terça-feira, 3 de novembro de 2015

MOIRA FORJAZ



A ilha mostrada na Ilha. 1982?




1º salão da Associação Moçambicana de Fotografia, 1981


Imprensa-Nacional, Casa da Moeda 1982 (*)

Com Susan Meiselas:


(*) A Ilha de Rui Knopfli, poesia e fotografia, dez anos antes 
( Edição Minerva Central, Lourenço Marques, 1972 )

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Moçambique, 4 fotógrafos

O que faz a importância excepcional da fotografia de Moçambique, que me parece só ter paralelo na da África do Sul (um patamar acima, claro, pq a AS é um imenso país com uma imensa história), valorizando não a actual concorrência no mercado dos festivais e instituições, mas a continuidade e pluralidade criativa através de várias gerações? Como se podem ponderar as variáveis que fizeram a diferença da fotografia de Moçambique? 
Tem de referir-se a personalidade forte de Ricardo Rangel e a capacidade de se afirmar como foto-jornalista independente e crítico com uma carreira sempre ascendente na imprensa colonial, até à direcção da revista Tempo no início dos anos 70 (e conta aí a transigência táctica do poder colonial com um grande fotógrafo mestiço e oposicionista, alimentando alternativas intermédias entre as veleidades dos independentistas brancos e os nacionalistas negros, favorecendo elites mestiças para como quem divide para reinar e aposta em todos os tabuleiros). 
A repressão política poupou-o (preso a distribuir panfletos nos anos 40) e a censura nunca o silenciou quando intervinha como editorialista fotográfico.  E Rangel passou ao novo regime da independência, atravessou a revolução e a guerra civil e a normalização relativa, como figura independente (também crítico da nova situação) e como formador de fotógrafos. Criticou a nova imprensa oficial em "Foto-jornalismo ou foto-confusionismo" (2002) e foi eleito para a Assembleia Municipal de Maputo (1998-2003) pela lista de cidadãos "Juntos pela cidade". A mesma luta em diferentes condições políticas, com uma habilidade excepcional.
Entretanto, é indispensável juntar a Rangel o nome de Kok Nam, parceiro de jornais e da Tempo, grande foto-jornalista de carreira também muito longa ( repórter da guerra civil na rectaguarda e mais tarde director do semanário Savana até à morte). 
E falta perceber qual foi o papel de Rogério - Rogério Pereira (n. Lisboa 1942 - Setúbal, 1987) -, fotógrafo português em Moçambique, regressado no final da década de 70, inadaptado aos vários regimes. Fotografou desde 1966 em Lourenço Marques; trabalhou no Sunday Times, Johannesburg, 1968. Colaborou na revista Drum (1969, 1973), presente em exposições colectivas em Johannesburg e Cape Town desde 1969 e 1972 (refere "Images of Man", promovida pelo "International Fund for concerned photography"), segundo informações do próprio no catálogo "Momentos", Gulbenkian 1981 - de uma exposição que à data foi desvalorizada, e estava-se diante de um fotógrafo radical, revoltado e irrecuperável, com imagens de uma grande veemência crítica, indisciplinadas. Frequentou os meios do jazz com Ricardo Rangel e certamente facilitou a relação deste com outros fotógrafos sul-africanos. Imagino que foi Rogério que levou Rangel a expor com Basil Breakey (fotógrafo de jazz de Cape Town) em 1973, no Núcleo de Arte, fazendo-o passar da página impressa para a parede de uma galeria. Em 2002, a 1ª edição do Photofesta, Encontros Internacionais de Fotografia de Maputo, dedicou-lhe uma exposição de homenagem.
Sem contactos conhecidos com Rangel e Rogério, mas bem relacionado com jornalistas como Honwana e Craveirinha, e em geral com o meio das artes, Pancho Guedes faz um uso moderno e eficaz da fotografia, sem que esta seja valorizada em si mesmo como disciplina funcional e/ou arte, ou objecto de exposição. Não é nem se intitula fotógrafo, é arquitecto, pintor e escultor. Mas fotografa tudo, e é relevante a sua presença fotográfica impressa no início dos anos 60: o manifesto “A cidade doente, várias receitas para a curar. O mal do caniço e o manual do vogal sem mestre”, dupla página em A Tribuna, 9-6-1963; as páginas de Aujourd’hui: Art et Architecture, nº 37, 1962, com os "Mapoga", e Architecture d’Aujourd’hui, 1962, Juin-Juillet, sobre a sua arquitectura. Também neste domínio tem uma intervenção irreverente e influente. Moira Forjaz encontra-o desde 1961. No Núcleo de Arte, de que foi colaborador activo, movimenta-se uma Tertúlia Fotográfica e alguns amadores dos quais vêm a participar em "Moçambique a Preto e Branco", ed. de Natal da empresa Codam, 1972, cuja nota introdutória  é seguramente da autoria de José Luís Cabaço, depois ministro da Informação da RPM.
 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

1. "Sobre o que ficou por fazer, adianta que o Museu Nacional de Arte Popular só não se transformou num centro cultural do Brasil porque do outro lado do Atlântico não se avançou com um centro correspondente para Portugal."

