sábado, 29 de outubro de 1994

1994, Poussin, quarto centenário, Grand Palais, Paris, «Inesgotável Poussin»

 Poussin, quarto centenário


Expresso Revista 29 Outubro 94


«Inesgotável Poussin»


As grandes exposições dos artistas do passado, geralmente associadas à comemoração de alguma efeméride, parecem cerimónias rituais de uma cultura do espectáculo voltada para a ultrapassagem de records, em números de obras e de visitantes. O caso de Poussin, agora apresentado em Paris, no Grand Palais, a pretexto do quarto centenário do nascimento (1594-1665), mostra que essa dinâmica institucional pode esconder uma outra dimensão mais subterrânea de investigação e de interpretação das obras, servindo também como oportunidade excepcional de reconsideração de um artista que foi quase sempre referência essencial para outros pintores, mas também, sob uma máscara de severidade e sapiência, mais respeitado do que visto. Um pintor cuja vida e carreira continua a manter grandes zonas enigmáticas que permitem a existência de quase tantos Poussin quantos os seus biógrafos ou exegetas.

É, aliás, do início de um verdadeiro «ano Poussin» que se trata, a prosseguir nos próximos meses por uma actividade editorial intensa, por vários colóquios internacionais e por uma sucessão interminável de exposições tão eruditas como o prestígio do «pintor-filósofo», embora empenhadas, em alguns casos, em alterar a imagem de um artista erradamente identificado com o significado pejorativo da palavra académico.


Organizada pelo Louvre e dirigida por Pierre Rosenberg, que já depois da inauguração ascendeu ao lugar de director do Museu parisiense, a exposição do Grand Palais — com 110 quadros de um pintor que não terá pintado mais de 300 ao longo da vida, além de 145 desenhos — é apenas o pólo mais visível de todo este movimento.

De facto, ela é completada pela apresentação simultânea de dois outros importantes núcleos de obras nos Museus de Bayonne e de Chantilly, que por disposições testamentárias dos coleccionadores que as doaram não podem ser emprestadas: é no segundo que se exibe o extraordinário Massacre dos Inocentes, tantas vezes citado por outros pintores e agora acabado de restaurar. Entretanto, no Louvre, as salas reservadas a Poussin na ala Richelieu acolhem uma «exposição-dossier» com sete dos seus quadros na companhia de mais 25 de autores franceses que lhe foram próximos e que por vezes estiveram antes atribuídos ao próprio Poussin.


A exposição central (aberta até 2 de Janeiro) passará depois para a Royal Academy de Londres (de 19 Janeiro a 9 de Abril), sem os desenhos e com alguma rotação das pinturas, acompanhada por um diferente catálogo a cargo de Richard Verdi, sendo também completada por exposições paralelas de obras impedidas de viajar, enquanto outros projectos independentes se anunciam para os Estados Unidos e a Itália.

A multiplicação das publicações, iniciada por quatro catálogos parisienses e o lançamento em estreia, pelo Laboratório de Pesquisa dos Museus de França (LRMF), de um CD ROM onde se documentam os exames científicos realizados sobre 38 pinturas e de uma revista intitulada «Techne», é continuada por novos catálogos «raisonnés» da pintura (Jacques Thuillier) e do desenho (P. Rosenberg e L.-A. Prat) e pela edição ou reedição de ensaios de Alain Merot, Marc Fumaroli, Oskar Batschmann, Yves Bonnefoy, Louis Marin, da correspondência integral, etc.                                             

Por outro lado ainda, um colóquio reuniu na passada semana os maiores especialistas internacionais do pintor, e dele se esperavam algumas novidades. Como por exemplo, através da descoberta recente das suas contas bancárias, a constatação de que o estóico Poussin não desprezava as aplicações nos jogos da Bolsa e morreu rico.

A multiplicação exponencial dos estudos sobre o pintor, depois do colóquio que se realizou em 1958, justificava um vivo enfrentamento entre as teses antagónicas, tanto mais que a exposição parisiense reivindica a prioridade das confrontações visuais contra o primado tradicional da especulação mais abstracta. Rosenberg propõe a necessidade de um «regresso a Poussin», e J. Thuillier, o seu principal biógrafo, fala de «limpar a estátua» (ou «décaper le peintre», segundo o título do «Le Monde»).


Tal preocupação, que é também a de reforçar a acessibilidade de Poussin para o espectador comum, passou, na exposição do Grand Palais, pela decisão de acompanhar cada quadro com uma tabela em que se explica o respectivo tema, atendendo à distância a que estão hoje os textos mitológicos ou bíblicos — levando à letra o preceito do pintor de «ler a história e o quadro, a fim de conhecer se cada coisa é apropriada ao assunto», sem com isso, no entanto, voltar a aceitar o primado do literário sobre a percepção estética.

Da aglomeração dos espectadores-leitores resultam outros problemas mais físicos de acesso às obras, que são agravados ainda por uma opção de montagem que usa a iluminação natural em algumas áreas do percurso, valorizando as intensidades cromáticas da pintura de Poussin, mas também criando zonas de reflexo que impõem uma dupla visita à exposição.


Uma ocasião como esta é também a oportunidade para multiplicar as operações de restauro das pinturas e, em especial, para proceder quer à revisão intensiva das atribuições, redefinindo o «corpus» de uma obra por vezes confundida com as suas próprias cópias, quer à proposta de uma nova cronologia da produção de Poussin, afinando a leitura da evolução criativa através da relação directa com as pinturas, e menos segundo as fontes escritas. O ano Poussin, aliás, segundo refere o comissário, tinha começado em Washington, com o confronto factual de duas versões do quadro La Sainte Famille à l'Escalier sucessivamente reconhecidas por originais; a unanimidade foi então imediata, a favor do quadro conservado em Clevelend. Rosenberg conseguiu ainda apresentar dois «inéditos» e o efeito daquele reexame de autorias não foi demolidor, como no caso de Rembrandt.




FALSAS PISTAS


Esquecido em Itália e respeitado em França como distante fundador da tradição nacional, Poussin começou a sair de um prolongado «purgatório» apenas em 1960, por ocasião da primeira exposição monográfica organizada pelo Louvre, que teve o significado de uma espécie de renaturalização do pintor. De facto, Poussin viveu praticamente toda a sua vida criativa em Roma, com o breve intervalo de uma chamada a Paris em 1640-42 para intervir, como «primeiro pintor do rei», Luís XIII, nas decorações da grande galeria do Louvre — um episódio infeliz que para sempre o afastaria das grandes decorações e do papel de pintor cortesão, optando por um isolamento voluntário e orgulhoso no centro da vida artística do tempo. Por outro lado, o pintor tem em Inglaterra uma parte muito substancial da sua obra, aí gozou de uma admiração menos variável com a oscilação dos gostos e aí conta ainda com muitos dos seus principais estudiosos.


Jogam-se, por isso, graves questões de prestígio nacional em torno da revalorização de Poussin como o maior de todos os pintores franceses, ao mesmo tempo que se procura construir uma nova abordagem da sua obra. Alain Mérot já tinha procurado contrariar os preconceitos que envolviam a respectiva recepção ao valorizar o que na sua pintura é, ao mesmo tempo, inspiração e disciplina, sensualidade e rigor. J. Thuillier considera-o agora «um dos pintores mais eróticos de toda a pintura francesa» e associa a sua muito rápida fama romana à importação da tradição do nú da Escola de Fontanebleau, em plena Contra-Reforma.


O catálogo editado por Pierre Rosenberg contempla, como é de regra, o estudo minucioso de todas as obras expostas, sintetizando as leituras iconográficas e argumentando sobre opções cronológicas e evoluções estilísticas. Entretanto, o prefácio e a ordem dos 14 ensaios que inclui não ocultam um ponto de vista global apostado em fazer desta retrospectiva a oportunidade prática de ver em Poussin não tanto o suposto filósofo como o pintor, contrariando a versão dominadora de «um artista encerrado desde há mais de 300 anos no papel de grande intelectual da tradição europeia», como escreve Neil MacGregor, director da National Gallery de Londres e co-comissário para a pintura na exposição do Grand Palais.


Em causa está Poussin como erudito e teórico, e P. Rosenberg é bem claro: «Poussin não é um homem de doutrina, ou pelo menos não é o homem de doutrina que quiseram fazer dele». Enquanto teórico, à leitura da sua correspondência, «parece mais provável que a teoria tenha sucedido à pintura», para justificar os quadros já terminados, e o exame atento comprova que essa teoria «não tem nada de original e é mais uma compilação de fontes diferentes por vezes imperfeitamente compreendidas» («Connaissance das Arts»).

O intuito polémico é mais evidente ainda no texto do director da National Gallery, crítica explícita de uma situação em que «as árvores universitárias vieram muitas vezes esconder a floresta artística», onde se defende «um outro olhar sobre Poussin» que não permita que as suas pinturas continuem a «passar para o segundo plano, para trás das teorias que supostamente deveriam encarnar».\


MacGregor serve-se do prestígio de um dos mais importantes investigadores, Denis Mahon, e concretamente de um pouco conhecido artigo de 1965 intitulado «Plea for Poussin as a Painter», repetindo-lhe o título no catálogo, para contestar as «duas falsas pistas» por que seguiu o entendimento do pintor: «a importância excessiva atribuida ao lado intelectual ou cerebral de Poussin» e «a demasiada insistência sobre os dados históricos e as ideias em detrimento das pinturas».

Já segundo Mahon, «Poussin não era evidentemente um filósofo que empregava a pintura como meio de expressão, mas um pintor de primeiríssima ordem cuja arte revela, sobretudo em relação à maior parte dos outros pintores, uma componente que se pode qualificar vagamente como 'filosófica'».


MacGregor opõe-se agora a uma «geração encorajada a confundir a história da arte com a história das ideias», que se «lançou com entusiasmo na exploração das filosofias abstrusas do século XVI»  e que «acha normal interessar-se mais pelo pensamento do pintor que pelo suporte artístico utilizado para o veicular», defendendo no catálogo «a utilidade de examinar os quadros» e a necessidade de «elaborar uma biografia visual do pintor a partir das suas obras». Porque «a composição, a factura, a cor, o vocabulário plástico são muito mais convincentes, em ultima análise, do que as preocupações filosóficas e as fontes históricas».

Contrariando a tese dominante do «pintor-filósofo» (a que Rosenberg prefere a de «pintor-poeta», na linha de Gide), o autor inglês sublinha que o que sobressai da consideração da obra «não é um grande intelectual, mas um pintor sem paralelo», cuja obra «é empalidecida ainda em muitos casos pela etiqueta de filósofo ou pelas alegações dos seus admiradores universitários, quando ele foi em especial e antes de tudo um colorista tão subtil  e sensual como qualquer veneziano, dotado de um instinto muito seguro da iluminação».


ATEU OU RELIGIOSO


Entretanto, é o próprio confronto entre as teses dos principais estudiosos de Poussin, e em especial das suas contra-argumentações, que conduz à revelação da fragilidade dos suportes documentais e literários que alimentam a investigação erudita desencarnada das obras, ao mesmo tempo que é escasso o estudo de aspectos decisivos nos domínios da iconografia, da biografia, dos processos técnicos de trabalho ou, até, da identidade dos seus coleccionadores.

É particularmente curiosa a oposição entre Jacques Thuillier, que vem agora, no catálogo, defender o ateismo do pintor, prolongando a tese do estoicismo e do racionalismo pré-iluminista que Anthony Blunt propusera, e, por outro lado, a intervenção de um Marc Fumaroli que faz de Poussin um pintor mais religioso que filósofo.


J. Thuillier sustenta a defesa do ateismo do pintor de um modo que não é particularmente favorável à tese da vasta erudição, destacando a importância de uma prática da pintura que «escapa ao conceito e se anima com a inesgotável complexidade do vivido», como «lugar de uma experiência» que não pode «confundir-se com a 'ilustração'» das ideias.

Argumentando contra Blunt, Fumaroli considera o neo-estoicismo apenas o resultado da adopção de máximas de sabedoria prática que eram comuns aos letrados desde o séc. XVI, e chega a invocar contra o investigador inglês a sua condição de espião ao serviço dos soviéticos, acusando-o de fabricar uma identificação entre ele próprio e o seu tema de estudo:


«Blunt foi tentado a atribuir a Poussin a personalidade dupla de um espião, por um lado perfeitamente adaptado ao meio ambiente, mas no fundo traindo-o por uma causa só conhecida por ele próprio e alguns cúmplices», como se fosse «um espião das Luzes cuidadosamente mascarado pela sua prudência estoica na Roma dos papas.» Recorde-se que Blunt, especialista incontestado do pintor, conselheiro artístico e ainda parente da rainha de Inglaterra, falecido em 1983, fez parte com Guy Burgess do célebre grupo dos cinco espiões de Cambridge, passando à condição de agente duplo em 1964, até ser denunciado por Margaret Tatcher em 1979, em pleno Parlamento.


Num artigo onde sintetiza a sua tese, Fumaroli vem valorizar, primeiro, um Poussin seguidor do neo-platonismo, interessado na continuidade entre os mitos e a sabedoria do paganismo e os mistérios revelados por Cristo e a sua Igreja; mais do que um precursor do racionalismo das Luzes, o pintor seria afinal um dos últimos herdeiros do platonismo cristão do Renascimento, identificado com a erudição dos antiquários romanos e o enciclopedismo dos jesuitas, de quem sempre esteve próximo. Na fase final, acentuar-se-ia a via da contemplação e do mistério sobre a do sincretismo arqueológico, «procurando a energia simbólica do lado da concentração e da limpidez», enquanto o seu «génio religioso», sempre identificado com uma igreja militante que tinha Bernini como expoente paralelo, ao estilo italiano, ficaria patente na segunda série dos «Sacramentos» ou na Anunciação de 1657, que «mesmo o 'libertino erudito' mais estoico, no sentido de Blunt, não poderia mimar».


LONGA INFLUÊNCIA


Nascido numa família de notários da Normandia, Poussin fugiu de casa aos 18 anos para seguir uma vocação contrariada. A sua formação é praticamente ignorada, para além da passagem de apenas alguns meses em ateliers franceses, chegando a Roma aos 30 anos sem que tenham sobrevivido da sua produção anterior mais do que alguns desenhos maneiristas. Desconhecido em 1624, mas recomendado em Roma por uma «furia di diavolo» muito diversa da imagem que depois lhe foi associada, Poussin ascenderia a um reconhecimento meteórico logo em 1627, com  A Morte de Germânicus, e seria já célebre três anos depois.

