sexta-feira, 27 de março de 2026

2026, João Francisco, "Paredes de Papel", Torres Vedras (último dia)

 João Francisco, Torres Vedras, último dia de "Paredes de Papel " na Fábrica das Histórias/Casa Jaime Umbelino, instalação de pintura (ou "pintura expandida"). Duas salas, duas estratégias de ocupação.

Foi um dos acontecimentos periféricos (e discretos - não se trata de um pintor mediático ou oficializado, um artista da corte) que aconteceu em 2025. Com ele mesmo na inauguração (foto abaixo).

Uma das salas é assim, o "Quadro azul", com intervenção do João Francisco sobre dezenas (ou centenas?) de antigas folhas usadas de moldes de tapetes de de Arraiolos. A outra sala é um jardim, e ambas respeitam e se apropriam dos espaços anteriores do coleccionador-proprietário

É outro dos meus pintores preferidos.

 A SALA AZUL





Ele mesno na inauguração, descrevendo o paciente processo de construção do seu trabalho e apontando as suas pistas e referências históricas



João Francisco, "Paredes de Papel" em Torres Vedras, "um jardim"

João Francisco em Torres Vedras: "Paredes Pintadas", duas instalações de pintura em salas dFábrica das Histórias - Casa Jaime Umbelino. (02/10/25)

27 set. a 28 março 2026

Aqui, "Sem título - um jardim", 2025, tinta acrílica sobre papel, a ocupar todas as paredes:






"Tendo como ponto de partida os extraordinários papéis pintados na China e exportados para a Europa a partir do séc. XVII, e que ainda sobrevivem em muitos palácios e casas da nobreza, entramos num jardim onde árvores se sucedem, envolvendo a totalidade do espaço. Talvez este jardim, ao contrário das cenas idílicas e auspiciosas presentes nas porcelanas e papéis chineses, seja menos belo ou elegante. Não será certamente menos convidativo à contemplação e à meditação. Talvez seja o jardim que precisamos, ou merecemos, no tempo presente em que vivemos." João Francisco




Na folha de sala que escreveu (e ele é um pintor erudito e é sempre o seu melhor intérprete - e legível, objectivo e inteligível) aponta para um prato de porcelana chinesa que colocou na outra sala em lugar de destaque:


"Este fantástico e raro prato chinês (em porcelana Kraak e possivelmente do séc. XVII) apresenta na decoração do seu painel central um jardim onde, rodeada por plantas, uma ave pousa numa estranha estrutura, quase uma escultura modernista. Esta "estrutura" representa na realidade, embora com alguma fantasia, uma pedra Gongshi, pedras com formas bizarras que eram apreciadas pelos eruditos chineses pelas suas qualidades estéticas e usadas em exercícios de contemplação e meditação.

O que encontramos na segunda sala é então, à imagem desta deliciosa imagem pintada em porcelana, "um jardim"."


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É o que se pode chamar pintura expandida, onde a "imitação" de papel de parede não se repete como padrão, antes se mostra como um jardim contínuo onde árvores e arbustos circundam o espaço sobre uma faixa de terra na qual se acumulam como restos objectos variados, pedras e folhas secas, livros e cartas de jogar, um caderno desenhado, meia caveira animal, uma sapatilha, etc. e também um auto-retrato pintado. Outro encontra-se numa árvore do painel central, entre janelas, acompanhado por retratos que o têm acompanhado em diferentes pinturas (Gauguin é o mais evidente, outros a identificar). 


E nas árvores à volta há flores, fitas coloridas e pássaros pintados, por vezes acompanhados por outros empalhados, juntando peças das suas colecções às que pertenceram ao proprietário da casa, Jaime Umbelino. 


