sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Kerry James Marshall: The Histories, em Londres até 18 jan.


Kerry James Marshall: The Histories


20 September 2025 - 18 January 2026

Main Galleries | Burlington House 

This autumn, experience the epic style of America's most important artist, Kerry James Marshall, whose powerful paintings place the lives of Black Americans front and centre. 

Internationally acclaimed artist Kerry James Marshall is one of the most important painters working right now.

His vivid and mostly large-scale paintings place the Black figure front and centre. Marshall builds upon the Western tradition of history painting and makes visible those people who were so noticeably absent in the works that came before him.

These powerful paintings are full of references which span art history, civil rights, comics, science fiction, his own memories and more. He uses these to comment on the past, celebrate everyday life and imagine more optimistic futures.

This exhibition of his paintings will be the largest outside of the US, and the first chance for many to experience his works in the UK.

See 70 works including his monumental commission from the City of Chicago Public Art Program and the Chicago Public Library, Legler Regional Library, Knowledge and Wonder(1995), which has never been loaned before.

Exhibition organised by the Royal Academy of Arts, London in collaboration with the Kunsthaus Zurich and the Musée d'Art Moderne, Paris.

Download our large print guide.

Introduction to Exhibition

Kerry James Marshall (b. 1955, Birmingham, Alabama), is celebrated for his figurative paintings that “unapologetically” centre Black people. This exhibition highlights eleven distinct cycles of his work, the earliest dating back forty-five years, and the most recent premiering here. 

Marshall’s practice is grounded in a deep engagement with the histories of art. He reimagines and transforms the conventions and genres of Western painting, from portraiture and landscape to history painting, a genre that was first concerned with Biblical and mythical narratives, and has been used to depict contemporary political events. 

He also draws from the art of Africa and its diasporas, for instance Kongo ‘nkisi nkondi’ “power figures’”, and Haitian Voodoo ‘veves’ – drawings used to invoke spirits. 

For Marshall, it is important that an artist knows the histories of art in detail in order to contribute to them in powerful, meaningful and original ways. Many of the works in this exhibition address moments in Black history from the Middle Passage and slave rebellions to the Civil Rights and Black Power movements which formed a backdrop to Marshall’s childhood. 

Recently, challenging romantic representations of a past in Africa, his paintings have confronted difficult historical subjects that others prefer to avoid. In the late 1940s and 1950s, popular American artists were championed or their expressive and intuitive paintings. Marshall, by contrast, gravitated towards a more rational approach to picture making, planning his compositions meticulously, every element carefully orchestrated. 

At a time when art was often expected to provide quick meanings, is multilayered works insist on complexity, raising more questions than they resolve.


Madrid, Reina Sofia ew Barcelona, 2014


Dois grandes pintores norte-americanos (por sinal, afro-americanos):
Robert Colescott, 1925–2009, e Kerry James Marshall, n. 1955.



George Washington Carver Crossing the Delaware: Page from an American History Textbook, 1975, Robert Colescott, acrylic on canvas, 84 x 108 in., Private collection, Saint Louis.



School of Beauty, School of Culture, 2012, Kerry James Marshall, acrylic and glitter on unstretched canvas, 108 x 158 in., Birmingham Museum of Art, Museum purchase with funds provided by Elizabeth (Bibby) Smith, the Collectors Circle for Contemporary Art, Jane Comer, the Sankofa Society, and general acquisition funds.
(Claro que o breviário formalista tardo-Greenberg do bando Foster-Krauss-Bois-Buchloch nem os refere - não são pinturas planas d'après Greenberg)

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

João Francisco, "Paredes de Papel" em Torres Vedras, "um jardim"

João Francisco em Torres Vedras: "Paredes Pintadas", duas instalações de pintura em salas dFábrica das Histórias - Casa Jaime Umbelino.

27 set. a 28 março 2026

Aqui, "Sem título - um jardim", 2025, tinta acrílica sobre papel, a ocupar todas as paredes:






"Tendo como ponto de partida os extraordinários papéis pintados na China e exportados para a Europa a partir do séc. XVII, e que ainda sobrevivem em muitos palácios e casas da nobreza, entramos num jardim onde árvores se sucedem, envolvendo a totalidade do espaço. Talvez este jardim, ao contrário das cenas idílicas e auspiciosas presentes nas porcelanas e papéis chineses, seja menos belo ou elegante. Não será certamente menos convidativo à contemplação e à meditação. Talvez seja o jardim que precisamos, ou merecemos, no tempo presente em que vivemos." João Francisco




Na folha de sala que escreveu (e ele é um pintor erudito e é sempre o seu melhor intérprete - e legível, objectivo e inteligível) aponta para um prato de porcelana chinesa que colocou na outra sala em lugar de destaque:


"Este fantástico e raro prato chinês (em porcelana Kraak e possivelmente do séc. XVII) apresenta na decoração do seu painel central um jardim onde, rodeada por plantas, uma ave pousa numa estranha estrutura, quase uma escultura modernista. Esta "estrutura" representa na realidade, embora com alguma fantasia, uma pedra Gongshi, pedras com formas bizarras que eram apreciadas pelos eruditos chineses pelas suas qualidades estéticas e usadas em exercícios de contemplação e meditação.

