terça-feira, 19 de agosto de 2025

2009-2021, Augusto Alves da Silva, CRONOLOGIA (in progress)


Em 2009 o Museu de Serralves dedicou ao Augusto Alves da Silva uma retrospectiva com o título "Sem Saída / Ensaio sobre o Optimismo" - "Dead End / An essay on optimism". Com catálogo; comissários João Fernandes e Ricardo Nicolau. (Ver aqui comentário e entrevista do sérgio B. Gomes / Público)
Em 2013 o Centro de Cultura Contemporânea - Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras mostrou "Book v2.1" , uma segunda versão da série "Book" apresentada em Serralves.

O AAS também mostrou em 2013 uma foto inédita - Sem título (tiro) - na Pequena Galeria e falámos de uma individual que não se concretizou.


1987, 1991, AUGUSTO ALVES DA SILVA: as primeiras exposições: Algarve, Europália 91


AAS
Vi-o pela 1ª vez na 1ª Bienal de Arte de Sintra em 1987 e escrevi ua nota no cartaz do Expresso sobre a peça exposta, «Prova de Contacto».Ele estava então em Londres e disse-me depois como foi importante ter sido apreciado.


Exp colectivas (Portugal)

Fotovisão, Lisboa, 1986

V Bienal de Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, 1986

Bienal de Lagos, Lagos, 1986

I Bienal de Arte em Sintra, Sintra, 1987

Exp. individuais:

Instituto Superior Técnico, Lisboa, 1984

Faculdade de Direito de Lisboa, 1984

Câmara Municipal de Tavira, Tavira, 1985

Museu Municipal Infante D. Henrique, Faro, 1985

Teoartis Galeria/Centro de Arte, Evora, 1985

 Em 1990 expôs ALGÉS-TRAFARIA 1900 na Ether e na FIL O respectivo catálogo tem escassas indicações biográficas.

Em 1991 participa na exposição que António Sena levou à Europália,  "Portugal 1890-1990", organizada em dois núcleos, em Charleroi, Musée de la Photographie ,e Antuerpia, Provincial Museum voor Fotografie. No primeiro situaram-se Joshua Benoliel, os "Regards Etrangers" (apresentada por Jorge Calado, a primeira de uma série de mostras com fotografias feitas em Portugal por estrrangeiros); "Les Années de transition 1227-1967", do comandante António José Martins a Jorge Guerra; e Helena Almeida.  No segundo, o que A. Sena intitulou "Regards Inquiets (1980-1991)"

No catálogo único, bilingue, francês / flamengo, esta secção começa por Helena Almeida e Gérard Castello Lopes e continua com os fotógrafos expostos (ou a expor mais tarde) na Ether: Nozolino, José (Manuel) Rodrigues, Mariano Piçarra, António Júlio Duarte, Rui Fonseca, A.A.S., José Francisco Azevedo, João António Motta, António Carvalho, Daniel Blaufuks, Francisco Rúbio.


Os dados biográficos de A.A.S. neste catálogo são extensos e não voltarão a ser indicados em publicações posteriores.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

2009, 2025, Serralves, Augusto Alves da Silva

 Serralves

exposições coletivas (SQUATTERS, em 2001, e VIAGEM AO PRINCÍPIO: IDA E VOLTA, em 2019), individuais, QUATRO PONTOS CARDEAIS (1997)

e a exposição antológica SEM SAÍDA/ENSAIO SOBRE O OPTIMISMO, em 2009.



domingo, 17 de agosto de 2025

2007, 2025, Augusto Alves da Silva, Lau, Col. Berardo

LAU (2007), de Augusto Alves da Silva, Berardo Collection. 91 fotografias C print; 300 x 400 cm. Homenagem de Lau Costa, modelo nesta série-instalação:

17 08 2025

"Homenagem a Augusto Alves da Silva
O olhar de Augusto era único: preciso, íntimo, atento ao detalhe e ao instante. A sua capacidade de captar não apenas a imagem, mas também a essência e a atmosfera invisível ao redor, transformou este nosso trabalho numa experiência marcante.
“LAU” nasceu desse encontro — de uma entrega mútua, da confiança no olhar do outro e da coragem de revelar camadas que não se dizem, apenas se mostram.


