Alexandre Pomar
coisas várias, artes (plásticas, fotográficas e comestíveis), escritos, promoções e embirrações
quarta-feira, 15 de julho de 2026
2025, AS COMPRAS “DO ESTADO” DESDE 1976. (4) A COLECÇÃO SEC DESTINADA A SERRALVES -- E DEPOIS DE 2019
2015, Colecção SEC, artigos de Vanessa Rato no PÚBLICO
Uma viagem ao acidentado mundo da Colecção SEC
PÚBLICO, 25/07/2015 - 07:58
NÃO PEDI AUTORIZAÇÃO À VANESSA RATO E AO PÚBLICO PARA TRANCREVER OS ARTIGOS, MAS SÂO TEXTOS ESSENCIAIS PARA A HISTÓRIA DA COLECÇÃO SEC/MC. À DATA AINDA SE INVESTIGAVA
Muitas peças estão por localizar. Outras têm entradas como a misteriosa “Gaveta Lis” que ninguém na tutela parece conhecer. Poucos parecem conhecer também a própria Colecção SEC. O PÚBLICO foi consultar o “dossier verde” onde se elencam as suas obras. Uma viagem cheia de acidentes de percurso.
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Foto: Parte da Colecção SEC está agora em exposição na nova ala do Museu do Chiado (foto Daniel Rocha)
Uma exposição e um catálogos esquecidos de há 40 anos
É um volumoso dossier de capas verdes – talvez mais de 20 centímetros de altura. Lá dentro, centenas e centenas de páginas com entradas de obras de arte. Número de registo, nome do autor, título da obra, técnica e suporte, data de realização, valor de aquisição e actual localização – quando conhecida.
Ao longo das últimas duas semanas a Colecção da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) tem estado ao centro de acesa polémica. Foi a partir da demissão do director do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado e da "disputa gestionária" travada entre esta instituição e o Museu de Serralves.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
1995, MENEZ, "Nome: Menez"
Nome Menez
Expresso, 15-04-95
Três quadros agora expostos na sede da CGD, e pertencentes à respectiva colecção, dão a ver a pintura de Menez mais e melhor do que podem as palavras, e são já um espaço de memória, no momento da sua morte.
«As suas imagens são uma encantação do desconhecido e têm em si suspenso o reflexo duma profundidade inomeada e oculta», escrevia Sophia de Mello Breyner, apresentando-lhe em 1954 a primeira exposição. Ou, Maria Velho da Costa, no catálogo de uma exposição na Quadrum, em 1977: «Quanto da visão é a sabedoria do véu. Vivacíssimo o olhar sob lágrimas reconhece a primeira claridade, ao tempo em que as coisas não haviam perdido pela evidência o seu destino de presença plena, a decifrar dos nomes». E ainda, segundo Júlio Pomar, em 1980: «O mundo em que Menez consente em mostrar-se — ou que ela re-encontra e nos propõe — ergue-se e define-se fora dos hábitos que obrigam as coisas a escolherem-se um nome».
1999 na 111, 2009 em Algés: MENEZ
PALÁCIO ANJOS, ALGÉS, 2009
Quando os museus oficiais são privatizados pelos respectivos directores (Chiado), ou quando se despejam ao sabor de insondáveis devaneios (Gulbenkian), crescem as responsabilidades de outro tipo de instituições, menos centrais e, afinal, mais sujeitas ao escrutínio público. É o caso do Centro de Arte de Algés que acolhe a Colecção Manuel de Brito – o único panorama (mesmo parcial) do século XX que é agora visitável em Lisboa (que os estudantes estudem artes através de cromos assegurará sem sobressalto a descendência das actuais e invisuais autoridades).
Mostram-se as primeiras décadas de 1900 através de um acervo de variável importância, de bastante irregularidade mesmo, quanto à representatividade de obras e autores, mas a uma colecção pessoal tem de se começar por agradecer que exista e se exponha. As insuficiências são também as dos próprios artistas, que, muitos deles, não encontraram condições nem ânimo para ultrapassarem as atávicas dificuldades. O panorama é diversificado e este não é o melhor período da colecção.
Duas obras que antes (em 1994, no Museu do Chiado) não se mostraram, testemunhando a cumplicidade inicial, no Porto, entre António Quadros (A Galinha Pedrez) e Eduardo Luiz (S./T., ambas certamente de 1959) são surpresas com interesse – a tela de Charrua, terceira na parede, deveria procurar outras companhias (apesar dos azuis).
Mas a mostra dedicada a Menez é agora o que mais importa, começando a ilustrar o que foram as "escolhas electivas" do galerista, tal como se designaram os núcleos autorais mais extensos na apresentação da colecção em 1994, por ocasião de Lisboa capital cultural. E começa por surpreender a quantidade das obras reunidas, de pintura sempre, sobre tela e papel, e num caso de moderna tapeçaria: 13 telas numa sala e 24 papéis e obras diversas noutra sala, mais algumas peças em vitrine com catálogos e livros.
1990, MENEZ entrevista
MENEZ: antes das palavras
Como fala um pintor daquilo que pinta, se detesta o marketing das teorias e das poses, se recusa o cerco dos nomes e a aparência mais fácil das coisas? Menez acaba de ser distinguida com o Prémio Pessoa 90 e a sua pintura oferece-se numa admirável retrospectiva apresentada na Gulbenkian.
QUASE todos os quadros dela se chamam «Sem Título», porque não se podem chamar. Ela não quer dar-lhes nomes, compreendê-los, cercá-los. Ama demasiado a pintura, teme tranquilamente as palavras. Não quer dizer nada que assuste os segredos da vida.
domingo, 12 de julho de 2026
1990 / 12 julho 1994, Inauguração do Museu do Chiado, ex-MNAC
Salvo pelo fogo, 12 julho 1994 (inauguração do novo museu de Jean-Michel Wilmotte)
O próximo MNAC, 3 jan 1990 (com hesitações quanto ao mapa cronológico e pressões de Serralves)
e mais história desde 1987 a 1994 (encerramento compulsivo, mudança de governos, e os protagonistas)
e lá mais abaixo, já em 1995, memória do projecto Alcântara
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"Salvo pelo fogo"
12 Julho 1994 - EXPRESSO Revista pp 24 a 27
O MUSEU ESTAVA ENCERRADO À DATA DO INCÊNDIO E RENASCEU DAS CHAMAS QUE NÃO O ATINGIRAM COM UM MAGNÍFICO PROJECTO OFERECIDO PELA FRANÇA
SE NÃO fosse o incêndio do Chiado, se não fosse a Capital Cultural, que teria acontecido ao velho Museu Nacional de Arte Contemporânea, agora rebaptizado Museu do Chiado?
É o primeiro edifício, mesmo ao lado das obras de Alvaro Siza, a marcar o novo Chiado. Renasceu das cinzas que não chegaram a atingi-lo na noite de 25 de Agosto de 1988 e vai ser inaugurado no próximo dia 12, para ficar como uma das memórias de Lisboa 94, tal como as obras do Museu de Arte Antiga e do Coliseu, ou o «lifting» da Sétima Colina.
No mesmo local, aparentemente quase inalterado, da Rua Serpa Pinto, situa-se agora uma excepcional obra de arquitectura, que constitui - para além da revalorização do antigo recheio do Museu, balizado por um século, de 1850 a 1950, e da prometida actividade futura da galeria de exposições temporárias, que abrirá com os calotipos do pioneiro Frederick William Flower, apresentado pelo Arquivo Nacional de Fotografia - uma intervenção exemplar no centro histórico da cidade.








