quarta-feira, 27 de maio de 2026

2026, a arte contemporânea do Estado, as aquisições de 2025 são caso de polícia

€79.950 pelo varão de roupa usada?

€40.000?

€41.032??
Quem está a roubar? (notas publicadas no facebook desde 15 05, revistas)
Algum jornal dito de referência pega no escândalo dos preços pagos pelas aquisições anunciadas para a chamada colecção do Estado no Relatório de 2025 agora divulgado? Sim, parece que um orgão da Imprensa vai tratar do assunto> A empresa MMP (Museus e Monumentos, que depende do MC) foi alertada sobre as dúvidas que se levantam, e agradeceu a informação que enviei, mas fará averiguações? Da PJ nada se sabe.
São bastantes as vozes informadas que falam em casos de polícia e que dão exemplos de valores anteriores dos mesmos artistas que agora surgem multiplicados por insondáveis manobras comerciais, à distância dos preços do mercado. Obras ora relevantes ora indigentes, de artistas com e sem notoriedade ou só "emergentes", aparecem com números empolados e injustificados, que não são especulativos porque o mercado está sem regras e sem procura.



O caso mais espantoso é a "obra" The Tearoom (blusões de cabedal, cabides, etc) vinda directamente de algum bar especializado ou loja de roupa usada e que teria custado ao Estado €79.950...
João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira.
Adquirido na Galeria Cristina Guerra

Descrição: Blusões de cabedal, cabides, estrutura metálica e espelho. Dimensões variáveis

"The Tearoom (2024) convoca o universo das subculturas urbanas, em particular o imaginário punk e queer, onde o cabedal funciona como armadura identitária, símbolo de pertença e afirmação política. O espelho duplica a cena e inscreve o espectador no dispositivo, transformando o espaço expositivo num território partilhado de visibilidade e confronto. A disposição coletiva das peças, realça a dimensão comunitária da obra e a sua evocação de espaços de encontro, resistência e performance social." (Relatório)

Mas também a melhor pintura adquirida, Festa das Cruzes, de 1974, de Maria José Aguiar, uma artista menos conhecida do que merece (e voluntariamente arredada da selva artística), apareceu com o preço de €40.000, sem correspondência com circulações conhecidas.
Outro exemplo é o das 3 obras do arquitecto, escultor e pintor Pancho Guedes, de singular carreira em Moçambique e na África do Sul, que de modo algum representam correcta ou dignamente a sua produção tão original: "Valor de aquisição: €41.032", o que não é verosímil.

Não importa percorrer o relatório, com várias obras de desconhecidos, produções efémeras, escolhas irreflectidas e tralha variada..., mas devem vir à superfície as facturas de compra e as identificações dos vendedores.
Sabe-se que o mercado galerístico é em geral insondável e que o segundo mercado, feito pelos leilões, tem atravessado uma notória crise de credibilidade. Poderiam as aquisições do Estado para os Museus e a presente Colecção fantasma (CACE...) estabelecer alguma verdade no mercado da arte. Não é o caso, pelo contrário.

2.

"ALGUÉM ESTÁ METER A UNHA NAS COMPRAS DO ESTADO (do Estado da Sandra).


A tal comissão que compra obras para a chamada Colecção do Estado adquiriu em 2025 três trabalhos de PANCHO GUEDES - "Família vegetal", 1974 / "A força do seu olhar", 1996 / "Um navio aborigene", 2005 - que de modo algum representam adequadamente a sua produção de pintor. Raramente Pancho Guedes aceitou vender obras da sua autoria, ou da sua colecção, mas estas peças estiveram há alguns anos presentes na exposição individual de uma galeria (vendeu-as ou estiveram em depósito?). Agora integraram as aquisições da Comissão segundo o relatório comunicado. Onde foram buscar estas obras?

