sexta-feira, 17 de julho de 2026

2010, Bienal Portugalarte nº 2

Restauradores, ruinas, bienal Portugal Arte 2010 

2010, Lisboa, escultura pública, "Bienal Portugal Arte 2010"

Páginas de história (da arte)

A Bienal Portugalarte

Para memória futura e para "contextualizar" a inauguração de hoje (todos ao Pavilhão de Portugal às 19h!) recuperam-se documentos históricos de grande importância para a arte em Portugal (ou documentos artísticos de grande importância para a história de Portugal). Fotografias de 2009, do anúncio público da bienal de Lisboa e Grândola. Na Central Tejo.


E ainda há vestígios mediáticos da Bienal:


https://vernissage.tv/2010/07/23/portugal-arte-10-international-survey-of-contemporary-art-in-lisbon-portugal/



quarta-feira, 15 de julho de 2026

2025, AS COMPRAS “DO ESTADO” DESDE 1976. (4) A COLECÇÃO SEC DESTINADA A SERRALVES -- E DEPOIS DE 2019

AS COMPRAS “DO ESTADO” DESDE 1976: NEM SEMPRE SE DESRESPEITARAM OS MUSEUS COMO AGORA (4)
As aquisições programadas de obras de artistas nacionais (para além das compras do antigo MNAC até c.1987, de compras para sedes de embaixadas e outros destinos estatais) foram iniciadas por David Mourão-Ferreira, então secretário de Estado da Cultura (1976-Janeiro de 1978, e 1979), sendo Fernando Calhau, funcionário da Divisão de Artes Plásticas da Direçcão-Geral da Acção Cultural (DGAC), o seu primeiro responsável.
Nos anos 70 e 80, "o compromisso entre a ação do Estado e a Coleção teve maior continuidade" (cit. A. Carita, abaixo), através de Fernando Calhau e Fernando Pernes, no quadro do projecto do Museu de Arte Moderna no Porto, que viria a ser Serralves. E em 1985, a SEC apresentou a sua colecção destinando-a expressamente ao MAM do Porto.
Em 1995, o previsto MAM surge designado como Museu Nacional de Arte Contemporânea, fixado o limiar dos anos 60 como programa de acção, em articulação com a periodização prevista para o Museu do Chiado, instalado em 1994, após o fecho do MNAC em 1987.
V. Todolí fixa, em 1997, um novo programa cronológico para a colecção de Serralves, que passa a ter por limiar o final da década de 60, de acordo com uma suposta «mudança de paradigma» que será exemplificada na exposição inaugural «Circa 1968». Através de novo protocolo com o MC, Serralves abdica das obras que lhe tinham sido antes atribuídas e não se enquadram nesse período, a favor dos Museus Soares dos Reis e do Chiado, mas a partilha com este foi um processo tempestuoso. Entretanto um conjunto de obras foi entregue em depósito à Câmara de Aveiro, num episódio mal esclarecido.


2015, Colecção SEC, artigos de Vanessa Rato no PÚBLICO

 Uma viagem ao acidentado mundo da Colecção SEC

Vanessa Rato 

PÚBLICO, 25/07/2015 - 07:58


NÃO PEDI AUTORIZAÇÃO À VANESSA RATO E AO PÚBLICO PARA TRANCREVER OS ARTIGOS, MAS SÂO TEXTOS ESSENCIAIS PARA A HISTÓRIA DA COLECÇÃO SEC/MC. À DATA AINDA SE INVESTIGAVA


Muitas peças estão por localizar. Outras têm entradas como a misteriosa “Gaveta Lis” que ninguém na tutela parece conhecer. Poucos parecem conhecer também a própria Colecção SEC. O PÚBLICO foi consultar o “dossier verde” onde se elencam as suas obras. Uma viagem cheia de acidentes de percurso.