PORMENOR





A obra LAU (2007), de Augusto Alves da Silva, pertence à prestigiada Berardo Collection, onde foi integrada pelo reconhecimento da sua relevância artística. Desde então, esteve exposta nos mais importantes espaços dedicados à arte contemporânea em Portugal, em particular no Museu Coleção Berardo, em Serralves, no CCB, entre outros.
Hoje, encontra-se sob tutela da Associação de Coleções, formada pela Fundação CCB, Fundação de Serralves e Direção-Geral do Património Cultural. <?>
Tal como tantas outras obras de Augusto Alves da Silva, LAU (2007) conheceu sempre os lugares de maior prestígio, sinal inequívoco da importância do artista no panorama nacional e internacional da arte contemporânea
——————
Mais do que um registo fotográfico, “LAU” é um retrato expandido: um reflexo da minha presença atravessado pelo seu olhar sensível mas extremamente rigoroso.
Augusto não fotografava apenas pessoas ou lugares — fotografava a verdade que se esconde por detrás da superfície.
“LAU” permanece como memória e testemunho do talento de um artista que fez da imagem uma forma de pensamento.
Jamais imaginei que o fruto desta nossa ligação pudesse atravessar o tempo e permanecer para além de nós.
Obrigada Augusto por me teres visto.
Os momentos inevitavelmente acabam, mas estaremos para sempre entrelaçados numa eternidade — quase absurda — que só a arte concede.
As tuas obras continuarão sempre vivas — vistas, expostas, sentidas, num diálogo silencioso com o mundo. ❤️
PS: Grande, somos a capa do site da Associação de Coleções juntamente com a Amália. You did it 🥂🫶🏻
📸 Lau, painel de 91 fotografias, 300x400cm, Epson, cores, 2007


1999-2009, 2025, Augusto Alves da Silva, Galeria Pedro Oliveira

Quatro exposições individuais do AUGUSTO ALVES DA SILVA na galeria Pedro Oliveira, de 1999 a 2009.

Pedro Oliveira: “Quem o conhecesse podia achá-lo difícil, fechado. Não era. Era sim discreto, e bastaria encontrar a chave da gaveta da bondade e depois da amizade. Éramos amigos.
Trabalhou comigo cerca de 10 anos, fazendo quatro exposições individuais e participando na coletiva dos 30 anos da galeria:
1999 “Distância Dupla”( emparceirando individualmente com o artista fotógrafo Luis Palma ) com curadoria do Miguel Von Hafe Pérez ;
2003 “Vende-se”;
2006 “Die Schönste Fahne der Welt” ;
2009 “5 Dias em Veneza” ;

2020 “Seize the day People” (exp. coletiva comemorativa dos 30 anos da galeria ) com minha curadoria.“








"Partiu um grande senhor da fotografia portuguesa.
Augusto Alves da Silva, o artista fotógrafo que nos surpreendia, preferencialmente nos seus grandes formatos, com retratos ou paisagens de expectante deceptividade. As suas imagens convidavam-nos a discernir o particular, do importante óbvio. Manobrando com exímia mestria a provocação/sobressalto levava-nos ao real significado do todo.
Um artista discretamente conceptual em que a beleza aparecia em toda a sua plasticidade, fosse no silêncio das belas paisagens, nos segredos dos retratos, na elegância dos vídeos.
...
Lembro-me bem dos cuidados técnicos que ele também tinha na produção e apresentação dos trabalhos. Eram produzidos num dos melhores laboratórios da Europa na Alemanha e ele deslocava-se propositadamente a Düsseldorf para os supervisionar.
Foram assim anos de grande cumplicidade profissional que geraram muita amizade.
Cabe a todos os que em algum momento foram tocados por esta impressiva personalidade, colecionadores e agentes do meio artístico, o devido respeito pela sua memória e integridade da sua obra.
...



2025, Augusto Alves da Silva : Apontamentos

 apontamentos

«esta é uma arte difícil — aquela que teima em não ser artística»,
Jorge Calado, «Refutações do estilo», Ist 1995.
"Não vou estar presente na Inauguração
Sofro de Claustrofobia". - mail de 19 01 20. (FINE PRINT EXPO 2O08)
"o Augusto defendia aquilo em que acreditava mesmo que isso o alheasse do meio por ser considerado uma pessoa difícil", Lúcia Marques, no FB.
"As minhas imagens são claras e o que nelas aparece é reconhecível. São, de certa forma, aquilo que um fotógrafo amador tenta fazer quando traz fotografias das viagens para mostrar aos amigos: imagens que, à partida, estarão nítidas e enquadradas – não meia maçaneta da porta ou o parapeito da janela.
Quero que as minhas imagens, porque aparentemente cristalinas, possam cativar quaisquer pessoas, para depois confundi-las. Se se sentirem confusas é porque estão a raciocinar. Talvez comecem a não tomar como garantido aquilo que está à frente delas".
AAS
"Há dois anos, num regresso ao London College of Printing (hoje London College of Comunication), falei durante três horas com a Professora Anne Williams, que agora se encarrega de saber sobre o que aconteceu aos antigos alunos. Mostrei-lhe vários livros meus e falámos da vida, nomeadamente do ponto de vista económico. Foi curioso e estranho, porque há trinta anos esta mesma pessoa estaria apenas a falar sobre assuntos como “The Consequences of the Male Gaze and Sexual Objectification” sem qualquer preocupação sobre o futuro económico dos alunos – por exemplo nunca se falou sobre os mecanismos do mercado da arte, as galerias, as feiras e outros aspectos igualmente tão importantes.
De repente, ao ver os livros que lhe apresentei, diz-me: “Oh Augusto! You are one of those few people that could have had a fabulous commercial career and at the same time a brilliant artistic career as well”. Fiquei “speechless”, como se diz em português." AAS, "Entrevista (in)completa" 2019, in "Tecnico"
Vi-o pela 1ª vez, por acaso, na 1ª Bienal de Arte de Sintra em 1987 e referi-o numa nota no cartaz do Expresso sobre a peça exposta, «Prova de Contacto». Ele estava então em Londres e dizia-me depois como foi importante ter sido apreciado..