Pancho Guedes [Lisboa, 1925 - Joanesburgo, África do Sul, 2015]

"Família vegetal", 1974 / "A força do seu olhar", 1996 / "Um navio aborigene", 2005

Guache sobre papel, 51 x 73 cm / Acrílico sobre tela, 50 x 40 cm /

Tinta-da-china sobre papel, 21 x 30 cm

Valor de aquisição: €41.032

É grave a compra de três obras insuficientemente representativas (a haver Colecção ela deve fazer escolhas seguras e garantir acesso ao melhor) e é grave o preço especulativo que se afirma ter pago. Para além da muito original obra de escultura em madeira, Pancho Guedes fez uma pintura importante pela relação com a sua arquitectura, pela intenção do comentário sócio-político e pela procura de um estilo "luso-africano" de matriz popular - nada disso está aqui presente. Foram e fomos enganados.
Entre as compras do relatório abundam obras irrelevantes e preços muito superiores aos do mercado. Tudo ou quase tudo é muito mal feito e as responsabilidades da empresa Museus e Monumentos de Portugal E.P.E. devem ser apuradas.
Se não é possível escrutinar a idoneidade da Comissão nem ajuizar da qualidade das obras (vale tudo depois da "Merda de Artista" do Manzoni e da banana do Cattelan), pelo menos é possível averiguar como se formaram preços muito superiores aos do mercado, ou seja, falseados e especulativos.

É também o caso da pintura de Maria José Aguiar, que é sem dúvida a melhor obra do conjunto de aquisições. Ou é mesmo a única obra importante adquirida. De uma pintora original e admirada que escolheu há anos uma situação de invisibilidade face ao panorama aviltante das artes actuais. Mas o preço é exagerado e inverosímil (algum intermediário meteu a unha. Se não a própria comissão)
Não sou o único a dizer que se trata de casos de polícia.

Maria José Aguiar (Barcelos, 1948)

Festas das cruzes, 1974

Óleo e acrílico sobre tela, 160 x 130 cm

Valor de aquisição: €40.000


Impõem-se averiguações, estamos certamente perante casos de polícia.

1. (15 05)

Quem? O quê? Como? Porquê? Por quanto? Onde? A quem?
O “Estado” paga sem saber o quê, e não se enxerga.

E ELES - os do júri - QUEM SÃO

A Comissão para Aquisição de Arte Contemporânea 2025/2026, escolhida pela directora da chamada Colecção do Estado. https://colecaodoestado.pt/missao/caac/

  • Andreia Magalhães
  • Francisca Portugal
  • Pedro Barateiro
  • Sandra Vieira Jürgens
  • Sérgio Fazenda Rodrigues
  • Susana Lourenço Marques
A "questão de fundo" é a Colecção do Estado e a sua Comissão de Aquiusiuções (CACE)

As aquisições feitas pelo Estado devem ser da iniciativa dos (e com destino aos) museus estatais, conforme as suas colecções e carências, e de acordo com os seus programas e as respectivas direções, não decididas por comissões ad-hoc auto-nomeadas tuteladas por uma medíocre e irresponsável Sandra Vieira Jurgens, que vai sobrevivendo a vários governos por razões insondáveis. 
As compras anuais feitas sem destino e sem programa, ao sabor de cumplicidades ocasionais, a pretexto da Coleção do Estado, desviam verbas e escolhas que caberiam ao Museu do Chiado, ao MAC/CCB e outros, incluindo Serralves (a quem se destinaram as compras realizadas durante os anos 75/85). Importa enriquecer as coleções públicas existentes e importa intervir no mercado, actuando face à oferta dos leilões (actualmente marcada por uma degradação contínua).
Em 2025 a MMP, através da Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios (CABC), integrada por cinco directoras/es, adquiriu 16 obras para oito entidades/equipamentos no valor de 650 mil euros. 
No mesmo ano de 2025, a Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea (CACE) gastou 780 mil euros (58 obras de 35 artistas), para além de haver avultadas contribuições para Serralves e o chamado MAC/CCB, mais os apoios da DG Artes que alimentam coisas e diversões sem sentido público, mais bienais e outras extravagâncias - e o panorama fragiliza-se e adoece com tanta intervenção oficial. Entretanto o MNE não tem meios para se impor e o MAP, ali em Belém, está parado: seriam dois pólos de atracção (a atratibilidade em burocratês) em Lisboa.
À margem destas comissões e orçamentos, Foi aprovada a atribuição ao MAC/CCB de uma verba anual de 500 mil euros para aquisições de obras.