2. "O Museu Nacional de Arte Popular, praticamente vazio há anos, deverá fazer parte da lista de melhorias necessárias. Em 2013, Barreto Xavier disse que queria ter um projeto para o espaço até finais de 2014. A tutela trabalhou “muito com o Brasil”, com o objetivo de ter em Portugal “um grande centro cultural do Brasil”, e, em simultâneo, um centro cultural de Portugal do outro lado do Atlântico. No entanto, o diálogo com a ministra brasileira da Cultura, Marta Suplicy, foi interrompido com a sua demissão da pasta, em novembro de 2014. Barreto Xavier chegou a visitar o Rio de Janeiro e São Paulo com o objetivo de encontrar um espaço para a cultura portuguesa, mas, “até hoje, apesar de haver vontade de ambas as partes, ainda não há do lado do Brasil uma proposta efetiva de um edifício compatível com a presença portuguesa” numa daquelas duas cidades. Com a implementação do projeto de gestão integrada, e “independentemente de quem for o próximo Governo”, é urgente “encontrar uma solução relevante” para o museu. Só não especifica se apenas projetos museológicos serão considerados."
in, "Um dia à boleia de Jorge Barreto Xavier. O deve e o haver de três anos à frente da cultura"
23 Setembro 2015, Observador, Sara Otto Coelho

From Maputo (2013)


“From Maputo” / “De Maputo” 

Photographs by José Cabral and Luís Basto

In the space between pioneer photographer Ricardo Rangel and the new photographers who have taken part in BES Photo and Gulbenkian’s Next Future – Mário Macilau, Mauro Pinto and Filipe Branquinho –, there are the works of those who differed from what we might refer to as the Mozambican school of photography, the photojournalistic and humanist tradition, which, incidentally, has quite a few good authors in its ranks. 

José Cabral (b. 1952, Maputo) is the man behind the rupture, having instilled the desire for a personal discourse in Mozambique’s photography collective, a discourse based upon a wide knowledge of international photography and in broad cultural interests, going beyond the national and African framework.



The autobiographical reference in his last three exhibitions – “As Linhas da Minha Mão” (The Lines of My Hand), 2006 Maputo, Photofesta; “Anjos Urbanos / Urban Angels”, 2009 at P4 Photography, Lisbon and Maputo, “Espelhos Quebrados” (Broken Mirrors), 2012, Maputo – is a courageous contribution to bringing to light the role and place of the beholder, and in doing so, in exposing his own history as well, is a lucid artistic intervention in the present events of a rapidly changing country. Both during and after the collective dynamic, with its unforeseen and often terrible setbacks, it was time for each artist to question himself, as well as the sense of a common path. In “De Maputo” there are works of those three exhibitions on display: personal anthology, children (Cabral’s and the other people’s, with an obvious differentiation in skin colour and social means) and the near self-portraits signalling courses of life and relationships.
José Cabral is now the cultural reference and the unruly master of young photographers, with an extensive body of work dating back to 1975, when he began working as a photographer at the Instituto Nacional de Cinema (National Film Institute), followed by few years as an agency photojournalist, a newspaper photographer for Notícias e and Domingo, with Rangel, in 1981-82, and, later, a professor at the Centro de Formação Fotográfica (Centre for Photographic Education), between 1986 and 1990. In 1996 he published his first book, Guerra da Água (Water War), on Ébano Multimédia, in association with a Licínio de Azevedo film of the same name (in colour, with printing problems). He has tried to get by as a photographer in Maputo, which is no easy feat.



Luís Basto (b. 1969, Maputo) is also a self-taught photographer, with a unique and recognizable language, present in international collective shows such as “Africa Remix” (2004) and Okwui Enwezor’s “Snap Judgments – new positions in contemporary African photography” (2006), in which he was Mozambique’s sole representative. While building a large database of documentary footage of the country (www.mozambiquephotos.com), Luís Basto has also been a photographer of the city and the of the ability to survive that lies therein: “The empty years are decades gone; with them the fate of a generation who had to fight war for other men’s reasons. Many born into peace have no memory of the fragmented lives that flooded the city as wandering souls. Where we came from and where we are now is framed not as much by time as by the dimensions of city space. We are in the windows, behind the doors, reflected citizens in all our contradictions.” – Berry Bickle e Luís Basto, in Luís Basto fotógrafo, Éditions de l’Oeil, 2004.

Moira Forjaz is the author of Muipiti, Ilha de Moçambique (Muipiti, Island of Mozambique) – text by Amélia Muge, Imprensa Nacional, 1983 – published without her supervision). Born in Zimbabwe in 1942, she visited Lourenço Marques / Maputo regularly since 1961. Holding a degree in Graphic Arts from the Johannesburg School of Arts and Design, Moira Forjaz worked as a photojournalist in Southern Africa since 1964, and lived in Maputo between 1975 and 1988. She helped create the Associação Moçambicana de Fotografia (Mozambican Photography Association), in 1981, and directed two films in that same year. Other publications: Ruth First, Black Gold: The Mozambican Miner, Proletarian and Peasant, St. Martin's Press, New York / Harvester Press, Brighton, 1983 (photographs) and Images of a Revolution: Mural Art in Mozambique, Zimbabwe Publishing House, Harare, 1983 (Albie Sacks, text, Moira Forjaz, Susan Meiselas, photographs). Moira Forjaz went back to showing her work in 2009, “Kukumbula (Memórias) 1976 – 1986”, Espaço de Kulunguana, Maputo.

2013: with Moira Forjaz and Rogério (two small tributes) 26.06.2013


Going back in time, the exhibition includes two works by two authors who, in different ways, brought experience back from Rhodesia and South Africa to Maputo so as to develop original and independent careers in the years after independence, which they later interrupted.