Glorificado ainda em vida como modelo de um ideal clássico que lhe sobreviveu por pouco tempo, mas que a segunda metade do século XVIII iria retomar, figura tutelar da Academia criada em Paris em 1648 (sem ter sido um dos seus proponentes nem acedido a cumprir funções oficiais), Poussin é desde logo o paradigma idealizado do pintor intelectual em oposição ao pintor artesão, num momento em que os artistas reivindicavam a libertação das condições regimentais das corporações e, num mesmo movimento, a entrada da pintura no plano das artes liberais, ainda muito antes da definição conceptual das Belas-Artes.

O perfil de «pintor filósofo», com a qualidade suplementar de não se ter submetido à dependência cortesã, que foi condição primeira dessa liberalização das cadeias corporativas, servia exemplarrmente a causa da transição Du Peintre à l'Artiste — título de uma notável obra de Nathalie Heinich (ed. Minuit, 1993). É a compreensão do preciso contexto histórico da defesa do primado do literário na pintura, e por isso da necessária nobreza dosseus assuntos, como momento prévio à emergência da percepção estética autonomizada (primeiro da imitação mecânica, e depois da literatura), que permite situar o processo de «intelectualização da relação com as imagens» (N.H.) patrocinado por Poussin e responsável pela sua assimilação da percepção da obra pictural a um acto de leitura. 

Por outro lado, aquele desconhecimento das etapas da formação de Poussin permitiria que, muito mais tarde, Balzac o tomasse por modelo romântico do artista boémio, o «génio» indisciplinado do Chef-d'Oeuvre Inconnu. O isolamento da carreira de pintor, a recusa da decoração mural para se confinar às telas de formato médio, a independência conquistada face aos mecenas e encomendadores, o facto de não ter criado um atelier nem trabalhar com assistentes, a recusa da vida oficial para se consagrar inteiramente à sua obra são aspectos que antecipam o artista inovador do século XIX.


O ensaio de Richard Verdi sobre a influência exercida por Poussin na evolução da pintura europeia, também publicado no catálogo, abre uma pista particularmente fecunda para entender a contraditória riqueza da sua obra, ora modelo da prioridade atribuida ao desenho (e ao «disegno») sobre a cor, ora exaltada pelas componentes imaginativas e irracionais, ora tomada por paradigma da tradição antiga do sublime, ora valorizada pela «veracidade» do seu entendimento da natureza. É toda a história da devoção demonstrada por Ingres e do interesse de Delacroix, passando Poussin de modelo do neo-classicismo para precursor do romantismo, e logo a seguir reivindicado pelos que procuraram uma representação realista da paisagem («Eis a natureza», diria Corot diante de O Outono), para ser mais adiante modelo de Degas, Pissarro e, em especial, Cézanne, depois dos cubistas, de Balthus e de Lupertz.


Neste sentido, exprime-se também no «regresso a Poussin» pretendido por Rosenberg e outros, se se recordar que o pintor foi referência essencial do «regresso à ordem» dos anos 20, em especial para Picasso, a ideia de que não se esgotou ainda a influência possível desse pintor que amava «as coisas bem ordenadas, fugindo à confusão».


sábado, 27 de agosto de 1994

1994, Brasil, "Memória da Amazónia", Alfândega Porto

"Brasil, Brasis"

«Memória da Amazónia: Etnicidade e Territorialidade»

«Recife, Raízes e Resultados»

Alfândega, Porto, 23 junho a 30 novembro

Expresso 27 08 94

«MEMÓRIA DA AMAZÓNIA» É UMA EXPOSIÇÃO ADMIRÁVEL E DIFERENTE QUE SE APRESENTA NA ALFÂNDEGA DO PORTO. A ANTROPOLOGIA REVÊ A SUA PRÁTICA ANTERIOR EM CONTACTO COM A REALIDADE POLÍTICA DO PRESENTE: O ENCONTRO OU CONFRONTO ENTRE DOIS MUNDOS CONTINUA


À ENTRADA há uma longa parede, fortemente iluminada, onde se expõem citações extraídas das primeiras informações escritas sobre os índios dos Brasil — são «citações de seres e situações fantásticas», segundo o roteiro, porque a estranheza perante o outro desconhecido só podia exprimir-se através da reactualização de antigas descrições mais ou menos míticas: «vimos muitos homens e mulheres que não tinham cabeça e tinham os olhos no peito», Santo Agostinho «dixit»; «eu pensava que estava no paraíso terrestre», Américo Vespúcio, 1502; «próximo do Eldorado existe uma terra das mulheres que se chamam Amazonas e não têm homens», séc. XVI; «outra casta de gente nasce com os pés às avessas», 1663. 

Passa-se, a seguir, da palavra à imagem, em três diferentes suportes: um painel onde se reunem gravuras com as primeiras representações dos povos ameríndios (imagens também fantásticas, menos iluminadas e não individualmente referenciadas); um diaporama que se vê num écran-objecto (é uma escultura «minimalista», em ferro), dedicado às imagens ambivalentes do índio, ora bom selvagem, o da Adoração dos Magos, de Grão Vasco, ora mau selvagem, no Inferno, do Museu de Arte Antiga, até ao rigor naturalista das estampas da «Viagem Philosophica», de 1783-1792; um monitor vídeo com um extracto do filme "Aguirre, o Aventureiro", de Herzog, e um documentário sobre a situação actual dos Yanomani. 





Adiante, um mapa do povoamento indígena no tempo dos primeiros contactos; móveis de um museu do século XIX apresentando material arqueológico e objectos pertencentes a grupos extintos (machados de pedra, cerâmicas, adornos, uma máscara — os mais recentes são de meados do séc. passado, dos Jurupixuna, e já dos anos 70 do séc. XX, dos Arara); urnas funerárias da ilha de Marajó, expostas sobre placas de ardósia e de modo a valorizar a sua beleza artística; por fim, notícias do massacre da aldeia Haximu da tribo dos Yanomani, publicadas na imprensa portuguesa, em 1993.

É o primeiro andamento, o núcleo «Choque», da exposição «Memória da Amazónia, Etnicidade e Territorialidade», apresentada na furna grande da antiga Alfândega pela Reitoria da Universidade do Porto em colaboração com a Universidade do Amazonas, comissariada por J. A. Fernandes Dias, Eglantina Monteiro (antropólogos), Paulo Providência (arquitecto) e Ângelo de Sousa (artista plástico). Seguem-se-lhe os núcleos «Tutela» e «Afirmação da Etnicidad», que não se verão como sucessivos capítulos de um percurso linear mas como outros tantos recomeços de uma mesma exposição, cobrindo o mesmo horizonte temporal com novas perpectivas de abordagem, com diferentes olhares.

Neste ano de Lisboa Capital Cultural, aqui se proporia, se tal distinção existisse, o prémio de melhor exposição de 94 para esta iniciativa portuense. 


OUTRA ANTROPOLOGIA...




O visitante desprevenido confronta-se, de imediato, com uma exposição diferente, capaz de provocar as mais desencontradas reacções, do desconforto ou da rejeição extrema perante a distância em relação à norma, até ao interesse em aprofundar a originalidade expositiva e teórica deste projecto. É a segunda via que se procurará seguir adiante, já com recurso a esclarecimentos prestados por Fernandes Dias, docente da Faculdade de Belas Artes de Lisboa e do Departamento de Antropologia da U. de Coimbra.


Esta exposição é diferente, desde logo, pela extensa utilização da escrita como material expositivo e pelo recurso a diversos suportes de apresentação de imagens (gráficas ou em movimento), que, como os textos (enunciados programáticos e citações), forçam o visitante a demorar a sua passagem. Depois, já em relação ao terreno específico da antropologia, pela recusa evidente de algumas das suas regras habituais: a estetização dos objectos «primitivos» ou a sua contextualização por referência a uma história encerrada, ou fatalmente condenada, onde a valorização de uma inocência perdida é o único limite admissível para o olhar neutral do cientista. 

Aqui, pelo contrário, fala-se de massacres e de estratégias de sobrevivência, expõem-se recentíssimas cartilhas de alfabetização que fixam a escrita das línguas indígenas e um quadro das actuais organizações auto-representativas dos índios — em «Afirmação da Etnicidade» —, apresenta-se uma realidade política de contornos imprevisíveis, que é conflituosa já no momento presente (o debate sobre a auto-representação das nações índias está a processar-se em cumprimento da constituição brasileira de 1988) e potencialmente explosiva no futuro (confronte-se com a situação em Chiapas). A neutralidade, afinal, não é possível.


Uma exposição é quase sempre uma espécie de album de estampas: mostram-se séries de imagens ou colecções de objectos acompanhadas por breves legendas. Far-se-ía assim a prova de uma suposta facilidade de ver contra as agruras do livro de texto, oferecendo-se a síntese fácilmente acessível de um qualquer saber constituído, o «digest», a ilustração preguiçosa de um discurso. Em geral, é para ver depressa, para percorrer ou atravessar, e pode ser também, é cada vez mais, já em dimensão industrial, um espectáculo, da ordem da recreação, da ocupação de tempos de lazer, da «animação urbana». 