PROTOCOLO PARA REFORÇO DA COLEÇÃO DO MAC/CCB
2026-05-14

A Fundação Centro Cultural de Belém (FCCB) e o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, através do Fundo de Fomento Cultural, assinaram ontem o protocolo que estabelece uma linha de financiamento anual de 500 mil euros destinada à aquisição de obras de arte para a coleção do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB). A decisão, aprovada em Conselho de Ministros, permitirá ao Museu do CCB reforçar a construção de um núcleo patrimonial próprio e desenvolver uma política de aquisições consistente consolidando assim a sua projeção nacional e internacional. (...) Nuria Enguita anunciou ainda a constituição da comissão de aquisições do CCB, presidida pela Diretora Artística do MAC/CCB e composta por Amanda Carneiro, curadora no MASP — Museu de Arte de São Paulo e curadora da Bienal de São Paulo de 2027, François Quintin, diretor da Collection Lambert, em Avignon, Antónia Gaeta, curadora e produtora independente, e Marta Mestre, curadora do MAC/CCB. (Artecapital) 


"Não sei se deva rir ou chorar", escreve um galerista num comentário público.
"Caso de polícia porque já não se trata de dinheiro do erário público porque era nosso… já se trata de dinheiro roubado!!!", escreveu um conhecido colecionador.
"...deste modo o estado só compra 'tralha', escreveu um artista-professor.
"a proveniência das obras de arte é uma parte obrigatória do campo da informação que acompanha a aquisição de uma obra. É indiscutível! não é uma questão de gostar ou não gostar. A ministra da cultura não pode permanecer eternamente calada — o Estado gastou em 2025 cerca de 780 mil euros em 58 obras de arte contemporânea de proveniência desconhecida, com o dinheiro dos contribuintes", afirmação de um colecionador-editor.
"vigarices legitimadas, ao que parece"; "o que propões é como chover no molhado, a gente sabe, é sempre assim, mais SNI menos SNI."; "inquira-se sim, investigue-se, mas temo bem que as consequências sejam zero", comentou um ex-dirigente do sector cultural.

Muitos likes, muitos comentários, muitas visualizações. E também um telefonema abespinhado da Cristina Guerra, que assumiu a origem da venda mais cara e ia dizendo que investe muito $ na internacionalização dos seus artista (como se isso pudesse estar incluído no preço!!). Estava visivelmente nervosa, descomposta mesmo, mas parece que ainda não se abriu um inquérito aos factos descritos no Relatório nem a Imprensa pegou no caso. (21 05)

uma foto da directora Sandra enviada por um leitor: Com blusão


"É roubo! Pergunto se o júri aprovou estes preços de compra ou se apenas votou as obras." (AP)

Quase todos os artistas adquiridos são anónimos (nem emergentes, nem promessas). Quase todas as obras são irrelevantes, gratuitas (mas caras). Quase todos os valores são absurdos e feitos à margem do mercado, são especulativos sem haver procura (como se constituem os preços?, e a favor de quem, autores ou intermediários?). Todos ou quase todos os membros do júri são irresponsáveis, convidados aleatórios que nada representam. As aquisições do Estado e a respectiva "colecção" nunca foram tão aberrantes, abaixo de arbitrárias.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

2026, MMP, AVERIGUAÇÕES : "Colecção do Estado", 3 obras de PANCHO GUEDES + valores de compra absurdos + Disparates oficiais sobre JOÃO ABEL MANTA

Duas notas no Facebook e dois casos comunicados por email à empresa Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.

1. "ALGUÉM ESTÁ METER A UNHA NAS COMPRAS DO ESTADO (do Estado da Sandra).