    • Mais


Foto: Parte da Colecção SEC está agora em exposição na nova ala do Museu do Chiado (foto Daniel Rocha) 


Uma exposição e um catálogos esquecidos de há 40 anos

A COLECÇÂO SEC EM 1985


É um volumoso dossier de capas verdes – talvez mais de 20 centímetros de altura. Lá dentro, centenas e centenas de páginas com entradas de obras de arte. Número de registo, nome do autor, título da obra, técnica e suporte, data de realização, valor de aquisição e actual localização – quando conhecida.

Ao longo das últimas duas semanas a Colecção da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) tem estado ao centro de acesa polémica. Foi a partir da demissão do director do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado e da "disputa gestionária" travada entre esta instituição e o Museu de Serralves.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

1995, MENEZ, "Nome: Menez"

Nome Menez 

Expresso, 15-04-95 

 

Três quadros agora expostos na sede da CGD, e pertencentes à respectiva colecção, dão a ver a pintura de Menez mais e melhor do que podem as palavras, e são já um espaço de memória, no momento da sua morte.

«As suas imagens são uma encantação do desconhecido e têm em si suspenso o reflexo duma profundidade inomeada e oculta», escrevia Sophia de Mello Breyner, apresentando-lhe em 1954 a primeira exposição. Ou, Maria Velho da Costa, no catálogo de uma exposição na Quadrum, em 1977: «Quanto da visão é a sabedoria do véu. Vivacíssimo o olhar sob lágrimas reconhece a primeira claridade, ao tempo em que as coisas não haviam perdido pela evidência o seu destino de presença plena, a decifrar dos nomes». E ainda, segundo Júlio Pomar, em 1980: «O mundo em que Menez consente em mostrar-se — ou que ela re-encontra e nos propõe — ergue-se e define-se fora dos hábitos que obrigam as coisas a escolherem-se um nome».





1999 na 111, 2009 em Algés: MENEZ

 Menez no Museu

PALÁCIO ANJOS, ALGÉS, 2009 

ver a menez

foto *L: Menez no Centro de Arte Colecção Manuel de Brito, Palácio Anjos, Algés

Quando os museus oficiais são privatizados pelos respectivos directores (Chiado), ou quando se despejam ao sabor de insondáveis devaneios (Gulbenkian), crescem as responsabilidades de outro tipo de instituições, menos centrais e, afinal, mais sujeitas ao escrutínio público. É o caso  do Centro de Arte de Algés que acolhe a Colecção Manuel de Brito – o único panorama (mesmo parcial) do século XX que é agora visitável em Lisboa (que os estudantes estudem artes através de cromos assegurará sem sobressalto a descendência  das actuais e invisuais autoridades). 

 Mostram-se as primeiras décadas de 1900 através de um acervo de variável importância, de bastante irregularidade mesmo, quanto à representatividade de obras e autores, mas a uma colecção pessoal tem de se começar por agradecer que exista e se exponha. As insuficiências são também as dos próprios artistas, que, muitos deles, não  encontraram condições nem ânimo para ultrapassarem as atávicas dificuldades. O panorama é diversificado e este não é o melhor período da colecção.

Duas obras que antes (em 1994, no Museu do Chiado) não se mostraram, testemunhando a cumplicidade inicial, no Porto, entre António Quadros (A Galinha Pedrez) e Eduardo Luiz (S./T., ambas certamente de 1959) são surpresas com interesse – a tela de Charrua, terceira na parede, deveria procurar outras companhias (apesar dos azuis).

Mas a mostra dedicada a Menez é agora o que mais importa, começando a ilustrar o que foram as "escolhas electivas" do galerista, tal como se designaram os núcleos autorais mais extensos na apresentação da colecção em 1994, por ocasião de Lisboa capital cultural. E começa por surpreender a quantidade das obras reunidas, de pintura sempre, sobre tela e papel, e num caso de moderna tapeçaria: 13 telas numa sala e 24 papéis e obras diversas noutra sala,  mais algumas peças em vitrine com catálogos e livros.