No caso presente, não só se contrariam tais lógicas, mas sem qualquer sacrifício do seu impacto visual, como a própria exposição se constroi como um exercício crítico em relação à disciplina que é suposto ilustrar, em consonância com uma reorientação radical do estudo antropológico das sociedades indígenas que se vem observando no Brasil, aliás, já com sensível atraso em relação a situações idênticas da restante América. E não será por acaso que uma iniciativa académica dedicada ao «encontro de culturas» foi acolhida pela Universidade do Porto mas não despertou qualquer interesse da parte da Comissão dos Descobrimentos, que lhe concedeu um subsídio de apenas 300 contos, naturalmente recusado pela Reitoria (o roteiro conserva ainda o seu emblema oficial, por ser anterior a tal episódio). 


E ARTE CONTEMPORÂNEA


Voltando à construção da diferença expositiva e conceptual deste projecto, há que destacar a criação de mobiliário original (expositores e meios de iluminação com intervenção escultórica e valor semântico) e, em especial, a montagem sequencial em cenários onde é visível um grande investimento ao nível da concepção plástica: neles se consegue sempre uma mobilização significante dos recursos do espaço, dos materiais, da luz, da cor e do som, em condições sucessivamente diferenciadas que se percorrem como outros tantos ambientes ou instalações.





De facto, a prática museológica encontra-se aqui com processos importados do território da arte contemporânea e é questionada ou descontruída por eles. Mas as instalações (por exemplo a «sala à Kosuth» da secção «Tutela» ou a feira de artesanato indígena do terceiro núcleo) têm sempre um preciso sentido funcional e teórico, até porque os responsáveis pela arquitectura interior participaram como comissários de parte inteira na construção conceptual da exposição: elas não são meros efeitos de teatralização, veiculam uma nova forma de pensar a antropologia, diferenciando as diversas relações com os objectos que se estabeleceram ao longo do tempo ou os significados e valores que lhes são associados em diversos contextos ideológicos. Não é impunemente que se ocupa o cenário fortíssimo da galeria subterrânea e granítica da Alfândega do Porto, onde há alguns meses se podia ver a instalação de Ângelo criada para as 2as Jornadas de Arte Contemporânea.


Diferença, ainda, é a estratégia de apresentação de muitos dos objectos em conjuntos, ou acumulações (outra situação tomada da arte contemporânea), a qual permite subverter a relação formalista com o objecto etnográfico que se constituiu com a arte do princípio do século; e também a opção pela não identificação individual das peças expostas, substituída por referências colectivas e compreensivas (textos «Trançar o mundo», para a cestaria; «Mudar de pele», as máscaras, no núcleo «Tutela»). Assim se mantem a evidência de uma margem permanente de desconhecido, que é propiciadora de intranquilidade para a vontade de conhecer-«dominar» do visitante, e se constrói um outro modelo de mostra antropológica que é «menos uma exposição de objectos do que de contextos de significação dos objectos» (F.D.). Existem, no entanto, problemas de localização de algumas das tabelas e também de legibilidade do roteiro, devido a erradas opções gráficas.


Importa sublinhar, ainda, que os materiais expostos estão, na sua esmagadora maioria, inventariados e reproduzidos em publicações recentes, e, por isso, a própria ausência de catálogo, neste caso (também excepcional), não se afigura uma lacuna: esta é uma exposição com uma genealogia recente, está directamente relacionada com as que a precederam sobre o mesmo tema e convida a revê-las criticamente.


É o caso de «Índios da Amazónia», no Museu de Etnologia, em 1986, que, por sua vez, actualizava a exposição pioneira de 1966, na SNBA, «Arte do Índio do Brasil», com a recolha de Vitor Bandeira; de «Memória da Amazónia — Alexandre Rodrigues Ferreira e a Viagem Philosophica», organizada em 1991 pelo Museu Laboratório Antropológico de Coimbra;  e de «Nas Vésperas do Mundo Moderno  Brasil», promovida pela Comissão dos Descobrimentos no Museu Nacional de Etnologia, em 1992, sendo comissário geral  Jill R. Dias e Benjamim Pereira o responsável pela concepção e realização da exposição. 


Entretanto, a actual mostra propõe uma outra linha paralela de reflexão em torno da criação artística, dos artefactos produzidos para consumo dos brancos ao artesanato índigena actual comercializado pela Funai, e da atenção à dimensão simbólica e artística que excede o valor funcional dos objectos tradicionais até à apresentação de obras realizadas sobre suportes ocidentais por artistas indígenas (Chico da Silva) ou outras de artistas eruditos que trabalham sobre referências indígenas (Marcelo Silveira e Flávio Emanuel). A simultaneidade de uma segunda exposição na Alfândega sobre arte popular brasileira, «Recife, Raízes e Resultados», constitui uma poderosa amplificação de toda esta problemática. 