A tal comissão que compra obras para a chamada Colecção do Estado adquiriu em 2025 três trabalhos de PANCHO GUEDES - Família vegetal, 1974 / A força do seu olhar, 1996 / Um navio aborigene, 2005 - que de modo algum representam adequadamente a sua produção de pintor. Raramente Pancho Guedes aceitou vender obras da sua autoria, mas estas peças estiveram há alguns anos presentes na exposição individual de uma galeria (vendeu-as ou estiveram em depósito?). Agora integraram as aquisições da Comissão segundo o relatório comunicado. Onde foram buscar estas obras?

Pancho Guedes [Lisboa, 1925 - Joanesburgo, África do Sul, 2015]

"Família vegetal", 1974 / "A força do seu olhar", 1996 / "Um navio aborigene", 2005

Guache sobre papel, 51 x 73 cm / Acrílico sobre tela, 50 x 40 cm /

Tinta-da-china sobre papel, 21 x 30 cm

Valor de aquisição: €41.032

É grave a compra de três obras insuficientemente representativas (a haver Colecção ela deve fazer escolhas seguras e garantir acesso ao melhor) e é grave o preço especulativo que se afirma ter pago. Para além da muito original obra de escultura em madeira, Pancho Guedes fez uma pintura importante pela relação com a sua arquitectura, pela intenção do comentário sócio-político e pela procura de um estilo "luso-africano" de matriz popular - nada disso está aqui presente. Foram e fomos enganados.
Entre as compras do relatório abundam obras irrelevantes e preços muito superiores aos do mercado. Tudo ou quase tudo é muito mal feito e as responsabilidades da empresa Museus e Monumentos de Portugal E.P.E. devem ser apuradas.
Se não é possível escrutinar a idoneidade da Comissão nem ajuizar da qualidade das obras (vale tudo depois da "Merda de Artista" do Manzoni e da banana do Cattelan), pelo menos é possível averiguar como se formaram preços muito superiores aos do mercado, ou seja, falseados e especulativos.

É também o caso da pintura de Maria José Aguiar, que é sem dúvida a melhor obra do conjunto de aquisições. Ou é mesmo a única obra importante adquirida. De uma pintora original e admirada que escolheu há anos uma situação de invisibilidade face ao panorama aviltante das artes actuais. Mas o preço é exagerado e inverosímil (algum intermediário meteu a unha. Se não a própria comissão)
Não sou o único a dizer que se trata de casos de polícia.

Maria José Aguiar (Barcelos, 1948)

Festas das cruzes, 1974

Óleo e acrílico sobre tela, 160 x 130 cm

Valor de aquisição: €40.000


Impõem-se averiguações, estamos certamente perante casos de polícia.



2. Uma incorrecta homenagem a JoÃo Abel Manta

A ingénua ministra principiante não pode ser "incomodada" por estes dislates? O partido não percebe?
Quem escreve estas prosas oficiais disparatadas? "UMA CRÍTICA À BURGUESIA E AO CONCEITO DE FAMÍLIA"...!!!
"Fiel a uma conceção de arte como intervenção cívica, a obra em análise apresenta uma crítica à burguesia e ao conceito de família, recorrendo à representação de uma fotografia de retrato doméstico segundo os estreitos cânones formais oitocentistas."
Como se podem pedir responsabilidades a um organismo do Ministério da Cultura, a empresa MMP? A um governo de centro-direita assim infestado por complexados e provocadores (anónimos?) em rédea solta, sob tutelas ignorantes e desacreditadas, que deixam correr.
Infiltram-se aqui afirmações inconsequentes e interpretações erradas ao sabor das modas, agora parasitadas por um esquerdismo infantil.
João Abel Manta foi um homem de família, dos pais que herdou à família que criou e com quem viveu.
Falar em "crítica à burguesia" é também um abuso, e poderia dizer-se o contrário. Esta burguesia que retrata e de que faz parte é antiga e sólida, assumida como tal, digna e orgulhosa, uma burguesia consciente e interventiva - e não se trata de forma alguma de uma caricatura.