Rogério Pereira was a photographer and photojournalist working in South Africa (1968-1977), Mozambique (1973-1979) and Portugal (1979-1987), whose formally demanding, politically committed and restless production stood out. Born in Lisbon in 1942, he was seven years old when he moved to Mozambique, and 45 when he died of cancer in Setúbal, Portugal, in 1987. In 1973 he exhibited at the Núcleo de Arte (Center for Art) with Ricardo Rangel and Basil Breakey. In 1981 he showed his work at the Gulbenkian Foundation (“Momentos”). In 1990 he was honoured with a retrospective show in two parts at the Associação Moçambicana de Fotografia (Mozambican Association of Photography), in collaboration with Ricardo Rangel, Kok Nam and José Pinto de Sá, who wrote the accompanying text. “Verdade” (Truth), another retrospective of his work, was part of the first edition of Photofesta, in 2002. 


"De Maputo", em 2013 no Centro InterculturaCidade

https://interculturacidade.wordpress.com/2013/07/23/de-maputo-fotografias-de-jose-cabral-e-luis-basto/

“DE MAPUTO” Fotografias de José Cabral e Luís Basto (e duas pequenas homenagens a Rogério Pereira e Moira Forjaz)


25 de Julho 18:00 Inauguração da exposição

26 de Julho Apresentação de filmes e livros sobre a fotografia em Moçambique

Produção d’A Pequena Galeria/Alexandre Pomar, agora no Centro InterculturaCidade

6. Maputo, 1989
José Cabral. Maputo 1989

Entre o pioneiro Ricardo Rangel e os novos fotógrafos que têm passado
 pelo BES Photo e o Próximo Futuro da Gulbenkian – Mário Macilau, Mauro Pinto e Filipe Branquinho
 –, existem as obras dos que se distanciaram daquilo a que se pode 
chamar a escola moçambicana de fotografia, a tradição fotojornalística e
 humanista, que conta, aliás, com um número extenso de bons autores. 
José Cabral (n. 1952, Maputo) é o homem da ruptura, que veio trazer ao 
colectivo da fotografia de Moçambique a necessidade do discurso pessoal,
 fundado num conhecimento alargado da fotografia internacional e na 
abertura a interesses culturais amplos, para além do quadro nacional e 
africano.

A referência autobiográfica presente nas suas últimas três exposições (“As Linhas da Minha Mão”, 2006 Maputo, 3º Photofesta; “Anjos Urbanos / Urban Angels”, 2009, P4 Photography, Lisboa, e Maputo; “Espelhos Quebrados”, 2012, Maputo) é uma contribuição corajosa para pôr em evidência o papel e o lugar de quem observa, e que assim, ao expor também a sua história própria, intervém lucidamente como artista nos acontecimentos do presente de um país em mudança. Durante e depois da dinâmica colectiva, com as suas vicissitudes imprevistas, e também terríveis, era tempo de cada um se interrogar a si mesmo e ao possível sentido do percurso comum. Vêem-se agora em “De Maputo” obras escolhidas dessas três exposições: a antologia pessoal, as crianças (os filhos de Cabral e os dos outros, com uma óbvia diferenciação de cor de pele e de meios sociais) e por fim os quase auto-retratos que sinalizam percursos de vida e relações (agora sob o título geral “De Perto”).

José Cabral é hoje a referência cultural e o mestre indisciplinado dos jovens fotógrafos, com uma extensa obra realizada desde que em 1975 começou a trabalhar como fotógrafo no Instituto Nacional de Cinema, a que se seguiram alguns poucos anos de repórter fotográfico de agência, depois no Notícias e no Domingo, com Rangel em 1981-82, mais tarde professor no Centro de Formação Fotográfica, de 1986 a 1990. Em 1996 publicou o primeiro livro A Guerra da Água, edição da Ébano Multimédia associada ao filme de Licínio de Azevedo com o mesmo nome (a cores, com problemas de impressão). Tem tentado viver como fotógrafo em Maputo, o que é bem difícil.

02 cadeira 2013
Luís Basto, Cadeira II, Maputo, 2013

Luís Basto (n. 1969, Maputo) é igualmente um autodidacta, com um 
discurso próprio e reconhecido, que esteve presente em colectivas 
internacionais como “Africa Remix” (2004) e “Snap Judgments – new 
positions in contemporary african photography” (2006) de Orkui Enwezor, 
aqui como único representante de Moçambique. Ao mesmo tempo que tem 
construído um grande banco de imagens documentais do país (www.mozambiquephotos.com), é
 um fotógrafo da cidade e da capacidade de sobreviver que aí se refugia:
 “Os anos vazios passaram; com eles o destino de uma geração que deveria
 combater pelas razões de outros homens. Muitos nascidos na paz não têm 
memória das vidas fragmentadas que inundavam a cidade como almas 
penadas. Donde viemos e onde estamos agora enquadra-se menos no tempo 
que nas dimensões de espaço da cidade. Estamos nas janelas, atrás das 
portas, cidadãos reflectidos em todas as nossas contradições.” – Berry 
Bickle e Luís Basto, em Luís Basto fotógrafo, 2004, Éditions de l’Oeil, Montreuil.

Recuando no tempo, a exposição inclui presenças simbólicas de dois autores que, de modos diferentes, trouxeram a experiência adquirida na Rodésia e na África do Sul para desenvolver em Maputo percursos originais e afirmativos nos anos posteriores à independência, ambos mais tarde interrompidos.