AUTO-REPRESENTAÇÃO


Fernandes Dias diz que neste projecto se pretendeu «identificar as limitações das formas das exposições tradicionais» e que a respectiva montagem partiu de «duas preocupações assumidas, uma de carácter temático, sobre a sua narrativa científica e crítica, e outra de linguagem expositiva, com um forte investimento estético», porque esta «não é uma exposição de objectos, é uma exposição de conceitos». Tratava-se de «expor um tema», em deslocação do interesse pelos vestígios materiais e pela história das suas interpretações para a atenção aos «modos de relacionamento entre índios e brancos», ou seja, à «situação actual das sociedades indígenas no contexto multi-étnico da Amazónia brasileira».  

Esta situação é caracterizada, segundo F.D., pela ocorrência constante de novos factos políticos referentes aos povos indígenas e pela «manifestação poderosa de inúmeras organizações de auto-representação desses mesmos povos», o que não pode deixar de ter «reflexos profundos na própria investigação antropológica, e nas tarefas e papéis do antropólogo». De facto, «os movimentos emancipatórios recentes abalam não só a tutela das instituições que os dominam ainda, como a própria legitimidade dos intérpretes que se exprimem em seu nome».


Dos contactos preparatórios estabelecidos no Brasil por Eglantina Monteiro e Fernandes Dias, nomeadamente com lideranças indígenas, através da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazónia Brasileira, fundada em 1989 e contando com a presença de representantes organizados de 55 povos índios), resultou a «noção clara da importância, na vida política e social, que a reivindicação de uma identidade étnica diferenciada passou a ter para os indígenas e para a sociedade nacional». Ao contrário da perspectiva antes dominante nos estudos antropológicos, a extinção ou a conservação, aquela reivindicação «é uma manifestação de vitalidade persistente, quer na defesa das tradições quer na capacidade de inovar face à coexistência com os brancos».


Por isso se escreve no texto que se exibe como prefácio à exposição: «Convidamos os visitantes a descobrir os modos como os (povos indígenas) souberam sobreviver, e como querem garantir a sua existência no futuro. Desmentindo a imagem dominante que deles se fez, como seres efémeros, em transição para outra coisa — a cristandade, a assimilação, o desaparecimento». 

Aí se deve ler também que o processo resultante do «descobrimento» de 500 «é visto aqui como um encontro e confronto imprevisíveis entre dois mundos», e que a exposição se organiza em «três espaços que correspondem a três tipos de situações de contacto interétnico na Amazónia do Brasil, que podem estar e estão presentes desde o século XVI aos nossos dias: choque, tutela , afirmação da etnicidade».

Em vez de uma narrativa unificada pelo devir histórico, pela mapa geográfico, pelas áreas de recolha e de saber etnográfico, «cada um destes espaços mostra que modo de relacionamento caracteriza cada situação de contactos, que ideias sobre o outro formularam os dois intervenientes no contacto, que resultados daí decorreram».

Entretanto, a própria exposição (até 30 de Novembro) é um processo em aberto: em Setembro será publicada uma «Revista» onde se fará a caracterização teórica do projecto e a sua ilustração através da montagem realizada; seguir-se-á, em Outubro, um ciclo de vídeos e, por fim, um colóquio internacional. Conta-se com uma conferência inaugural de Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga responsável pela edição, em 1992, da História dos Índios do Brasil (Ed. Companhia das Letras), e com as participações, entre outros, de David Maybury-Lewis, presidente da Cultural Survival, com sede em Harvard, de Francesco Pellizzi, antropólogo americano que é consultor dos Chiapas e foi o fundador do seu Museu, de Philippe Descola, coordenador do número da revista «L'Homme» dedicado a «La remontée de l'Amazone» (1993), de antropólogos brasileiros e de dois ou três representantes indígenas com formação universitária. As actas do colóquio serão publicadas pela U. do Porto, que também dedicará a este projecto o seu próximo «Boletim», a sair em Novembro. 


as exposições anteriores referidas

«Nas Vésperas do Mundo Moderno  Brasil», Comissão dos Descobrimentos no Museu             Nacional de Etnologia, 1992 - cat*

«Memória da Amazónia — Alexandre Rodrigues Ferreira e a Viagem                         Philosophica» Museu Laboratório Antropológico de Coimbra, 1991 - cat* (apresentada no Mosteiro dos Jerónimos em 1992 e ainda no Museu Municipal Dr Santos Rocha, Figueira da Foz, numa nova versão)

«Índios da Amazónia», no Museu de Etnologia, em 1986

«Arte do Índio do Brasil», SNBA, 1966 (recolha Vitor Bandeira)

e também, num tema próximo: "Os Negros em Portugal - sécs. XV a  XIX", Mosteiro dos                                     Jerónimos,  Comissão dos Descobrimentos, 1999

 

e NOTAS semanais


AMAZÓNIA/RECIFE, Alfândega

08-06-94

«Memória da Amazónia: Etnicidade e Territorialidade» e «Recife. Raízes e Resultados», duas  exposições da Universidade do Porto, em colaboração com Universidades brasileiras. Da «viagem philosophica» de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792), através dos objectos da colecção do Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra, até aos actuais «artistas populares» do Recife, as duas mostras, apresentadas em notáveis condições de montagem, são um acontecimento de excepcional importância. 