O texto oficial no Facebook:
"A profícua obra de João Abel Manta, um dos artistas plásticos mais marcantes da contemporaneidade, é lembrada sobretudo pelo cartoon político e pelos trabalhos associados à Revolução dos Cravos.
Contudo, ultrapassa amplamente esse âmbito. Fiel a uma conceção de arte como intervenção cívica, a obra em análise apresenta uma crítica à burguesia e ao conceito de família, recorrendo à representação de uma fotografia de retrato doméstico segundo os estreitos cânones formais oitocentistas.
📍Retrato da família Manta: Abel Manta, Clementina, João Abel Manta, Maria Alice e Isabel.
Século XX [1956]
João Abel Manta (1928)
Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado
Fotografia de José Pessoa
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica"

domingo, 17 de maio de 2026

2007, Margarida Correia, "THINGS" na 111

Margarida Correia

 05/18/2007 (no Blog Typepad, depois Wordpress, agora Blogspot)

Com Edgar Martins, com Brígida Mendes, com Margarida Correia, e outros haverá, muitas das fotografias de novos autores portugueses estão a ser feitas fora de portas. Importa agora a terceira, com uma primeira exposição na Galeria 111, "Things", depois da presença forte na Monumental em 2006, com "Saudade", onde tinha sido também possível consultar o prometedor catálogo de  "Gueiko e Maiko", de uma exposição em Torres Vedras. 

A partilha de espaços de escrita <no Expresso>tinha então adiado um primeiro comentário, e agora confirma-se que se consolida a coerência do trabalho e a continuidade dos processos e  projectos, com a variação suficiente para se tratar de um aprofundamento de direcções.  A revisão do percurso pode fazer-se em https://www.margaridacorreia.com/


 

 Living room I, 2006, C-Print (74 x 94 cm)  

Tratava-se então (2006) de uma série de trípticos ou de composições triplas, onde constavam uma fotografia familiar recuperada, em geral cena ou retrato de grupo; o registo isolado e objectivo, actual, de um objecto reconhecível nessa primeira imagem, quase sempre uma peça de vestuário (ou chapéu, óculos), e  de um retrato contemporâneo de alguém que usa esse mesmo objecto. Nesse jogo de reconhecimentos abria-se um trânsito entre épocas, gerações, gostos ou modas vestimentares, mas era também o retrato contemporâneo, em condições de encenação e cumplicidade com o fotógrafo, que se afirmava como género, ou como problematização de uma prática. De uma adivinhada circulação familiar (passando de mães a filhas os objectos e as suas memórias, ou situações) transitava-se também para uma relação de companheirismo entre artista e modelo. O que poderia ser um exercício escolar tinha uma eficácia e uma abertura de sentidos, uma suspensão de certezas, que lhe asseguravam outra projecção.    

Agora importam os cenários domésticos e os retratos neles situados, sempre discretamente expostos, avolumando-se uma ideia de concentração sobre dois lugares (Roterdão e Lisboa) e duas famílias, num processo de lenta aproximação do observador a espaços e relações de intimidade - o site confirma a identidade e a localização de duas séries paralelas. Importam as figuras retratadas, entre exposição e intimidade, os espaços ou cenários em que se incluem, a relação entre ambos (as figuras e os seus lugares), alguns objectos que  assumem uma presença mais relevante e certamente significativa, algumas redes de relações familiares que se sugerem ou esboçam, mas também os lugares por si mesmos, só parcialmente ou parcimoniosamente legendados. Há sempre sucessivas leituras para cada fotografia, isolada, em sequência, revendo-se o conjunto, etc.

Numa grande variedade referencial das imagens fotográficas, surgem fotografias isoladas (retratos, pormenores de interiores domésticos, objectos), mas também dípticos e trípticos, por vezes incluindo páginas de álbuns fotografadas onde se reencontram os objectos vistos nas fotos actuais. Havendo um prévio projecto estabelecido, a produção dos trabalhos (as fotografias isoladas ou em séries) parece construir-se como o avolumar da distância entre o programa e o resultado - nada é óbvio ou unívoco. A cada aproximação as imagens parecem resistar mais à ideia da ilustração de um projecto, ganham  sempre mais  densidade significante,  atraem mais a curiosidade   do observador e mantêm-no à distância.

