segunda-feira, 28 de abril de 2014

Angola 1938 - Arte Photographica

http://artephotographica.blogspot.pt/2014/04/esquecido.html

No blog do Sérgio B. Gomes, Arte Photographica, o texto que publicou em duas páginas do Público a 6 de Abril - onde me chamava galerista.

Esperava que o Álbum fosse em breve digitalizado no site MEMÓRIA DE ÁFRICA.

E também será comentado (o álbum, os seus autores, o acontecimento que esteve na sua origem, o seu contexto fotográfico, as incógnitas que o envolvem, etc) no próximo Workshop do MUSEU DO TEATRO, a 8 e 9 de Maio: Fotografia / Investigação / Arquivo.


esquecido : "Luanda 1938, um olhar desconhecido"

Fotografia da primeira sequência do Álbum Comemorativo da Exposição-Feira de Angola, 1938

Luanda 1938, um olhar desconhecido

É um objecto gráfico imponente e que dificilmente passa despercebido. Mas o certo é que passou. A historiografia recente ignorou tanto a realização da feira como o Álbum Comemorativo que dela surgiu.

(Público, 6.04.2014)

A longa sequência de mais de cem fotografias começa com uma imagem óbvia nas inaugurações: uma cerimónia de corta-fita, onde o general Oscar Carmona, de farda alva, se destaca com a tesoura na mão. E a fita cai. Mas a partir daqui pouco parece encaixar muito bem no Álbum Comemorativo da Exposição-Feira de Angola, certame que se realizou em 1938, em Luanda. Como aliás toda história (ou a falta dela) desta obra esquecida e muito pouco estudada, que é um dos mais surpreendentes e notáveis fotolivros realizados em Portugal na primeira metade do século XX.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

1938

Hipótese 1:
o que no Álbum comemorativo é a exaltação do moderno e da expectativa do desenvolvimento económico (conforme o desígnio oficial então identificado com a gente Pró-Angola, os colonos e as elites dos naturais brancos e pretos - invocando Norton de Matos explicitamente através do precedente da Exposição Provincial de Benguela - Nova Lisboa, 1935) aparece nas outras más fotografias conhecidas e em alguma informação (Diário de Lisboa da época) como uma iniciativa desmesurada e árida, sem população visitante que a justifique. O álbum fotográfico é uma obra de excepção. A Exposição é angolana, sem Henrique Galvão nem António Ferro.

De facto, não é a exibição que importa (importava) mas a aprovação do Plano de Fomento de Angola (um ano depois do de Moçambique). Formulado em Luanda em 1936, promulgado em 1938 em cima da hora. A notícia dos milhões (80, depois 115,5) ocupa as páginas, e justifica a escala do certame.

Mas o início da II Guerra e a penúria de recursos que dela resulta vai adiar os projectos do Plano (até ao Plano seguinte, já não local mas geral, português - a centralização vai continuar). O governador é promovido para a Diamang; os colonos voltam a reclamar (Monsenhor doutor Alves da Cunha vai deportado para Lisboa em 1941).
Depois da Guerra a história muda, o tempo é já outro, o episódio de 38 é esquecido.

É de Fantasia Africana que se trata, como de costume.
O Álbum de 1938 é um intervalo recalcado entre o Porto 1934 e Lisboa 1940. Uma alternativa inviabilizada


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Angola 1938, no Público, por Sérgio B. Gomes (jornal)




http://www.publico.pt/cultura/noticia/album-da-exposicao

Luanda: Exhibition-Fair Angola 1938

Luanda: Exhibition-Fair Angola 1938


A forgotten or concealed episode of the history of Angola, and a magnificent photographic album about a colonial exhibition that remained ignored. The photographer Firmino Marques da Costa, hidden under the pseudonym C. Duarte; Vasco Vieira da Costa, a customs official and a great architect before he even was one; A Governor-General who represented the economic interests of the colonists  against the centralism of Lisbon - Coronel António Lopes Mateus; and the democrat and autonomist Dr. António Gonçalves Videira, who delivered a speech on behalf of his “colleagues”.




Two years before the imperial Exhibition of the Portuguese World (“Exposição de Mundo Português”, 1940), a very large Exhibition-Fair was held in Luanda, that did not go down in colonial history. Its was meant to display the economic development of Angola in an “expressive and comprehensive documentary”, rather than exalt the regime’s historicist programme and imperial mystique - the norm with colonial exhibitions, such as the Historical Exhibition of the Occupation (“Exposição Histórica da Ocupação”) held in 1937, in the Eduardo VII Park in Lisbon. The exhibition was meant as a “broad demonstration of the results of our colonizing efforts in Angola” [“our” referring to the colonists] and should “follow an eminently utilitarian and practical orientation (…) providing particular emphasis on matters of economic nature”, wrote Governor-General Colonel António Lopes Mateus (from 1935 to 1939) in the preamble to the ordinance that determined the creation of the event1. It was inaugurated on the occasion of President Carmona’s visit to the Colonies in 1938, but it was clear that welcoming the visit was not the purpose behind the endeavor. The Exhibition-Fair was meant as an acknowledgment, representation or  embodiment of the autonomic aspirations in face of Lisbon’s administrative centralism. Such aspirations had repeatedly been manifested and repressed since the early 1930’s.