AMAZÓNIA/RECIFE

13-08-94

«Memória da Amazónia: Etnicidade e Territorialidade» é a terceira apresentação do espólio etnológico da «viagem philosophica» de Alexandre Rodrigues Ferreira (entre 1783 e 1792), conservado no Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra e na Academia das Ciências, numa exposição que apresenta igualmente informações e objectos contemporâneos sobre os mesmos grupos étnicos, com recurso a materiais de proveniência brasileira resultantes de recentes trabalhos de campo e também a documentos que traduzem o processo actual de progressiva organização autónoma e auto-representação das nações índias. 

A possibilidade de estabelecer uma ligação compreensiva entre aquela colecção etnográfica pioneira, a história de cinco séculos das relações de entre dois mundos, ditos primitivos e civilizados, e ainda a situação actual configura um original projecto de exposição, estabelecido em três tempos, «Choque», «Tutela» e «Afirmação de etnicidade», que se prolonga num exercício de montagem de rara eficácia conceptual e visual, com recurso ao vídeo e aos textos escritos em painéis, de que se encarregaram conjuntamente J. A. Fernandes Dias e Eglantina Monteiro (antropólogos), Paulo Providência (arquitecto) e Ângelo de Sousa (pintor). Alguns problemas de inteligibilidade (tabelas e roteiro) poderão ser resolvidas com a edição, em Setembro, de uma «Revista da Exposição». 

«Recife. Raízes e Resultados» é uma segunda exp., também de excepcional qualidade, dedicada a actuais «artistas populares» do Nordeste do Brasil, numa extensa representação de gravadores, pintores, escultores, poetas de folhetos de cordel e também ex-votos, brinquedos e estandartes de Carnaval. (até 25 Set.).


Memória da Amazónia 

Recife. Raízes e Resultados

Expresso 20-08-94

«Memória da Amazónia: Etnicidade e Territorialidade»: partindo do espólio etnológico da «viagem philosophica» de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792), o percurso da exp. organiza-se em três tempos históricos, «Choque», «Tutela» e «Afirmação de etnicidade», reunindo informações e objectos de grupos étnicos extintos e/ou actuais, com recurso a materiais de proveniência brasileira resultantes de recentes trabalhos de campo e também a documentos sobre o processo actual de organização autónoma e auto-representação das nações índias. O uso informativo do vídeo e dos textos escritos, assim como a concepção da montagem, reforçam a originalidade desta mostra (até 30 Nov.).

«Recife. Raízes e Resultados» é uma segunda exp., organizada pelas Universidades de Pernambuco e Paraíba, comissariada pelos arquitectos Moisés Andrade e Janete Costa, que reune obras de artistas populares do Nordeste do Brasil, e também de alguns artistas eruditos que trabalham sobre raízes populares e ainda objectos de produção anónima ou colectiva, como os ex-votos e estandarte de carnaval. Nomes a reter, num conjunto de notáveis representações que torrnam problemáticas as fronteiras estabelecidadas e renovam algumas questões decisivas sobre o lugar das artes: Gilvan Samico e José Costa Leite, xilogravadores, o segundo também poeta; Mestre Lourenço, Mestre Gualdino e Manuel Eudoxio, escultores em madeira, barro e cerâmica pintada; Francisco Amâncio, dito Bajado, "um artista de Olinda", pintor dos anos 60/70; Montez Magno, pintor que trabalha sobre a arte popular geométrica (até 25 Set.).


MEMÓRIA DA AMAZÓNIA 

RECIFE. RAIZES E RESULTADOS

07-09-94

Duas exposições inter-relacionadas e que se dotaram de excepcionais condições cenográficas, não como exercício de decoração de espaços, mas como condição de definição conceptual de novos entendimentos. A primeira faz da repreapresentação de um espólio já mostrado, mas completado por novos materiais, uma data de viragem na apresentação de testemunhos das sociedades indígenas brasileiras, e reflecte novas condições de relacionamento entre «mundos», ditos civilizados e primitivos. A segunda é uma notável mostra de arte popular, que, para lá da qualidade dos objectos reunidos, recentra a sua abordagem por efeito do estabelecimento de um largo horizonte que vai da produção artesanal anónima à criação erudita. 


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A REVISTA MEMÓRIA DA AMAZÓNIA... existe na Biblioteca de Artes mas está mal catalogada: o principal autor: J.A. Fernanes Dias não consta 

e em vez dos autores e comissários (J.A, Fernandes Dias / Eglantina Monteiro / Paulo Providência e Ângelo de Sousa) referem-se os nomes "in memoriam", o designer e os fotógrafos...