Note-se como mesmo no caso mais directo de apropriação de uma fotografia anterior se criam as sucessivas instabilizações de sentidos, num contexto (ensaio ou ficção?) em que o que se vê é sempre a pequena parte do iceberg.

(?) 


Daphne de Jong, MOMA (1982), 2006, C-Print, 25" x 20" (64 x 51 cm)




sexta-feira, 15 de maio de 2026

1987, "OS PINTORES DA EUROPA" à escolha para Estrasburgo em 16 de maio

 OS PINTORES DA EUROPA, parte I, 16 maio 1987

Propostos 16 pintores para a escolha de 2 nomes pelos leitores do Expresso


1987, "OS PINTORES DE EUROPA", exposição-concurso e colóquio

 UM EPISÓDIO EUROPEU EM 1987, OBVIAMENTO ESQUECIDO

A PINTURA DA EUROPA APRESENTADA EM ESTRASBURGO, EXPOSIÇÃO CONCURSO por iniciativa da revista EIGHTY

16 países e 75 artistas - 4 portugueses. 

Por Portugal: António Dacosta e Graça Morais, por escolha dita institucional; Paula Rego e Eduardo Batarda escolhidos por votação "popular". Participaram na selecção o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, o Tempo e o Expresso (4 páginas e "16 PINTORES DOS ANOS 80", na Revista de 16 maio)

Arquivo Expresso, 12 dezembro 1987 (artigos de José Luis Porfírio: "Grandes e pequenos em Estrasburgo" e A P: "Por um lugar no mercado" - exposição e colóquio no Parlamento Europeu com Bonito Oliva)

terça-feira, 5 de maio de 2026

2026, "Tratado", livro de amigos e de retratos do José M. Rodrigues, edição EGEAC

 Já saiu o livro da exposição do José M. Rodrigues na Galeria Avenida da Índia, 28 09 a 22 12 2024. "Tratado". Era um espaço ingrato, árido, enorme, mas o livro é perfeito.

São retratos de amigos e familiares, tornados intimidades fotográficas e exercícios de invenção do que pode ser o retrato. Sempre em poses demoradas, pensadas caso a caso, ao ritmo (não ao acaso) das relações, das cumplicidades, das situações de comunicação mútua, intercomunicação encenada e afinal sempre surpreendida, vivida e/ou vívida. É um trabalho muito pessoal, mesmo íntimo, mas aberto, uma escolha de amigos que paradoxalmente se dirige a todos os não-participantes e observadores disponíveis. Retratos frontais ou não (os rostos ocultados, até por vezes de costas), dialogando com a paisagem ou o próximo ambiente natural, a vegetação, com alguma iluminação dirigida e por vezes com uso de espelhos. Mãos, cabelos, corpos, alguns auto-retratos não narcísicos, rostos singulares ou grupos de 2 e 3, nomes com datas nos títulos, no final, em geral muito recentes (2022-24) mas também vindos desde 1996 - o retrato e/ou a presença de modelos, os rostos e corpos, são uma das muitas "vertentes" da muito extensa e diversa obra do José Rodrigues.
Magnífica impressão na Maiadouro, em apenas 300 exemplares, edição EGEAC / Galerias Municipais. 40 fotografias em páginas duplas, abreviando a exposição.
Magnífico design gráfico de Arne Kaiser https://www.arnekaiser.com/ Os livros são cosidos e todas as fotos ocupam mais do que uma página, com cortes meticulosamente medidos.
Textos a ler de Óscar Faria, comissário da exposição, de José Bértolo sobre "alguns livros de José M. Rodrigues", do próprio artista e dos responsáveis pela programação da galeria (Sara Antónia Matos e Pedro Faro).