quinta-feira, 7 de agosto de 2025

1944 (cronologia) FERROS, "PINTURA", CAFÉ e TABERNA, os retratos (A.P.)

Por ocasião da exp no Atelier-Museu ("Neorrealismos ou a politização da arte em Júlio Pomar") pode tentar fazer-se uma cronologia comentada, a acompanhar a sequência das obras e das datas.

1. FERROS, 1944 (col. CAM - FCG)

Em 1944 Pomar inscreve-se na Escola de Belas Artes do Porto, depois de ter frequentado a Escola de Lisboa desde 1942, com 16 anos, e antes a António Arroio. Já em 1942 participara numa mostra com colegas vindos da António Arroio (Fernando Azevedo, Vespeira, Pedro Oom) num quarto/atelier na Rua das Flores: essa primeira mostra fora notada no meio artístico do Chiado e na Imprensa (a revista 'Panorama' reproduz-lhe "Pintura" ou "Saltimbanco", uma obra perdida, e é relevante a atenção concedida a um muito jovem artista - Almada Negreiro compra o quadrinho e promove a sua apresentação na 7ª  Exposição de Arte Moderna do SNI. Uma muito pequena pintura sobre madeira agora exposta  "Sem Título [Rapaz]" pode ser dessa data. 

No Porto Pomar integra-se rapidamente no grupo de estudantes (e alguns professores) que expõem com o nome de Independentes desde 1943, do qual se destacam Fernando Lanhas, com quem estabelece uma duradoura cumplicidade, e também Júlio Resende, Nadir Afonso, Amândio Silva, Victor Palla, igualmente ido de Lisboa. Expõe na 3ª Independente, no Coliseu.






Em FERROS nota-se o interesse por Léger ou a sua influência, confirmados por anotações desenhadas num pequeno álbum que se conservou. Terá chegado ao CAM por via de Manuel Filipe, sobre quem publicou uma entrevista no ano seguinte ("Arte") onde surgiu a primeira menção do neo-realismo. Foi exposto em 1945, na Exposição Independente vinda ao IST.

A GUERRA (nº 18) ficou com Fernando Lanhas, e Mário Dionísio referiu-se em 1945 na Seara Nova a outra pintura anterior de tema próximo que lhe pertenceu (título desconhecido, óleo sobre cartão, 46x39cm, CR. nº 9, aqui atribuído a 1942 e à exp. da Rua das Flores, o que parece incerto): "apontamento onde se vê um homem brutalizado pelo peso dum capacete e duma cartucheira, um vago arame farpado, uma forca, uma figura estranha que atravessa o campo (a morte? a humanidade chicoteada e desiludida, mas nem por isso capaz de parar?)" - reed. em M.D., "Entre palavras e cores", 2009.

Em FERROS encontram-se os planos recortados de cor lisa que caracterizam a produção desse ano, numa configuração que seria depressa abandonada. 


De 1942 era o SALTIMBANCOS (Pintura) que veio do atelier da rua das Flores, passou pelo Salão do SNI e desapareceu. Conhece-se a reprodução no Panorama e um desenho preparatório, um estudo.

1942, em Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo, n.º 13, Fevereiro 1943

Na PINTURA (nº 16), que agora é peça maior da col. Rui Victorino, aparece ao centro uma auto-representação de punho erguido entre chaminés de fábricas e um corpo de mulher de pernas para o ar, que se disse premonitório de posteriores cenas eróticas.

Em CAFÉ aparece um retrato de Victor Palla, à esquerda, e outro de José Maria Gomes Pereira, também arquitecto, também transferido de Lisboa e um dos presentes na exp. de 1942

e em baixo um auto-retrato em 1º plano. 





Em TABERNA é bem visível outro auto-retrato à direita baixa, com cachimbo, copo e garrafa, e dois longos braços que marcam os bordos lateral e inferior: