sábado, 16 de setembro de 2006

2006, Temporada 2006/07: Fundação Ellipse, Amadeo etc (16 09)

Para abrir a temporada

    A apresentação internacional da Fundação Elipse e as iniciativas em torno de Amadeo de Souza-Cardoso marcam o calendário dos próximos meses 


Expresso 16-09-2006  

 «Cabeça Mongol», de Amadeo de Souza-Cardoso, no CAM

 

Vão estar em destaque no calendário dos próximos meses a apresentação internacional da colecção da Fundação Elipse, com a inauguração oficial do seu «Art Centre» em Alcoitão (15 de Outubro); a exposição que o Centro de Arte Moderna vai dedicar a Amadeo de Souza-Cardoso, no âmbito do projecto de publicação do respectivo catálogo «raisonné» (14 de Novembro); e, em data ainda a confirmar, a abertura do Palácio Anjos, em Algés, onde ficará instalada a Colecção Manuel de Brito. Outros acontecimentos anunciados, além do festival Luzboa, serão a feira de arte de Lisboa (de 8 a 13 de Novembro) e a apresentação no Museu de Serralves de uma revisão da década de 80 proposta pelo respectivo subdirector, Ulrich Lock. Entretanto, também é notícia de primeira linha o prolongamento até 15 de Outubro da mostra da Colecção Rau, no Museu de Arte Antiga, certamente o ponto mais alto do calendário do ano.

A primeira montagem de obras da Fundação Elipse, num armazém industrial adaptado às novas funções pelo arquitecto Pedro Gadanho, termina este fim-de-semana (sábado e domingo, 11-18 horas; Rua das Fisgas, Pedra Furada, perto do Makro de Cascais). Entretanto, já a partir da próxima sexta-feira, no Centro Cultural de Cascais, apresenta-se um outro conjunto de peças da colecção dinamizada pelo banqueiro João Rendeiro, ainda a anteceder a inauguração oficial da galeria de Alcoitão. O acto trará a Lisboa muitos convidados, em articulação com o calendário da feira de arte de Londres, a Frieze. «Open House» é o título do catálogo a lançar na ocasião, reunindo mais de 200 obras de um acervo que irá pelas 350.



  «Ping-Pond1», de Gabriel Orozco no Art Centre da Fundação Elipse

 
Já em Novembro, a exposição dedicada a Amadeo ocupará as galerias dos dois pisos da sede da Gulbenkian, no âmbito das comemorações do seu cinquentenário, e colocará o pintor português (1887-1918) em relação com o contexto internacional, como anuncia o título «Diálogo de Vanguardas». Comissariada por Maria Helena de Freitas, que dirige igualmente o projecto do catálogo «raisonné», com um primeiro volume a publicar no próximo ano, a mostra decorre de um longo trabalho de investigação que promete revelar obras inéditas e renovar o conhecimento da breve carreira do pintor, falecido com 30 anos. Geralmente apreciado sob a visão canónica do cubismo e da abstracção, Amadeo será agora revisto numa perspectiva alargada que inclui os amigos próximos como Modigliani e Brancusi, bem como as relações vienenses e o ensino do espanhol Anglada Camarasa. Além do catálogo, vai publicar-se uma fotobiografia com recurso a abundante documentação inédita e a edição facsimilada de "La Légende de Saint Julien l’Hospitalier", de Flaubert, um texto manuscrito e ilustrado por Amadeo em 1912, doado pela viúva à FG e até agora inédito. O volume contará com um ensaio de Maria Filomena Molder.
 
A abertura do Palácio Anjos, em Algés, adaptado para acolher a colecção do galerista Manuel de Brito (o fundador da 111) é aguardada para 29 de Novembro, no primeiro aniversário da sua morte. A montagem inicial do acervo do novo centro de arte, da iniciativa da Câmara de Oeiras, deverá prestar homenagem a António Dacosta, um dos artistas mais representados na colecção.

Regressando ao calendário de Setembro, que hoje conta com as inaugurações simultâneas de 15 galerias de Lisboa, devem pôr-se na agenda as exposições das fotografias de Paulo Catrica na Gal. Carlos Carvalho (dia 20) e de pinturas do espanhol Santiago Ydañez na Gal. Fernando Santos (dia 21), enquanto, no Porto, a Pedro Oliveira apresenta Augusto Alves da Silva e Teresa Henriques, em antecipação às aberturas simultâneas do próximo sábado. No Palácio Galveias inaugura, dia 20, o concurso Purificación García, com fotógrafos de toda a Península; a 23 abrem os Encontros da Imagem de Braga, comemorando 20 anos com a revisão de anteriores temáticas, e a edição 2005 do World Photo Press chega no dia 28 ao CCB. A seguir, a mostra de desenhos de Miguel Ângelo Rocha na Fundação Carmona e Costa (dia 26) e uma antologia de João Paulo Feliciano na Culturgest (dia 29).

 


«Swinging Chair», de João Paulo Feliciano, na Culturgest


 
Em Outubro, o Museu do Chiado associa-se ao festival Temps d’Images para apresentar trabalhos da série «Pine Flat» da fotógrafa norte-americana Sharon Lockhart (dia 4). No CAM, onde Pedro Cabrita Reis dará por terminada a instalação "Fundação" no dia 15, ocupando também o espaço do «hall» com "The White Room", um conjunto de pinturas, vão apresentar-se no dia 10 as gravuras de grande formato de José Pedro Croft, que também inaugurará com esculturas as instalações em Lisboa da Galeria Quadrado Azul, no Largo Stephens (dia 19). Entretanto, os Artistas Unidos retomam as suas exposições, agora na Capela das Mónicas, com pinturas de Ivo (dia 12), e para a Gal. Cristina Guerra anuncia-se (dia 17) uma colectiva da responsabilidade de Marc-Olivier Wahler, o novo director do Palais de Tokyo, de Paris. Francisco Tropa ocupará a Culturgest-Porto a partir de dia 27.

Em Novembro, o segundo leilão de fotografias organizado por Potássio Quatro vai acontecer no CCB no dia 9, enquanto a Arte Lisboa estará a decorrer na FIL. Em Serralves é aguardada (para dia 10) a exposição «Anos 80», de Ulrich Lock, que sublinhará as continuidades com as anteriores neo-vanguardas, e não as rupturas e retornos que agitaram a década: a escolha de artistas que emergem nos anos 80 irá valorizar os artistas que «exploram, desenvolvem e expandem criticamente as premissas dos anos 70», excluindo, «por esse motivo, a pintura então realizada na tradição do Neo-Expressionismo alemão e seus parceiros internacionais». A Casa de Serralves acolherá também o próximo concurso BES Revelação.

Para 11 de Novembro anuncia-se a primeira Bienal de Aveiro, com um sector de artistas a concurso e outro de convidados a cargo de Delfim Sardo. O CAM vai expor de novo Fernando Calhau (dia 21), com base na doação efectuada pela sua viúva, e o CCB fará as últimas inaugurações da actual programação: a arquitectura de Gonçalo Byrne e as fotografias e vídeos de Nuno Cera (dia 23), seguidas pelo projecto fotográfico desenvolvido em Portugal pela alemã Candida Hoffer (1 de Dezembro). A abertura do museu da Colecção Berardo fica para 2007.

 

Foto do projecto português de Candida Hoffer

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