Rogério Pereira foi um fotógrafo e fotojornalista com itinerário na África do Sul (1968-1977), em Moçambique (1973-1979) e em Portugal (1979-1987), que se destacou com uma produção politicamente empenhada e inquieta, de grande exigência formal. Nasceu em 1942 em Lisboa, foi aos sete anos para Moçambique, e morreu de cancro em Setúbal em 1987 com 45 anos. Em 1973 expôs no Núcleo de Arte com Ricardo Rangel e Basil Breakey. Em 1981 mostrou o seu trabalho na Fundação Gulbenkian (“Momentos”). Em 1990 foi-lhe dedicada uma retrospectiva em duas partes na Associação Moçambicana de Fotografia com a colaboração de Ricardo Rangel, Kok Nam e José Pinto de Sá, que escreveu o texto do catálogo. Uma outra retrospectiva integrou o 1.º Photofesta, em 2002, com o título “Verdade”.

Moira Forjaz é a autora de Muipiti, Ilha de Moçambique (com texto de Amélia Muge, Imprensa Nacional, 1983 – editado sem a sua supervisão). Nasceu no Zimbabwe em 1942; visitou Lourenço Marques desde 1961; com formação em Graphic Arts na Johannesburg School of Arts and Design, trabalhou como fotojornalista na África Austral desde 1964, e viveu em Maputo entre 1975 e 1988; participou na formação da Associação Moçambicana de Fotografia em 1981 e realizou dois filmes nesse mesmo ano. Outras publicações: Ruth First, Black Gold: The Mozambican Miner, Proletarian and Peasant, St. Martin’s Press, New York / Harvester Press, Brighton, 1983 (fotografias), e Images of a Revolution: Mural Art in Mozambique, Zimbabwe Publishing House, Harare, 1983 (Albie Sacks, texto; Moira Forjaz e Susan Meiselas, fotografias). Voltou a expôr em 2009, “Kukumbula  (Memórias) 1976 – 1986”, Espaço de Kulungwana, Maputo, e prepara actualmente um livro sobre a sua obra.

A organização da exposição teve a colaboração de Filipe Branquinho em Maputo e em Lisboa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Moçambique 40 anos 4 fotógrafos. Leiria

6 Junho - 22 de Agosto

M/i/mo - Museu da Imagem em Movimento, em Leiria

  Sala 1_5922M/i/mo - Museu da Imagem em Movimento, Leiria link

1. Uma história breve (e recente) da fotografia em Moçambique em 4 vitrinas

Livros 1 _5895
Ricardo Rangel: "R.R. Photographe du Mozambique", Paris 1994.  "Pão nosso de cada noite", Marimbique, Maputo 2004 e "R.R. Insubmisso e Generoso", Marimbique 2014.
Rogério (Rogério Pereira, Lisboa 1942-1987),  MOMENTOS, Fundação C. Gulbenkian, Lisboa, 1982.
MOÇAMBIQUE A TERRA E OS HOMENS, Associação Moçambicana de Fotografia, 1984 (capa de R. Rangel)
e dois DVDs: Licínio de Azevedo, FERRO EM BRASA 2006
e "SEM FLASH - Homenagem a Ricardo Rangel (1924-2009)",  de Bruno Z'Graggen; Angelo Sansone, 2012

4 fotógrafos de Moçambique

Moçambique, 40 anos - 4 fotógrafos
Moira Forjaz - José Cabral - Luis Basto - Filipe Branquinho

No Mimo - Museu da Imagem em Movimento, 
A fotografia em Moçambique, somando os caminhos do fotojornalismo, da documentação e da afirmação artística, constitui uma das dimensões mais reconhecidas da produção e da identidade cultural do país. Para isso contribuiu em especial a figura e a obra de Ricardo Rangel (1924-2009), fotógrafo de imprensa influente desde os anos 60, que se impôs no tempo colonial e exerceu uma eficaz acção formativa depois da independência. Apesar das dificuldade criadas pela longa guerra civil e pela debilidade económica do país, até tempos recentes, Moçambique tem conhecido condições para a prática e a divulgação da fotografia que constituem um caso singular no panorama africano, comprovado por toda uma galeria de autores relevantes e uma assinalável continuidade criativa.

Para apresentar a importância da fotografia moçambicana, optou-se nesta exposição por reunir um conjunto alargado de obras de quatro fotógrafos com lugares destacados e também diferenciados ao longo do tempo, em vez de se procurar reunir uma antologia interessada na enumeração exaustiva dos muitos nomes dessa mesma história. A mostra conta com obras expostas desde 2009 em várias iniciativas e com outras escolhidas para este novo projecto, cuja oportunidade se sublinha na ocasião em que se celebram os 40 anos da independência de Moçambique.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Gravura

Considerando a prática da gravura, o tema da reprodutibilidade (...o W. Benjamin andou a tentar entender, e a sua tentativa tem sido demasiado reproduzida...) distrai com frequência da questão principal: a consideração da originalidade ou especificidade do modo de criação da obra. No caso da gravura a obra original é a impressão sobre papel de um desenho realizado sobre cobre - o que não é o mesmo, quanto à materialidade do objecto e à sua eficácia visual, que um desenho sobre papel ou que a reprodução tipográfica ou fotográfica ou fotomecânica. 
Os processos de criação/gravação e de impressão de uma matriz são muito diferentes entre si. Acontece que algumas obras gráficas (estampas) não chegam a ser objecto de edição, não são reproduzidas/ /multiplicadas, conhecendo-se apenas um ou dois ou pouco mais exemplares impressos (em geral não numerados). 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Entrevista de autor não identificado no site da CMTV. O filme o SOLAR DOS JORGES e a exposição na Galeria Municipal - Paços foram coisas que gostei de fazer. Como estará a casa agora?

http://cm-tvedras.pt/artigos/detalhes/jorge-soares/

Jorge Soares

01.07.2015

Jorge Soares

Azulejos, bidés, candeeiros, pequenas esculturas, bancos, aspiradores, mobílias, telefones, brinquedos… Uma infinidade de objetos reaproveitados fazem do “Solar dos Jorges” um mundo de fantasia singular no concelho, construído ao longo de décadas por Jorge Soares. Antigo jogador de futebol do Benfica, fixou-se há já alguns anos na Boavista depois de reformado. A sua moradia e todo o seu pitoresco universo foram recentemente alvo de um trabalho de vídeo realizado por Alexandre Pomar e Tiago Pereira, o qual esteve patente na Paços – Galeria Municipal. À [Torres Vedras], Jorge Soares falou desse seu mundo, bem como de outras questões como a importância do reaproveitamento de materiais, o seu percurso de vida, a terra que o acolheu e algumas curiosidades interessantes da sua carreira desportiva…

 

Como começou este seu interesse em recolher material para fazer as “obras de arte” que estão patentes no seu solar?