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Passando do quadro à instalação de pintura, J.F. prossegue com o papel de parede ou "Parede de papel" a exploração que antes passou pela referência à tapeçaria "mille-fleur" (gal. 111 2018) e por outras árvores pintadas (Sintra 2022)


"mille-fleur" (gal. 111 2018)



Sintra 2022


quinta-feira, 26 de março de 2026

2026, José Miguel Gervásio, Montemor-o-Novo

 José Miguel Gervásio em Montemor-o-Novo (até 27 março)

Galeria Municipal: "EU VI, MAS NÃO CREIO QUE TENHA SIDO EXACTAMENTE ASSIM"



"Retratos Falantes", 2025, 73x54cm, série PRF; e "Quadro-âncora (Yo Lo Vi)", 2026, 116x100cm, série Joyciana. Óleos sobre tela.

18/24 03 2026
É um dos pintores que me parecem mais importantes, desde há décadas (expôs na Módulo até 2018), mas é posto à margem das instituições e da universidade. Demasiada cor? Demasiada qualidade e irreverência? Demasiada informação e escrita auto-crítica? É um caso por controlar: o meio persegue os melhores.

Eu vi (Yo lo vi) refere Goya e os "Desastres de Guerra"; é uma dupla pista que indica os acidentes do mundo sobre que a pintura se ocupa (sem agenda de actualidades) e a relação desta pintura com o visto, mesmo se a imaginação, a fantasia e outras informações ou referências artísticas venham perturbar ou enriquecer a transcrição do que se viu. Existiram modelos vivos, encenações fotografadas e objectos físicos fabricados.
Vemos figuras-personagens, retratos e auto-retratos, e em muitos casos mascarados; vemos construções de cartão que são esculturas arquitectónicas -- noutras ocasiões foram também expostas; vemos as máscaras que ocultam rostos e outras que são elas mesmas esculturas pintadas e também são personagens (o "menino de cabeça mole", que com coroa é privadamente chamado Rei Balduíno). Figuras e construções (modelos) circulam entre vários quadros.
Vemos muitas paisagens, onde figuras e objectos se inscrevem desproporcionados, como em palcos de um teatro imaginado mas não narrativo (ou onde a narração permanece enigmática e resiste à “leitura”). Podem ser paisagens/fundos "realistas" e podem deixar adivinhar aproximações a (o estudo de) Cézanne (Montagne Sainte Victoire) ou a Hodler, entre água e céus róseos, simbolistas, O pintor aceita estas hipóteses de interpretação - é um pintor erudito e não só informado, além de virtuoso; falamos igualmente de Vallotton entre outros, de Kerry James Marshall.
Há também paisagens mesmo, só paisagem, em pequenos formatos, onde a condição dos volumes e a matéria da cor importam mais que a possível notação descritiva.
Anotamos os títulos que se repetem, são títulos comuns: "Retratos Falantes", podem ser figuras e máscaras; "Paisagens com Objectos Flutuantes", e também com figuras em acção, personagens; além dos "Quadro-âncora (Yo lo vi)" de maior formato, que dominam a montagem da exposição e sugerem talvez uma série em curso.
A montagem, como em exposições anteriores («Joyciana: Mollies, Pollies & Dollies (Exposição-Linguagem)» no Museu de Évora) em 2021 - e algumas obras de agora já aí se mostraram , 2021-26) é acumulada, continuada em telas de dimensões variadas, sem compartimentarão de géneros nem seriação cronológica, disposição contrária ao gosto pelo design de interiores que marca as apresentações habituais. "A montagem dá continuidade ao trabalho de atelier", escreveu.
Também não existe um "curador" que se interponha entre artista e público, e não faz falta: as paredes de pintura são assim mais poderosas. Há q passar da descrição à interpretação seguindo as pistas propostas pelo autor num texto do breve catálogo.
"Retratos Falantes", 2025, 73x54cm, série PRF; e "Quadro-âncora (Yo Lo Vi)", 2026, 116x100cm, série Joyciana. Óleos sobre tela.#josemiguelgervasio

24 03 26
A exp. termina no dia 27 sexta, e eu ainda estou às voltas com a questão da interpretação. O J.M.G. oferece duas pistas: Goya (Yo lo vi) e Courbet (a "alegoria real, que é um oxímoro ou contradição nos termos).
Também escreveu numa noticia: "A exposição apresenta a pintura como ensaio visual, entendida enquanto processo de pensamento aberto a hipóteses e desvios. Cada quadro surge como uma proposição integrada numa série, em que o sentido se constrói por justaposição, repetição e deslocamento. Neste contexto, o conceito de "pintura-personagem" assume relevo, ao atribuir a cada obra um papel ativo na narrativa fragmentada que se estabelece entre as diferentes peças expostas."
Também oferece um texto no pequeno catálogo (é aí que refere Courbet) que não é fácil (é um excerto de uma tese? - é um pintor erudito e rebelde) onde interroga se "interpretar (é) necessariamente a forma correcta de relação com a pintura".
Fala em ficção ("margens de uma ficção") e em "desconcerto do homem face ao mundo".


25 03 26
As máscaras pintadas por José Miguel Gervásio (exp. em Montemor-o-Novo, até dia 27).


São e não são retratos, são personagens; por vezes vieram ocultar os rostos reais dos modelos que posaram para as suas cenas mais alargadas (alegorias, pintura de história sem mensagem literária); por vezes resultam das (ou concorrem com as) construções arquitectónicas enigmáticas (caixas, casas, torres) que povoam muitos quadros - são "retratos falantes" e/ou "objectos flutuantes".
Podem ser talvez robots ou autómatos, uma (des)humanidade alternativa: mutações, metamorfoses. Às vezes têm nomes privados - o menino de cabeça mole, que com coroa é chamado Rei Balduíno, e de outros nomes não soube. Podem circular por diferentes quadros, recriadas, retrabalhadas. São por vezes assustadores (um fantasma?) ou estão assustadas - introduzem uma dimensão de fantasia ou alucinação numa figuração que é realista até à fronteira declarada da Nova Objectividade. Gervásio não é um pintor de máscaras à maneira dos carnavais críticos de James Ensor.
Recortei aqui pormenores (não sei se é legítimo fazê-lo) ou escolhi máscaras de corpo inteiro que integram, entre paisagens e “Quadros-âncora", as duas grandes paredes da galeria (municipal) onde tudo se torna uma vista do atelier in progress e um teatro de figuras. Outra máscara, a do cartaz, surgiu fisicamente na inauguração.
Há também retratos reais intervencionados e pelo menos dois auto-retratos.
Em tempo: e as máscaras existem.




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07 12 21

À volta das pinturas do José Miguel Gervásio. O R.B. Kitaj escrevia longos textos a acompanhar os quadros (a história, as referências, as condições...) - era uma das marcas de um artista genial (1932 – 2007). O Gervásio escreve títulos que não são menos enigmáticos que os seus quadros; eles fazem parte de um puzzle ou colagem de imagens, citações ou alusões, pistas, indícios, que se "entendem" ou não: os quadros são para ver, não para ler, para ver tudo. "Não se vê nada!" (título de Daniel Arasse, referido abaixo por ele) - não se percebe nada? - ou vai-se vendo, percorrendo, procurando? 

Aqui, o Título: "A invenção das telecomunicações" (2021). Óleo s/ tela de linho. 114,5 x 98 cm.

Um aliás dois dos seus modelos/actores/personagens, uma vista de Montemor certamente, uma das suas construções-esculturas, os objectos-adereços de uma cena teatral (candieiro e manequim) -- os dois personagens comunicam?; o céu e a terra quase vermelhos, as nuvens-fumo (a envolver a árvore sem folhas ou como folhas), um espaço de céu e terra intranquilos e em que entramos ou escorregamos - lava ardente?; as línguas de cor ou balões de BD : mensagens-comunicação sem texto.

A pintura é "maximalista", ficcional sem história, diferente do habitual design preferido dos de-curadores, inalcansável, sedutora e incómoda, e é pintura mesmo, pintura a fazer-se e a ver-se. Desta pintura não se encontra aí pelas colecções públicas.



05 12 2021
pormenor ou parte de quadro. 


Figuras que podemos reconhecer noutras pinturas, personagens identificáveis, às vezes nomeadas, "modelos" que participaram com brio em encenações ficcionais sem tradução conhecida (os títulos não explicam, desafiam), num jogo de cumplicidades; corpos intrigantes com que dialoga o observador, teatro visionário e pictural, visões. 

O que acontece ali no ecrã da tela? A representação realista desrealiza-se para o lado da invenção, do imaginário, como um sobre-realismo não surrealista, embora referindo-o, tal como se refere a nova objectividade, a metafísica e outras  figurações, clássicas e modernas, ingénuas e eruditas, para que se procurarão as chaves possíveis, as perguntas certas, sem resposta. 

A figura na paisagem, mas paisagem abstracta <ou não, vista como real ou pintadas por outros, assim igualmente vistas>, matéria colorida, habitada por objectos e construções volumétricas não referenciais (abstractos <casas-máscara>) que são outra das práticas do pintor-escultor, às vezes expostas. 

Formas invasoras, talvez ameaçadoras, que afirmam a possibilidade da criação de ilusões. Às vezes monstros. O que vemos? O que é o visível? Como representar com humor a inquietação? Como pensar as imagens sem literatura, cenas de fantasia, ficções não literárias?


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Plumba 25 março 2005

Gervásio (na recém-inaugurada Gal. Plumba) expõe oito pinturas formadas pela montagem conjunta de telas de pequeno formato, e a dinâmica que se instala entre o quadro unificado e as suas partes respectivas, mais ou menos reconhecíveis como tal, constitui um dos caminhos que sustentam o olhar do observador. Há um teor narrativo inscrito no que se afigura ser um processo de acumulação, articulação e transformação das partes num todo mais ou menos agregado, mas todo o jogo pictural parece passar pela ocultação ou camuflagem do que, no fazer do quadro, como todo ou conjunção de «episódios», possa ter surgido como representação ou narração reconhecível. As histórias estão lá, mas ocultadas na pintura, numa tentativa determinada de separar imaginário pictural e literatura, e deixando esta para os longos títulos que o pintor dá aos seus quadros.

in "Diálogos e confrontações" -  Em trânsito pelas galerias do Porto 

 25-03-2005


https://josemiguelgervasio.wpcomstaging.com/


Joyciana: Polies, Mollies & Dollies (Museu Frei Manuel do Cenáculo, Évora, 2021)


https://josemiguelgervasio.wpcomstaging.com/pintura/


https://www.facebook.com/reel/195877169147455

quinta-feira, 19 de março de 2026

1990 - 2026, índice artistas históricos, e modernos, exposições e outros (in progress)

 

1990 Monet, as séries de 1889 a 1900Royal Academy: "O novo velho Monet" (15-09)

1994 Poussin, Grand Palais, Paris: «Inesgotável Poussin» (29-10)

1995 Marino Marini, Museu do Chiado: "Esta arte de primitivos" (08-07)

1995 Cézanne, Grand Palais, Paris: "Razão e emoção" (28-10)

1996 Rouault, F Gulbenkian: "A condição humana" (03-02)

1996 Vermeer, Haia: "As cores do silêncio" (09-03)

1996 Balthus em Madrid, Reina Sofia:  "Da vida das imagens" (16-03)

    2000 Balthus de l'Autre Côté du Miroir", filme

    2001 Balthus (1908-2001): "A magia do real" 24/02

1996 Picasso Os retratos de..., MoMA Nova Iorque (31-08)

1997 Picasso e o Mosqueteiro, Museu do Chiado: "Picasso contemporâneo" (01-11)

1997 Picasso, Suite Vollard, Centro Cultural de Cascais
2001 Picasso, Suite 347,  Centro Cultural de Cascais: "Picasso inesgotável"  (08-09)
2006 Picasso«El Contemplador Activo», 1966 ed. 1981, C C Cascais: "Voltar a viver" (01-12)

