domingo, 3 de junho de 2018

Dante Vacchi, fotógrafo, aventureiro e fantasma

Dante Vacchi. fotógrafo e aventureiro, com 3 livros publicados em Portugal, com Anne Gauzes, os dois 1ºs em 1965, ed. de autor; o 3º s/data (1963?). A 2 de Junho, na Revista do Expresso-Revista, é objecto de um artigo de Diogo Ramada Curto, e refiro adiante outras pesquisas.










Diogo Ramada Curto refere-me a propósito do livro Penteados de Angola e da série de fotógrafos que se interessaram por penteados, mas comenta o livro de Dante Vacchi adoptando o formulário anacrónico e esquemático agora em voga: «um projecto de fazer representar as populações nas suas características mais tribais e arcaicas» (…) «procurou fixar como estática uma cultura tribal e primitiva. E tentou atrair a atenção de um público alargado, recorrendo ao chamariz suscitado pelo erotismo ou por uma espécie de pornografia camuflada, altamente estetizada das fotografias a cores.» (A acusação é errada, e voltamos assim a ameaças de censura…).

Os penteados ocupam um importante lugar nas publicações dos etnógrafos-fotógrafos de Angola. O 1º terá sido o engenheiro Fernando Mouta com o álbum "Etnografia Angolana (subsídios) - África Ocidental Portuguesa (Malange e Lunda)" - edição luxuosa da 1ª Exposição Colonial Portuguesa, 1934. A seguir, o advogado e activo fotógrafo Elmano Cunha e Costa, com fotografias em várias obras (Castro Soromenho, Henrique Galvão) e a exposição no SNI em 1951, acompanhada por catálogo: "Catálogo da exposição de Penteados e Adornos Femininos das Indígenas de Angola, promovida pela Agência Geral das Colónias sob o patrocínio se S. Exª o Ministro das Colónias. Documentário fotográfico...", com 8 estampas. Depois, o missionário e antropólogo erudito Carlos Estermann: "Album de Penteados do Sudoeste de Angola", 1960. 

1. uma nota antiga no blog.
Penteados de Angola, 2009

2.  O inventor do lança-foguetes, 2009: Miguel Machado, site www.operacional.pt "No inicio de 1962 aparece em Nóqui (Norte de Angola) um jornalista italiano aparentemente o serviço da revista francesa “Paris-Match” chamado Cesare Dante Vacchi. Aventureiro e falador já teria acompanhado as tropas francesas na Argélia e consegue autorização para se juntar às tropas portuguesas em operações. De imediato começa a fazer sugestões acerca do emprego táctico em acções de contra-guerrilha, em grande medida desconhecido dos militares nacionais.
Assim no Batalhão de Caçadores 280 do Exército, tenta-se uma nova experiência: Os “Comandos”. Vacchi integra a primeira equipa de instrutores que formaram estas tropas especiais do Exército."

lanca-foguetes-de-37mm-para-tropas-terrestres 

3. Giovanni Damele, 2015, Scribd. O texto mais informado sobre Dante Vacchi
Dante-Vacchi-e-i-Comandos-portoghesi-Appunti-per-una-ricerca

4. Observador, Pedro Raínho, 2017. Fontes militares: António Neves e Raul Folques: "Fora os livros que publicou, Cesare Dante Vacchi é como um fantasma que deixou uma marca profunda no Exército para desaparecer de seguida."
dante-vacchi-o-pai-fantasma-dos-comandos-portugueses

5. Sobre o livro Les Jésuites en Liberté:  "In the same commemorative spirit, Dante Vacchi and Anne Vuylsteke published Les jésuites en liberté, a coffee table book illustrated with numerous photographs and published by Filipacchi. The dedication alludes to the “Arrupe affair” and the book obeys a geographic breakdown: the Americas, Asia, Madagascar, Africa, the Middle East and Europe, where France only gets a mention in the context of the late eighteenth-century condemnation. The French edition is prefaced by André Ravier’s article published fifteen years earlier and printed unchanged."
Dominique Avon and Philippe Rocher, “Historiography of the Society of Jesus: The Case of France after the Order’s Restoration in 1814”, in: Jesuit Historiography Online. Consulted online on 02 June 2018 <http://dx.doi.org/10.1163/2468-7723_jho_COM_192562>
First published online: 2016

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