Bem, já quando era miúdo a minha professora de desenho dava-me sempre muito boas notas e dizia-me que tinha muito jeito para o desenho. Entretanto cresci, apareceu o desporto, fui inclusivamente jogador de futebol do Benfica nos juniores, pratiquei também outras modalidades como o atletismo e o voleibol, e essa faceta artística acabou por ficar para trás. Aliás, naquele tempo já ganhávamos como juniores no Benfica, e desisti também por isso dos estudos. Depois casei, nasceram os meus dois filhos, e agora quatro netos, até que comecei a aspirar ter uma casa de férias. Comprei esta casa na Boavista em 1972. A minha mulher faleceu por volta do ano 2000 e, estando reformado, resolvi fixar-me aqui. Se ficasse em Lisboa acabava nos jardins a jogar à sueca e assim estou por aqui a fazer o que me dá prazer, que são os meus trabalhos.

Ainda no tempo em que trabalhava passava pelos vazadouros e ia tentando encontrar alguma coisa que me despertasse a atenção. A partir daí comecei a juntar coisas como é o caso daquelas pias, às vezes encontrava bocados de azulejo partidos e ocorria-me que com aquilo podia fazer uns “bonecos”... Como tenho algum jeito para o desenho, primeiro concebo os trabalhos no papel e depois recorto os azulejos com uma turquês. E assim, a pouco e pouco, fui construindo este mundo, também com poemas que ia fazendo e colocando nas paredes, para além de ir colecionado todo o tipo de objetos, alguns dos quais tenho dentro de casa…

todos nós temos jeito para qualquer coisa

O que me influenciou também para enveredar por estes trabalhos foi o facto do meu pai, que era pedreiro, fazer o aproveitamento de materiais. Por exemplo, havia pessoas que tiravam os azulejos das paredes para as pintar e ele aproveitava, ou tiravam madeiras para pôr alcatifas, e ele fazia o mesmo. Para além disso punha-me a endireitar pregos para reaproveitá-los. E assim ficou esse bichinho em mim. Os azulejos de flor-de-lis que tenho no muro da minha casa eram inclusivamente dele.

Entretanto, as pessoas que passavam pela casa davam-me os parabéns pelos meus trabalhos, incentivando-me a construir este mundo de fantasia.

Para além do seu gosto pelo reaproveitamento de materiais e de passar o seu tempo de reforma a executar estes trabalhos, houve alguma situação que tenha de forma especial despoletado o seu gosto para realizá-los?

Sim. Na altura em que já estava na pré-reforma, a junta de freguesia da zona da Alameda, em Lisboa, organizou um curso, em que até participou o juiz que condenou as FP 25. Durante a semana, ao fim da tarde, a junta disponibilizava o espaço e os materiais e éramos coordenados pelo professor Melício. Até chegou a ser equacionado fazer-se escultura, mas acabou por não acontecer, acabando por se fazer essencialmente trabalhos de pintura. Na sequência desse curso, fizemos inclusivamente exposições em vários locais e chegámos a vender trabalhos. Lembro-me até de um quadro que fiz de S. Jorge e que desapareceu numa dessas exposições. Tinha a intenção de o colocar aqui, mas como tal não foi possível acabei por fazer outro com bocados de azulejo. Foi uma experiência interessante, de vários meses, com gente de todas as idades e era bom porque não pagávamos nada. Talvez tenha sido essa experiência que despoletou em mim a vontade de realizar trabalhos artísticos.

Como escrevi algures aqui na minha casa, todos nós temos jeito para qualquer coisa. No meu caso descobri nessa altura o meu jeito para os trabalhos artísticos.

Tem tido muitas pessoas a visitar o seu solar?

Sim, tenho tido muitas visitas. Os meus trabalhos têm sido muito apreciados.

Já tenho até sido solicitado para abrir a casa a grupos escolares e a outros. Até para fazer aqui uma peça de teatro. Apareceu também aqui o Alexandre Pomar que se interessou muito por isto, e o seu pai, o Júlio Pomar, também já cá esteve. Fiquei muito feliz pelo facto do Alexandre Pomar e o Tiago Pereira, filho do músico Júlio Pereira, se terem interessado pelo meu trabalho e terem feito o vídeo que esteve patente na Galeria Municipal. O Sérgio Godinho também passou por aqui, e gostou muito… A provar tudo isto é o “livro de honra” onde os visitantes podem deixar as suas impressões da visita.

Sou conhecido como o “Gaudi da Boavista

E como é que as pessoas fazem as visitas?

De várias formas. Há pouco tempo apareceu aqui um grupo de amigos que me contactou. Outros passam aqui à porta, param para ver, e eu convido-os a entrar. Há pessoas que até perguntam quanto custa a entrada e obviamente digo que não custa nada. Às pessoas que veem aqui até proponho que tragam familiares, vizinhos, amigos. Há também outros que param, mas acanham-se e não entram. E passam por aqui inclusivamente muitos estrangeiros, que também deixam no livro as suas dedicatórias.