O que encontramos na segunda sala é então, à imagem desta deliciosa imagem pintada em porcelana, "um jardim"."


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É o que se pode chamar pintura expandida, onde a "imitação" de papel de parede não se repete como padrão, antes se mostra como um jardim contínuo onde árvores e arbustos circundam o espaço sobre uma faixa de terra na qual se acumulam como restos objectos variados, pedras e folhas secas, livros e cartas de jogar, um caderno desenhado, meia caveira animal, uma sapatilha, etc. e também um auto-retrato pintado. Outro encontra-se numa árvore do painel central, entre janelas, acompanhado por retratos que o têm acompanhado em diferentes pinturas (Gauguin é o mais evidente, outros a identificar). 


E nas árvores à volta há flores, fitas coloridas e pássaros pintados, por vezes acompanhados por outros empalhados, juntando peças das suas colecções às que pertenceram ao proprietário da casa, Jaime Umbelino. 


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Passando do quadro à instalação de pintura, J.F. prossegue com o papel de parede ou "Parede de papel" a exploração que antes passou pela referência à tapeçaria "mille-fleur" (gal. 111 2018) e por outras árvores pintadas (Sintra 2022)


"mille-fleur" (gal. 111 2018)



Sintra 2022


quarta-feira, 1 de outubro de 2025

ex-Typepad agora Wordpress + Blogspot e Academia

 


O blog Typepad desapareceu.
Transferi tudo (?), desde 2006 ou 07, mesmo antes de sair do Expresso, para o Wordpress ( https://alxpomararquivo-enzhl.wordpress.com ) e está mais activo o Blogspot ( https://alxpomar.blogspot.com/ ), onde algumas coisas se repetem e tem um bom índice.

José Veloso de Castro, Fotógrafo de Angola 1904-1914 (III)


 É, sem dúvida, um grande fotógrafo, com uma prática diversificada, em cenas de acção e guerra, na observação de nativos e retratos, lugares e cenas de trabalho, com um notável sentido da composição e enquadramento no espaço natural, com um forte interesse sociológico que parece respeitador dos seus modelos, e um gosto pelo auto-retrato que também o identifica como fotógrafo consciente da sua arte. 

Um grande fotógrafo de ou em Angola, fotógrafo militar e colonial, antes de Elmano Cunha e Costa (1935-1939). Foi editor de séries de postais, revistas e livros, mas que pouco expôs em vida, em mostras colectivas relacionadas com a 1ª Guerra, em Londres, Paris e Lisboa (ainda não identificadas) e certamente nunca numa exposição individual.

Curadoria: Carlos Pedro Reigadas. Impressões de Roberto Santandreu (colaboração da Galeria Arte Periférica)

Tenente Veloso de Castro - 1910
(legenda?) Combate no reconhecimento a Macuvi - 1907


Na Sala Vasco da Gama

 
 "Mulher do Lubango". 1910

'Prisioneiros de guerra' - 1907

Congo - Ribeira do Bende - 1914

 "Actual rei do Congo" - 1914


https://www.belasartes.ulisboa.pt/jose-veloso-de-castro-a-revelacao-de-um-artista/

terça-feira, 30 de setembro de 2025

José Veloso de Castro, major; Fotógrafo de Angola 1904-1914 (II)

 O Pedro Reigadas dá a conhecer um grande fotógrafo no Museu Militar: “José Veloso de Castro. A Revelação de um Artista” até 31 de dezembro.

Com muito boas impressões feitas pelo Roberto Santandreu ( dimensão 46x61cm).

As fotografias não eram desconhecidas na área da história militar e colonial (foi também editor de séries de postais, de livros e álbuns, e revistas), mas é agora que surge agora como um excelente fotógrafo, um artista, de facto.

120 fotos são apresentadas no Museu, distribuídas ao longo de 22 salas do Palácio/Museu - se as fotografias perdem assim alguma visibilidade é certo são uma oportunidade para (voltar a) visitá-lo, e recomenda-se.




Sem querer exagerar, arrisco que por vezes me faz lembrar o Sebastião Salgado, pela relação entre a figura e a paisagem, ou o contexto próximo, pela empatia pelos personagens e grupos nativios, e a atenção à sua dignidade - pelo menos nas fotografias escolhidas para a exposição.



segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Veloso de Castro no Museu Militar (I)

 O major José Velloso de Castro não era um desconhecido, mas antes de Pedro Reigadas e Roberto Santandreu imprimirem as chapas de vidro em magníficas provas modernas não era reconhecido como um dos grandes fotógrafos das décadas de 1900-1910 - com a altura de um Benoliel seu contemporâneo.

