OS PINTORES DA EUROPA, parte I, 16 maio 1987
Propostos 16 pintores para a escolha de 2 nomes pelos leitores do Expresso
"Defendi" Menez, Paula Rego, Eduardo Batarda, Pedro Cabrita Reis e Pedro Proença.
Menez
ESQUEMATICAMENTE, poderia dizer-se que o universo plástico de Menez se desvenda nos trabalhos mais recentes, surgindo explícitas as <anteriores> referências ocultas <abstractas>, afirmando-se um novo efeito narrativo e acentuando-se o revisitar de géneros e modelos. Seria talvez desvalorizar sob a <leitura da > representação o que é, desde sempre, fascinante enigma do agenciar de cores e transparências, vibrações luminosas, materiais da pintura, volvidos num teatro onde se manifestam densidades metafísicas, fictícios enredos. Trata-se, sempre, de pintar, memória e prazer radical a convocar o silêncio.
Paula Rego
FALOU-SE em tempos de surrealismo ou de Pop e mais recentemente alinharam a sua pintura com a transvanguarda internacional: acasos de quem atravessa sucessivas actualidades com o poder de uma expressão original. A estória, o personagem ou até o título estão sempre no princípio dos trabalhos de Paula Rego, cujo sentido narrativo com pretextos na História ou nas histórias tradicionais e infantis transporta uma explícita matriz mista de violência e humor.
De uma composição complexa das imagens e dos espaços <por via da colagem e da ocultação>, passou nos anos 80 a uma figuração simplificada em pintura-desenho sobre papel, e já mais recentemente numa última inflexão redescobre mais «clássicas» regras do trabalho pictural, de uma figuração mais fria e precisa.
Eduardo Batarda
NOS ANOS 70 praticava a aguarela em composições que parodiavam personagens e situações numa figuração precisa; podia falar-se de relação com a BD, mas Batarda dizia que «parodiava a ideia de que a pintura há-de dizer qualquer coisa».
Quando quase todos voltavam à figura, o pintor surgiu noutro caminho isolado e tão contraposto como o anterior aos modos correntes: o preto e branco sobrepõe-se às cores estridentes, a composição sugere a abstracção. Mas trata-se de novo de um exercício de citações múltiplas, com um máximo de ironia e de erudição, a pintura sobre a pintura.
Pedro Cabrita Reis
A AFIRMAÇÃO das atitudes, a presença pública, a estratégia «duchampiana» são uma primeira linha da presença de Cabrita Reis nesta década. Outro vector destacará a velocidade e a veemência das suas deslocações, da figuração dita expressionista à intensidade das matérias, da agressão dos suportes e do excesso barroco até à crescente depuração das obras mais recentes num sentido mais conceptual onde emerge a geometria e a dimensão simbólica das formas - permanência de um balanço entre ordem e caos transformados em fronteiras do pintar, lugar de vertigem.
Pedro Proença
TENDO surgido já virada a página das utopias e das pesquisas vanguardistas, Pedro Proença representará mais do que ninguém a atitude paródica conveniente num universo de citações e revivalismos. A marca pessoal, sustentada pela autonomia virtuosística do desenho, exerce-se sobre códigos literários e figurativos em que a irrisão se avizinha da erudição pela importação de inúmeras referências, por exemplo gregas e orientais. O caracter narrativo das primeiras obras prolongou-se na complexidade de um jogo pictórico onde sucessivos estilos e soluções formais se articulam em "puzzles".
Nota:
Foram as seguintes as listas Individuamente propostas:
Alexandre Pomar:
António Dacosta, Júlio Pomar, Paula Rego, Menez, Eduardo Batarda, Julião Sarmento. Pedro Casquelro, Pedro Calapês, Pedro Cabrita Reis, Pedro Proença.
José Luís Porfírio:
A. Dacosta, J. Pomar, Menez, J. Sarmento, P. Cabrita Reis, Casqueiro, Ilda David, Carlos Nogueira.
Alexandre Melo:
Joaquim Rodrigo, Alvaro Lapa. Batarda, Sarmento, Calapês, Cabrita Reis, Casqueiro, Proença, Pedro Portugal, Pedro Tudela.





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