Para além disso, o Expresso esteve aqui e fez uma reportagem com grande destaque na sua revista sobre a minha casa. Há pessoas que até me dizem que já têm ido a muitos museus e nunca viram uma coisa assim. Eu fico muito contente, claro…

Houve até quem me chamasse Gaudi. Sou conhecido como o “Gaudi da Boavista”, e quando fui ao programa do Goucha, ele até me chamou de “Gaudi português”. Aumentou a parada (risos)… Além da TVI também estive na SIC.

Como fim de vida, é uma boa forma de passar o tempo…

Quais são os motivos dos seus trabalhos, as suas fontes de inspiração?

É algo que é difícil de explicar. Eu posso ter um sonho, com determinada situação, e então, transporto isso para o papel e depois executo. Nos jornais, nas revistas, na televisão, também vejo coisas que me inspiram.

Há algum trabalho seu de que goste de forma especial?

Gosto de todos, mas principalmente da figura do S. Jorge a matar o dragão. Escolhi essa figura porque por um lado S. Jorge tem o meu nome e por outro lado é um santo guerreiro. Também tenho alguns quadros com animais e aves de que gosto muito. Aquelas duas parabólicas com um corvo e uma gaivota, que são o símbolo de Lisboa, também é um trabalho de que gosto de forma especial.

A figura do S. Jorge tem alguma relação com o facto de ter chamado a esta sua casa “O Solar dos Jorges”?

Sim, mas o nome desta casa tem mais a ver com o meu nome e o dos meus filhos. Dei esse nome a esta minha residência porque há umas décadas atrás havia ruas que não tinham nomes e as pessoas tinham de dar nomes às suas casas. Dentro desta casa criei até ruas com o nome de familiares como forma de homenagem.

Acha que o seu trabalho é importante no sentido de alertar para a reciclagem dos materiais, numa altura em que não se aproveita nem se arranja nada, compra-se tudo novo?

Eu acho que é importante. Tive um colega numa profissão diferente, já há muitas décadas, que falava da reciclagem, numa altura em que ninguém ligava a isso. Já na altura ele falava da importância de reaproveitar as coisas inclusivamente de forma a matar a fome. Ele batia muito nessa tecla e isso ficou-me na memória, o que também contribuiu para que enveredasse por este caminho de aproveitamento de materiais.

Ao longo da sua vida que profissões e ocupações teve?

Fiz o 5.º ano do liceu, depois o desporto tomou conta de mim, e fui conciliando a vida desportiva com a profissional. Quando cheguei a sénior o Benfica enviou-me para a Régua com um rapaz que veio de Moçambique com o Eusébio, o Zambane, e fui lá campeão de Vila Real. Depois fui jogar para o Loures e o presidente desse clube arranjou-me um emprego num escritório, foi o primeiro que tive. Fui também na altura campeão distrital. Eu queria continuar lá, mas estava vinculado ao Benfica que me enviou para Portimão. Não estive muito tempo no Algarve, acabei por me desvincular do Benfica, e fiz o resto da minha carreira desportiva em clubes como o Nazaré, o Alhandra, o Povoense, o Desportivo dos Olivais e o Costa da Caparica. Até que em 1975 tirei o curso de treinadores. Foi o primeiro em Portugal, em que participou por exemplo o Manuel José. Treinei clubes do distrito como o Venda do Pinheiro, o Vitória de Lisboa, e outros. Fui ainda árbitro. Paralelamente fui vendedor de bebidas, depois fui para uma empresa em que tive como função a de chefe de armazém e trabalhei ainda numa empresa de ar condicionado. Para conseguir amealhar mais algum dinheiro vendi também livros no Círculo de Leitores.

Tendo feito a sua vida em Lisboa, porque escolheu a Boavista para segunda habitação?

Comecei por ver casas na Costa da Caparica, mas não queria ficar muito próximo de Lisboa para manter algum afastamento do trabalho. Ainda vi umas casas no Algarve mas concluí que ficava muito longe. Até que resolvi dar uma volta pela Ericeira e Santa Cruz. Só havia aqui um problema que era o tempo, era uma zona de muito vento. Hoje em dia não é nada comparado com antigamente, quando o tempo era mais agressivo. Lembro-me de estar em tronco nu no quintal e parecia que tinha agulhas a espetar no corpo. Na altura falei com um construtor que tinha uma casa para vender em Santa Cruz, mas que precisava de obras, e acabei por não comprar essa. No entanto ele sugeriu-me esta na Boavista, que acabei por comprar.

E tem gostado desta zona?

Acho que é uma zona agradável. Está-se aqui bem, não falta nada…

Estou na minha casa de manhã à noite, onde passo o meu tempo. De vez em quando também vou dar uma volta, mas passo a maior parte do tempo em casa.

Ainda me lembro de quando aqui cheguei a estrada ser em terra batida. Hoje é alcatroada. Tem havido uma evolução e qualitativa imensa…

Teve uma boa recetividade da instalação/exposição sobre o seu trabalho que esteve patente na Galeria Municipal?

Sim. As pessoas foram dizendo bem dela e no próprio dia da inauguração os presentes estavam bastante agradados…

Não é muito normal pessoas que vêm do mundo do futebol desenvolverem interesse pelas artes…

Sim, é mais pela parte musical que os futebolistas se interessam…

A título de curiosidade, houve alguns colegas seus dos juniores do Benfica que se tenham tornado conhecidos?