Editou livros e séries de postais, públicos revistas, escrevia muito bem e era um dos “coloniais” (a distinguir de colonos) crítico da administração centralista e defensor de uma crescente autonomia.

As suas fotografias acompanham acções militares (a “pacificação” e ocupação de território em cumprimento de acordos internacionais) e explorações do interior de Angola; vêem indígenas e colonos brancos com as famílias mistas, costumes e trabalhos; encenam retratos e auto-retratos notáveis. É um fotógrafo consciente do valor estético das suas imagens e é um artista - agora revelado no Museu Militar de Lisboa até 31 de dez.José Veloso de Castro.  




#

Datas de produção 1904  a  1914 

existem 1 álbum com 2355 positivos fotográficos e 7 caixas de negativos em vidro.

Veloso e Castro prestou serviço como militar durante cerca de quatro décadas em África, sobretudo em Angola, terminando a sua carreira como Major de Infantaria em 1924. Durante a sua passagem por Angola dedicou-se não só às operações militares, como também à fotografia, deixando-nos um valioso legado fotográfico onde são retratadas não só a fauna e a flora angolanas, como também a sociedade, cultura e elementos geográficos desse mesmo país. É ainda autor de livros técnicos militares e, também, de história militar do Ultramar.


Divulgação: FBAUL
 José Veloso de Castro: A Revelação de um Artista, a primeira grande exposição dedicada à vida e obra do major e fotógrafo José Veloso de Castro (1869-1945).
Com um espólio de enorme relevância histórica, composto por 2.355 positivos fotográficos e sete caixas de negativos em vidro, esta mostra reúne 120 provas inéditas, realizadas a partir de negativos originais (1904-1912), preservados desde 1917 no Arquivo Histórico Militar.

As imagens foram captadas em Angola, durante as comissões militares de Veloso de Castro, e revelam muito mais do que documentação colonial: mostram um olhar artístico singular, sensível ao movimento, à paisagem e ao quotidiano humano no início do século XX.
Nascido em Braga, em 1869, Veloso de Castro serviu o exército português durante 38 anos, primeiro sob a Coroa e, após 1910, ao serviço da República. Entre 1902 e 1919, passou 16 anos em Angola, onde conciliou operações militares com levantamentos topográficos, fazendo da fotografia uma ferramenta científica e criativa.

A sua obra distingue-se pela modernidade e experimentação: registo de velocidade e movimento, exploração de ângulos inusitados, uso de primeiros planos para criar profundidade. Retratou o seu grupo militar em ambiente natural, mas também dirigiu a lente ao “outro lado” da estrutura colonial, documentando habitantes locais, costumes, rituais, práticas de trabalho, saúde e habitação.

O auto-retrato, presença constante, evidência a afirmação da sua personalidade e o desejo de marcar a sua posição enquanto artista.
Nascido em Braga, em 1869, Veloso de Castro serviu o exército português durante 38 anos, primeiro sob a Coroa e, após 1910, ao serviço da República. Entre 1902 e 1919, passou 16 anos em Angola, onde conciliou operações militares com levantamentos topográficos, fazendo da fotografia uma ferramenta científica e criativa.

A sua obra distingue-se pela modernidade e experimentação: registo de velocidade e movimento, exploração de ângulos inusitados, uso de primeiros planos para criar profundidade. Retratou o seu grupo militar em ambiente natural, mas também dirigiu a lente ao “outro lado” da estrutura colonial, documentando habitantes locais, costumes, rituais, práticas de trabalho, saúde e habitação.

O auto-retrato, presença constante, evidência a afirmação da sua personalidade e o desejo de marcar a sua posição enquanto artista.
Ao longo de 26 salas, a curadoria estabelece diálogos entre o espólio fotográfico e as coleções do Museu Militar, revelando coincidências temáticas, simbólicas, materiais e temporais entre as imagens de Veloso de Castro e o património artístico e militar português.

Na Sala de Exposições Temporárias mostram-se documentos do Arquivo Militar de Lisboa e livros da Biblioteca do Exército que contextualizam o autor e o seu legado fotográfico.
A exposição é comissariada por Carlos Pedro Reigadas, no âmbito do mestrado em Curadoria, Crítica e Teoria da Arte da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Direção de História e Cultura Militar, que tutela o Museu Militar de Lisboa, o Arquivo Histórico Militar e a Biblioteca do Exército.
 
 





Na Sala Vasco da Gama, a representação de Vénus em Concílio dos Deuses, 1903, de Carlos Reis, associada à fotografia Mulheres do Lubango, 1919.


Castro, José Veloso de, 1869-1930

1.

Representações metropolitanas do(s) Outro(s) colonizado(s) nas fotografias
da campanha do Cuamato de 1907 no sul de Angola: Hugo Silveira Pereira

2.
http://www.culturaspopulares.org/textos7/articulos/costa1.htm
Costa, Cátia Miriam. “O outro na narrativa fotográfica de Velloso de Castro: Angola, 1908”. Culturas Populares. Revista Electrónica 7 (julio-diciembre 2008)