carlos Carvalho

 notas do fb



(1) A fotografia de causas é uma das grandes escolas (e tradições) da fotografia. Luís Campos fotografou na Argentina (glaciares da Patagónia que recuam mais de cem metros por ano), na Namíbia (o barco no deserto, neste único caso de avião), nos EUA e em Portugal, "um mundo depois do fim, paisagens desabitadas em que a natureza viva se tornou vestígio". Desde 2013. A mensagem é eficaz e não se trata de ilustrar: as imagens, num preto e branco cortante, têm uma energia própria, uma beleza fatal. Na última das fotos fotografadas (pormenor) há uma ténue flor que se eleva. Expõe-se também um vídeo de 10 minutos trabalhado com os poderes da Inteligência Artificial. (Gal. Carlos Carvalho, até 30 de maio)




(2) "Endscape", vídeo projectado, 10'04'', foi realizado com recurso à Inteligência Artificial e é uma sequência contínua de paisagens de lugares arruinados, vistas urbanas (também Lisboa, Nova Iorque, Paris, etc), lugares públicos (cinema, biblioteca, fábricas), mares, cemitérios de aviões e de navios. Definido e escrito um breve guião, surgiram as imagens em movimento que na montagem digital se vão sucessivamente fundindo numa sequência terrível de catástrofes. É aqui ainda mais explícito e mais inquietante o alarme sobre a degradação e a morte do planeta, ou da civilização. O espectador é capturado, e é difícil esquecer.
Numa exposição anterior na mesma galeria, Luis Campos, médico e fotógrafo, tinha mostrado "Fading" (2023), "uma reflexão sobre extinção dos animais e a degradação dos ecossistemas". Agora em "Enscape" não há seres vivos.






2026, Graça Morais, Palácio Anjos, Algés

Graça Morais, notas no fb


(1) nunca foi exposta em Serralves, no CCB ou na Gulbenkian * e no MAAT, que têm funcionado como uma cúpula fechada (e parasita) do meio da arte em Portugal. Tem sido ocultada ou excluída por uma rede convergente e cúmplice de directores, a quem importa mais a sua tutela continuada (tantas vezes medíocre) do que a abertura ao que é inegavelmente melhor. Sim, expôs na Culturgest em 2013, no Museu do Chiado em 2019, no Museu do Coa em 2022 e no Centro de Arte com o seu nome em Bragança em 2008 e depois. **
A sua melhor exposição, a mais poderosa e eficaz, foi sem dúvida a que aconteceu em 2017 na Fundação Champalimaud, um lugar fora do circuito. Aí os temas da guerra e da violência desumana do séc. XXI tinham uma presença avassaladora - de que agora se vislumbram alguns sinais.

A actual exp em Algés contém-se em obras na posse da artista (que tem reunido e às vezes adquirido obras maiores do seu itinerário) e da colecção do Centro de Arte de Bragança, em geral doações próprias. A escolha de muitos desenhos, em geral excelentes, e também de estudos preparatórios, não substitui a limitada presença da pintura, e as fotografias mostradas são só memórias e documentos pessoais, deveriam estar pousadas em vitrinas e não nas paredes. Faz falta mais pintura, mesmo se esta é uma importante exposição, a ver com atenção e gosto. Mas a actual mostra no Atelier-Museu Júlio Pomar incorre no mesmo vício (expor pintura é difícil? É mais caro?)
O grande estudo (pintura sobre papel) para o painel de azulejo a instalar em Caxias, relativo à prisão política, anuncia uma excelente obra pública. Uma encomenda acertada de Isaltino Morais.

* Mas sim na delegação de Paris em 2001 (com Francisco Bethencourt) e 2017 (por Helena de Freitas e Ana Marques Gastão, com colóquio internacional) - e é um "exílio" significativo.
** Exclusão mais chocante foi a ausência na grande exp. que o MNAA dedicou ao retrato também contemporâneo em 2018 - CQD.


Uma resposta a Emília Ferreira: estas fotografias não são “obra plástica”, deviam ter uma apresentação modesta, discreta, acessória; ; seriam uma surpresa, uma curiosidade significativa, não mais. No Chiado havia excesso de “estudos” e falta de escolha, saturação. Deveria ter sido uma exp de câmara. Acho que há agora outra vez um excesso de desenhos e q eles se multiplicam ou repetem. Na última parede da última sala cabiam da tribuna obras fortes e não flores e tomates, para acabar em grande. Falta pintura. Falta pintura. Falta pintura. Mas é muito difícil e mais caro (transporte, seguros, empréstimos, localização….) fazer exp de pinturas. A GM merece e precisa de uma exp “esmagadora”. / e em geral os desenhos da G são estudos, ensaios, variações, apontamentos. Sensíveis, belíssimos, muitos. Não estou a censurar, queria mais. 
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(2) ANOS 80: O Caçador, 1982; Pieta, 1986.

Nos anos 80 não dávamos conta (e eu também não), ou não queríamos dar conta, de que o (a) mais notável artista desses anos 80, e o/a que melhor continuou, era Graça Morais. Por sinal não apareceu numa mostra em Serralves que pretendia balizar a década (1992, Alexandre Melo, “10 Contemporâneos”), recortando conveniências tácticas - mas logo em 1983 participou na Bienal de São Paulo e em 1997 expôs no Museu Soares dos Reis. Além de não estacionar no Frágil, centro do centro, tinha passado os anos de 1976 a 1979 em Paris como bolseira da Gulbenkian e voltou para o atelier em Trás-os-Montes, Vieiro. Algumas das pinturas desse tempo, inéditas, têm sido vistas em Bragança, e eram das mais originais do seu tempo.
A terceira obra aqui reproduzida (Mãe Terra, 1981, sanguínea e carvão, 139x98cm) não veio a Lisboa, e faz falta, como muitas outras. Falta uma grande exposição, mais completa, com muito mais pintura.




(3): AZULEJOS PARA CAXIAS
e "Raiva", 2012,152x102cm, tinta acrílica sobre papel.









Projecto para painel de azulejo de 6 por 20 metros em homenagem aos presos políticos do Forte de Caxias, 2026, encomenda da Câmara de Oeiras. Não cabia para Caxias uma obra dramática: o medo, o sangue, a guerra, os desalojados e fugitivos têm ocupado grande parte das obra recente da GM e esta tinha de ser festiva e dedicada à vida. O rio azul e o céu amarelo que é também um largo sol; os rostos sempre expressivos e diferentes, atentos e surpresos, alguns caídos, e os braços levantados, os corpos - também flores e animais - no longo friso que é a regra conveniente de uma obra decorativa, a arte pública marca, comemora e decora. No início dos ano 1980 GM trabalhou bastante e muito bem referências a Guernica. Não seria agora caso para essa memória, passamos do negro à luz e à cor. Mas os olhos, muitos olhos, inquietos, lembram o exemplo maior de Picasso.
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