Sim, o Simões, por exemplo. Tenho até uma história muito interessante com o Simões. Na minha juventude, com um conjunto de rapazes benfiquistas, fui aos treinos de captação do Benfica. Éramos seis e nenhum ficou. No entanto não desistimos e fomos ao atletismo e dos seis ficamos três. Modéstia à parte, fui considerado o melhor e inclusivamente fui campeão de atletismo pelo Benfica. Só que quis de novo jogar futebol e fui às captações do Sporting. Não falei com nenhum dos meus colegas benfiquistas, fui lá, e acabei por ser aproveitado. E assim fiz uma época nos principiantes do Sporting, que corresponde atualmente aos juvenis. Joguei com jogadores como o Pedro Gomes, o Oliveira Duarte, o Crispim, que atingiram um certo gabarito. E quando acabei a época fui de novo ao Benfica para me submeter às provas. Quando disse que tinha sido jogador do Sporting aceitaram-me logo. E o treinador dos juniores, que era um argentino, chamado Valdeviezo, perguntou-me se eu conhecia o Simões. Perguntou-me se ele era bom, eu disse que sim, e questionou-me porque não jogava pelo Sporting. E o que se passava era o seguinte: o Almada pediu determinado valor ao Sporting pela sua transferência, o que não foi aceite. O Sporting manteve-o durante um ano e passado esse tempo o Simões ficava desvinculado do outro clube sem ser necessário pagar o que quer que fosse. Nos treinos o Simões até jogava contra mim porque na altura eu era defesa direito e ele era extremo esquerdo. Defrontávamo-nos os dois, mas eramos muito amigos. Um dos primeiros jogos que fiz pelo Sporting até foi aqui em Torres, ele acompanhou-nos, mas não podia jogar. E então o Simões esteve um ano no Sporting sem jogar, mas acabou por ir para o Benfica porque este clube chegou a um acordo financeiro com o Almada. Posso dizer que a vinda do Simões para o Benfica teve o meu dedo…

É bom ter a sensação que passei por este mundo e fiz qualquer coisa de relevante

O Simões viria inclusivamente a ser campeão europeu de juniores. Eu e o Bernardes de Torres Vedras chegamos a ser convocados para essa seleção, até tenho uma fotografia tirada com ele, que jogava no Torreense, mas dos 22 convocados houve 6 que não foram à Áustria, e nós fomos desses que acabaram por não ir ao campeonato. Naquele tempo era assim…

Tem algum desejo, ambição, para o futuro?

Bom, gostava de ter saúde para continuar a fazer isto. Por outro lado, que as pessoas venham visitar o meu solar. Por outro lado ainda, que a Câmara continue a apoiar as artes e a cultura.

Para além de fazer um ou outro objeto, não tenho nenhum objetivo em especial. Tenho 73 anos e apenas gostava de ficar para a posterioridade. É bom ter a sensação que passei por este mundo e fiz qualquer coisa de relevante…

 
Última atualização: 23.12.2015 - 16:58 horas
 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ângela Ferreira, com uso indevido de Jorge Dias e Margot Dias

A amálgama realizada por Ângela Ferreira ao juntar imagens documentais filmadas por  Margot Dias e as montagens saudosistas do vídeo "Moçambique - Do outro lado do tempo" (de Luiz Beja - Prod. Beja Filmes, Massamá), projectadas sem identificação reconhecível, vem agravar a repugnância crescente que me tem provocado a actuação tida por artística da referida srª. Parece-me do domínio do abuso de confiança, do desvio delinquente, do confusionismo ideológico primário a coberto do "pensamento pós-colonial". Não estando editados os filmes de Margot Dias, tratou-se de uma utilização autorizada? E por quem? A "obra" de A. F. tem por objecto ou ambição  denunciar o colonialismo de Jorge e Margot Dias e também a cumplicidade entre o Museu Nacional de Etnologia e o antigo Ministério do Ultramar - tudo com base na indigência analítica, na preguiça metodológica e na debilidade formal das fotos que mandou fazer, bem como da construção apresentada como escultura. 


Tratar-se-ia, diz a apresentação no catálogo, de uma "visão perspicaz da vida e da obra dos antropólogos" Jorge Dias e Margot Dias..., sobre "a agenda política escondida por trás das investigações do casal Dias e das suas alianças com o regime salazarista"..., que "faculta ao público a possibilidade de ler nas entrelinhas". É grave o equívoco em que induz os incautos.



Ora nem se trata do resultado inédito de alguma investigação original, ou do uso de informação desconhecida, nem as afirmações que constituem a denúncia de uma "agenda escondida" são legítimas e correctas.

Há mais alguém (da área da Antropologia, por exemplo) que se incomode?

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Moira Forjaz, Muipiti e outras datas

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O artista espontâneo

O Rui Poças chamou fotógrafo espontâneo ao António Saramago, que expõe na Pickpocket (até 24 de Abril). A fórmula ou classificação parece-me rara, ou não me lembrava de a encontrar.