 

2003 Gauguin, no centenário da morte: "Gauguin, o bárbaro" (03-05)

2004 Matisse, Lettres Portugaises litografias (24-01)

2005 Corot, Museo Thyssen, Madrid: "Corot por inteiro" (30-07)


e modernos

1995, Menez, necrologia, "Nome: Menez" (15-04)

1995, Kabakov no CAM, Encontros Acarte, "Arte total" (09-09)


1996, Bacon em Paris (Beaubourg)  (06-07)


as exposições 


1998 Espanha, OS 98' IBÉRICOS E O MAR, Expo'98, "Pistas para um fim de século" (15-08)

1998 Espanha, DE PICASSO A DALÍ, AS RAÍZES DA VANGUARDA ESPANHOLA, Museu do Chiado, Expo'98, "Espanha, reforma e revolução" (04-07)

1999, Espanha, Palácio Galveias, Pintura Espanhola e Cubana do Séc. XIX (Museu de Havana): "Viragem de século" (25-09)

2000, Espanha, Museu das Comunicações, Col. Telefónica, A FIGURAÇÃO RENOVADORA: "Espanha distante" (01-07)

 

2004 Català-RocaBarcelona/Madrid Anos 50, Galeria da Mitra, "A Espanha do interior" (13-03)


1999 "A Arte do Retrato. Quotidiano e Circunstância", Fund Gulbenkian, "Os rostos do poder" (30-10)

2005 «Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945»,  Tomàs Llorens, Museo Thyssen, "Regresso ao real"  (19-10)

2006, Colecção Rau no MNAA,  "De Fra Angelico a Bonnard" (07-01)


e outros artistas

1995, NEMO em Lisboa, Street Art (02-09)



domingo, 15 de março de 2026

2026, Luis Campos, Endscape, Gal. Carlos Carvalho

 notas do fb



(1) A fotografia de causas é uma das grandes escolas (e tradições) da fotografia. Luís Campos fotografou na Argentina (glaciares da Patagónia que recuam mais de cem metros por ano), na Namíbia (o barco no deserto, neste único caso de avião), nos EUA e em Portugal, "um mundo depois do fim, paisagens desabitadas em que a natureza viva se tornou vestígio". Desde 2013. A mensagem é eficaz e não se trata de ilustrar: as imagens, num preto e branco cortante, têm uma energia própria, uma beleza fatal. Na última das fotos fotografadas (pormenor) há uma ténue flor que se eleva. Expõe-se também um vídeo de 10 minutos trabalhado com os poderes da Inteligência Artificial. (Gal. Carlos Carvalho, até 30 de maio)




(2) "Endscape", vídeo projectado, 10'04'', foi realizado com recurso à Inteligência Artificial e é uma sequência contínua de paisagens de lugares arruinados, vistas urbanas (também Lisboa, Nova Iorque, Paris, etc), lugares públicos (cinema, biblioteca, fábricas), mares, cemitérios de aviões e de navios. Definido e escrito um breve guião, surgiram as imagens em movimento que na montagem digital se vão sucessivamente fundindo numa sequência terrível de catástrofes. É aqui ainda mais explícito e mais inquietante o alarme sobre a degradação e a morte do planeta, ou da civilização. O espectador é capturado, e é difícil esquecer.
Numa exposição anterior na mesma galeria, Luis Campos, médico e fotógrafo, tinha mostrado "Fading" (2023), "uma reflexão sobre extinção dos animais e a degradação dos ecossistemas". Agora em "Enscape" não há seres vivos.