Depois encontrei artista espontâneo num escrito de Fernando Pessoa referente a Alberto Caeiro:

"Dir-lhe-ei, e estou certo que concordará comigo, que nada há mais raro neste mundo que um artista espontâneo — isto é, um homem que intelectualiza a sua sensibilidade só o bastante para ela ser aceitável pela sensibilidade alheia; que não critica o que faz, que não submete o que faz a um conceito exterior de escola ou de moda, ou de “maneira”, não de ser, mas de “dever ser”."
Fernando Pessoa, carta a Adolfo Rocha (Miguel Torga), Junho de 1930

terça-feira, 14 de abril de 2015

O Solar dos Jorges




O SOLAR DOS JORGES

Enquanto houver um espaço livre, Jorge Soares irá acrescentar sempre novas figuras às paredes e muros exteriores da vivenda que comprou em 1972 como casa de férias, perto de Lisboa, onde nasceu - situada a pouca distância da Praia Azul (Boavista, Silveira, Torres Vedras). Chamou-lhe Solar dos Jorges, incluindo os nomes dos dois filhos. Depois de reformado e viuvo, já no início do século, passou a dedicar todo o tempo às decorações murais em fragmentos de azulejo, pedras roladas e outros materiais encontrados, bem como às esculturas e instalações com objectos heteróclitos que foi antes acumulando e que continua a recolher para lhes dar novos usos. 

Transformou todas as fachadas da vivenda original e deu uma nova pele às paredes da casa e aos muros junto à estrada, inventou monumentos no jardim (mais um barco, um poço, uma ponte), criou um labirinto de ruas e recantos, baptizou-os com os nomes dos familiares mais próximos, ergueu uma torre e hasteou uma bandeira, gravou versos em pedra, instalou colecções e abriu um museu privado. Todas as superfícies são invadidas por uma decoração proliferante, ordenada em painéis figurativos ou caoticamente distribuida, criada com uma grande diversidade de materiais, técnicas e inspirações, sempre com materiais reciclados e meios de trabalho rudimentares. É a construção de um universo pessoal, um puzzle enciclopédico, muitas vezes paródico, obra de um mestre do azulejo recortado que é antes de tudo um humorista.

sábado, 11 de abril de 2015

Estreia do filme O SOLAR DOS JORGES, a 17 de Abril, que continuará em exibição diária, acompanhado por uma exposição fotográfica documental.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pequena Galeria: Retratos

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Auto-retratos e retratos de fotógrafos

Podem percorrer-se as duas paredes compactas de fotografias seguindo-lhes os números e o roteiro impresso. Pode deambular-se livremente pela Pequena Galeria apontando reconhecimentos ou preferindo a disponibilidade para os encontros ocasionais. Podem identificar-se figuras com notoriedade pública, nomes conhecidos, ou perseguir afinidades pessoais e gostos próprios, os desconhecidos.
A quantidade (e as qualidades) das fotografias reunidas pelo Guilherme Godinho e a Marta Cruz oferece múltiplas pistas e permite muitos diferentes itinerários. Por exemplo através dos auto-retratos: de Emílio Biel, circa 1895 (que também aparece logo ao lado fotografado por Carlos Relvas, numa prova com o passepartout impresso do autor, apresentada em Paris em 1882), de Fernando Lemos, de José Cabral (por duas vezes, em família, em provas vindas da mostra "Anjos Urbanos" (P4, 2008), e também retratado por Luís Basto, em 2004), de José M. Rodrigues e António Júlio Duarte, de Rita Barros (na foto junta).
E mais de Inês Moura aka Cretina ( http://c-r-e--t--i-n-a.tumblr.com/ ) e da sueca Malin Bergman https://instagram.com/vivaladiva_/ , já com uma outra dinâmica serial e de projecto, encenando o autor como actor, ou como modelo num jogo de construções-ocultações. E entre outros casos ainda a averiguar o Self Portrait de Guilherme Godinho é já outra coisa.
Aos quais - auto-retratos - se podem juntar os retratos de fotógrafos por olhos alheios: Man Ray por Ida Kar, Ricardo Rangel por Sérgio Santimano, no lançamento de Pão Nosso de Cada Noite, em 2005, numa prova pertencente a José Cabral; Manuel Álvarez Bravo por Clara Azevedo (nos Encontros de Coimbra de 1984), Paulo Nozolino por Luís Pereira, de 2012.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Exposição Colonial de 1934, Henrique Galvão (doc.)

 "O império Português na primeira Exposição colonial Portuguêsa : realizada no Palacio de Cristal do Pôrto de junho a setembro do ano de 1934, Album-catálogo oficial : documentário histórico, agrícola, industrial e comercial - paisagens, monumentos e costumes, 1934"




sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Brito Camacho, 1923

A caminho d'África

"O preto é mais do que uma besta e menos de que uma pessoa?
Ha, então, que fazer, em relação a elle, uma zootecnia que seja um pouco mais do que élevage, a creação e preparação de animaes de trabalho, tanto mais uteis quanto forem mais aptos e mais fortes.
O preto é um homem como o branco, apenas retardado de muitos séculos no seu desenvolvimento moral?
Ha, então, que o instruir e educar como se fosse branco, desenvolver gradual mas sucessivamente as suas faculdades animicas, só com o elementar cuidado de não exigir que elle faça o que os brancos não puderam fazer, isto é, saltar d'um estado de sociabilidade rudimentar, quasi zoologica, para um estado de socialização perfeita.
Se o preto, nas regiões tropicais, não pode ser substituido pelo branco nos seus labores agricolas, tudo aconselha, o humanitarismo e o interesse, a olhar para elle com solicitude, impedindo que se desvalorize pela doença e prematuramente se aniquile pela morte. Sinto-me negrophilo pela razão e pelo sentimento, ficando assim marcada uma orientação ao meu procedimento governativo."

Alto comissário em Moçambique de 1921 a 1923
Manuel de Brito Camacho foi um médico militar, escritor, publicista e político que, entre outros cargos de relevo, exerceu as funções de Ministro do Fomento e de Alto Comissário da República em Moçambique. Fundou e liderou o Partido Unionista. Wikipédia